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Fumacê deve ser fiscalizado


Por Juliana Duarte

13/05/2016 às 23h50

Circulação de fumacês de empresas privadas preocupa alguns moradores

Circulação de fumacês de empresas privadas preocupa alguns moradores

Preocupados com a proliferação do Aedes aegypti, condomínios de Juiz de Fora têm contratado empresas privadas para realizar os trabalhos de fumacê. Apesar do medo da contaminação pelas doenças transmitidas pelo vetor, alguns moradores têm receio da intensa utilização desse inseticida. É o caso de uma moradora do Alto dos Pinheiros, que preferiu ter o nome preservado. O condomínio, em parceria com o São Lucas, tem aplicado o UBV particular duas vezes por semana (às segundas e sextas-feiras), há dois meses. “Eu não fui informada sobre as medidas de precaução. Eu não sei se existe algum critério estabelecido pelo Ministério da Saúde para o uso do fumacê. Muitas cidades do Sul do país nem adotaram essa medida por considerar a toxicidade do pesticida. Sem contar que há quem questione a eficácia do inseticida na eliminação do mosquito.” Para agravar a situação, a Vigilância Sanitária admite ter dificuldades em fiscalizar a aplicação do produto.

Conforme o supervisor de Estabelecimentos da Vigilância Sanitária do município, Ivander Mattos Vieira, o uso do UBV privado é preocupante. “Não se sabe o tipo de produto utilizado. O uso indiscriminado, além de gerar danos à saúde dos moradores, produz resistência no vetor. Para realizar esse tipo de serviço, a empresa precisa se atentar à norma que regulamenta toda a atividade de controle de pragas e vetores.” O supervisor enfatiza que, quando os condomínios forem contratar empresas para realizar esse serviço, é preciso exigir que a mesma apresente alvará sanitário. “Como o grande problema é o uso indiscriminado do inseticida, quando realizamos inspeção nos condomínios, verificamos as declarações deixadas por essas empresas para ver como o inseticida foi aplicado e quantas vezes.” No entanto, Ivander diz que a Vigilância Sanitária tem dificuldades em fiscalizar todos os condomínios. “Mas todas as denúncias são verificadas.” Para realizar denúncias de mau uso do fumacê, basta ligar para 3690-7472.

O Ministério da Saúde destacou que é importante que as empresas particulares que realizam controle de pragas e vetores utilizem produtos compatíveis com os recomendados pelo órgão, além de obedecerem aos requisitos técnicos adequados quanto ao tipo de inseticida, diluição, dose, bico e frequência de aplicação para evitar contaminação e intoxicação. As secretarias estaduais e municipais de Saúde podem ser acionadas para verificar junto às empresas as ações adotadas e auxiliarem no que for preciso. A Tribuna entrou em contato com a Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) para saber os possíveis prejuízos ambientais do uso do fumacê, mas não obteve retorno.