Moradores do Bairro Três Moinhos cobram solução para escola interditada que leva nome de líder comunitário
Moradores reforçam importância identitária e educacional da instituição, e defendem sua permanência no bairro

A interdição da Escola Municipal Antônio Faustino da Silva, no Bairro Três Moinhos, Zona Leste de Juiz de Fora, após os impactos das chuvas na região, tem mobilizado moradores que temem o fechamento definitivo da unidade. Além da paralisação das aulas, diversas casas do entorno foram interditadas pela Defesa Civil devido ao risco de deslizamentos.
Entre os moradores afetados está a aposentada Rosimere Faustino, 54 anos, filha de Antônio Faustino da Silva, líder comunitário que dá nome à escola. Ela conta que precisou deixar a casa onde morava com as irmãs e também outra residência de sua propriedade que estava alugada e era fonte de renda para a família.
“Ali a gente nasceu, cresceu, casou. Meu pai deu uma casa para cada filha com muito sacrifício. Agora está tudo interditado, e minha família teve que sair”, relata.
A moradora destaca que a escola sempre foi motivo de orgulho para a comunidade e lembra que o pai teve papel decisivo para que o colégio fosse construído no bairro. Na época, as crianças precisavam estudar em outras regiões da cidade.
“Ele lutou muito por essa escola. Correu atrás de documentação, de material, de tudo. Era presidente do bairro e fazia de tudo pela comunidade”, afirma.
Antônio Faustino chegou a ver a chegada dos materiais da obra, mas morreu antes da inauguração da escola que, posteriormente, recebeu seu nome como homenagem.
Ao longo dos anos, diferentes gerações da família passaram pela instituição. “Todos os netos estudaram aqui e, agora, uma bisneta tinha acabado de entrar quando aconteceu isso”, conta Rosimere.
Mudança de rotina para alunos
A interdição também afetou moradores que viviam em casas próximas à escola. Kleydson Ramos, 53 anos, que morava de aluguel em uma das residências da família de Rosimere, precisou deixar o local com a família após o imóvel ser considerado área de risco.
Sem carro, ele afirma que precisou procurar outra moradia às pressas e acabou se mudando para o Bairro de Lourdes, onde conseguiu ficar mais próximo da nova escola do filho.
“Agora a gente teve que sair daqui e arrumar um lugar lá perto do Bairro de Lourdes. Foi o único jeito de ficar mais próximo do colégio dele”, relata.
O filho de Kleydson, de 9 anos, estudava na Escola Municipal Antônio Faustino da Silva e precisou ser transferido para outra unidade, na Avenida Sete, após a interdição.
Segundo ele, a mudança repentina trouxe dificuldades para a família e aumentou a tristeza com a situação do bairro. “A gente nasceu e foi criado aqui. Agora é só tristeza.”
Moradores esperam solução
Para Rosimere, além da importância histórica para a comunidade, a escola sempre foi reconhecida pela qualidade do ensino. “É um colégio muito bom, com professores excelentes. Tem até lista de espera para vaga, porque gente de vários bairros quer estudar aqui”, afirma.
Enquanto aguardam uma definição das autoridades sobre obras de contenção ou outras soluções, a comunidade tenta manter a esperança de que a escola possa continuar funcionando.
“Tenho muito orgulho do meu pai ter lutado por essa escola, mas a tristeza é enorme de pensar que ela pode acabar”, lamenta Rosimere.
A reportagem demandou a Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) a respeito das providências relacionadas à situação da Escola Municipal Antônio Faustino da Silva e aguarda o retorno.
Prefeitura providencia endereço temporário
A Secretaria de Educação da PJF informou à Tribuna que “os estudantes da Escola Municipal Antônio Faustino serão acolhidos em um novo endereço temporário da unidade, onde as atividades escolares serão realizadas até que uma sede definitiva seja estabelecida”.
Em nota, afirmou que “em breve, a comunidade escolar receberá novas orientações da Secretaria de Educação sobre o local de funcionamento da escola, bem como sobre o calendário escolar, considerando as reposições necessárias neste momento”.
Também orientou que “estudantes que não residem mais na área de zoneamento da unidade poderão solicitar transferência para outra escola da Rede Municipal de Ensino. Caso necessário, as famílias devem procurar a Secretaria de Educação para o rastreamento de vagas na nova área de moradia”.









