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Quadrilha contratava matadores de aluguel


Por Sandra Zanella

14/07/2011 às 07h00

Armas apreendidas com suspeitos na Zona Norte

Armas apreendidas com suspeitos na Zona Norte

Um esquema típico do crime organizado, envolvendo assassinatos encomendados e aluguel de armamento para o tráfico, foi desmantelado pela Polícia Civil durante operação, na manhã de ontem, na Vila Esperança, Zona Norte. Na ação, quatro homens foram presos e um arsenal de armas e munições foi apreendido. Dois jovens, de 18 e 19 anos, são suspeitos de matar cinco pessoas a tiros e de ferir, pelo menos, outras duas. Em cada caso, a dupla agiria de moto mediante o pagamento de R$ 5 mil. Já dois comerciantes detidos, de 43 e 49 anos, supostamente alugariam os revólveres e pistolas utilizados nos crimes por R$ 700. A manobra foi resultado de quatro meses de investigação da 3ª Delegacia Distrital para apurar cinco homicídios, tentativas de assassinatos e roubos ocorridos na região. De acordo com o delegado responsável, Rodolfo Rolli, as execuções eram feitas a mando de traficantes, que tinham como intuito manter seus territórios ou cobrar supostas dívidas.

Segundo Rolli, os comerciantes são proprietários de bares, nos quais também foram encontrados maços de cigarro contrabandeados. Em posse do mais novo, foi apreendida uma pistola calibre 380 e munições. Já o outro foi flagrado com dois revólveres calibre 38 e um 22, além de duas espingardas e diversos projéteis. Os imóveis deles foram vistoriados com mandados de busca e apreensão expedidos pelo Tribunal do Júri. Na mesma investida, o jovem de 19 foi surpreendido pelos policiais com um revólver calibre 38 carregado na cabeceira da cama. Contra os rapazes suspeitos de executar os homicídios havia, ainda, mandados de prisão preventiva, e eles foram encaminhados ao Ceresp após serem ouvidos na 1ª Delegacia Regional. Conforme Rolli, a dupla também é investigada por roubos a uma lotérica.

De acordo com o delegado, o arsenal apreendido não surpreendeu. "Esperávamos até encontrar mais armas e estamos atrás de uma pistola 9mm. Mas eles tinham muito poder de fogo, porque apreendemos vários materiais utilizados para recarga de munições, o que mostra se tratar de crime organizado." Na operação, também foram recolhidos um televisor de LCD, oito celulares e fogos de artifício. "Hoje mesmo (ontem) vou representar pela prisão preventiva dos comerciantes, porque conseguimos apreender as armas que provavelmente eles alugavam para os crimes. Eles podem responder pela posse dos armamentos, pelo contrabando dos cigarros e, possivelmente, por formação de quadrilha e associação para o tráfico." De acordo com o delegado, as armas e os telefones foram encaminhados para a perícia.

"Alguns homicídios foram praticados com revólveres e outros com pistolas. Vou pedir um exame de microcomparação balística para saber qual foi usado em cada caso. Isso é possível porque cada arma marca o raio da munição e bate na espoleta de maneiras diferentes. Também vamos verificar as chamadas originadas e recebidas, além da agenda dos celulares." Rolli garantiu que as investigações prosseguem na tentativa de identificar e prender os traficantes que seriam os mandantes dos crimes. "Demos prioridade ao combate dos executores e vamos diminuir pela metade os assassinatos encomendados na Zona Norte. Já estamos investigando outra facção criminosa que está agindo de maneira semelhante e vamos prendê-la nos próximos dias para acabar de vez com essas execuções."

 

Criminosos usavam moto nas ações

A partir das prisões dos dois jovens de 18 e 19 anos, suspeitos de envolvimento em assassinatos sob encomenda de traficantes, o delegado Rodolfo Rolli tem dez dias para concluir os inquéritos que apuram os homicídios. Apesar de a maioria dos crimes ter sido cometida este ano, o policial acredita que os rapazes e os comerciantes já estariam envolvidos nos esquemas de execuções mediante pagamento e de aluguel de armas há cerca de um ano. "Comecei as investigações em março. Apuramos que o garoto mais novo ia na garupa com arma, enquanto o outro conduzia a moto." O inspetor Anderson Salvador, que participou dos trabalhos, corroborou: "Um era o motorista e o outro fazia os disparos para tirar do caminho pequenos traficantes ou aqueles que tinham dívida ou não repassavam dinheiro de roubos aos mandantes. Agiam simplesmente por encomenda, cobrando quantias para fazerem as execuções."

De acordo com o delegado, o assassinato mais recente em que o grupo teria participação aconteceu em 23 de junho. O adolescente Anderson Arruda, 17, foi alvejado com três tiros, e a mãe dele, 38, também foi baleada no punho, no Jardim Natal. Dois homens passaram em uma moto pela Rua Tenente Lucas Drumont e efetuaram disparos, fugindo em seguida. O jovem chegou a ser socorrido, mas não resistiu.

Já em maio, Diogo Cavalieri da Silva, 25, foi morto a tiros de pistola no Parque das Torres. Na ocasião, um motociclista perseguiu a vítima, que estava de moto. O jovem ainda tentou escapar a pé após ser ferido no braço, mas foi alcançado e novamente alvejado no quintal do imóvel onde buscou refúgio. "Ele foi morto com uma pistola 380", informou Rolli. Na época, a PM apreendeu, na casa de um parente da vítima, 316 pedras de crack e mais um tablete da droga, além de um papelote de cocaína, 12 munições calibre 38 e um par de algemas.

Em abril deste ano, um homem, 44, foi assassinado no Santa Cruz. Antônio Carlos Moreira de Miranda estava perto de sua casa, na Avenida Doutor Simeão de Faria, quando foi surpreendido pelos disparos, que também teriam sido efetuados pelo carona de uma moto. A vítima sofreu oito perfurações. Outro possível alvo da dupla foi Washington Alves da Silva, 21, assassinado em fevereiro na garagem da casa onde morava, no Jóquei Clube III. Segundo o delegado, a vítima foi alvejada por nove tiros de pistola 380. "A quantidade de tiros é típica de execução", observou o delegado.

O único caso em investigação registrado no ano passado aconteceu em abril, em Benfica. Um homem, 28, estava na Rua Guararapes, quando foi surpreendido por um motociclista que atirou várias vezes em sua direção. A vítima sofreu perfurações no rosto, tórax e braço e chegou a ser internada, mas não resistiu.