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Muito buraco e pouca estrada DER afirma realizar manutenção


Por Tribuna

13/03/2016 às 07h00- Atualizada 13/03/2016 às 11h52

Crateras tomam pista inteira e acostamento na MG-353

Crateras tomam pista inteira e acostamento na MG-353

Cento e noventa e cinco buracos foram contabilizados pela Tribuna durante viagem pela MG-353, em um trecho de cerca de 60 quilômetros que separam os municípios de Juiz de Fora e Guarani. Deste total, 160 estão somente no curto segmento de 20 quilômetros que separam as cidades de Rio Novo e Guarani. Circular pela via é um desafio, mas muitos moradores destes e de outros municípios da região dependem desta estrada, já que têm Juiz de Fora como referência nos setores de saúde, educação e lazer. À noite, viajar por este percurso é ainda mais perigoso, colocando em risco estudantes que voltam para suas cidades diariamente. Para mostrar a condição desta rodovia, que corta ainda Coronel Pacheco e Goianá, totalizando uma população de aproximadamente 24 mil habitantes, a reportagem fez o caminho na última quarta-feira e constatou as dificuldades do trecho. Além das erosões, vários segmentos estão tomados por mato alto, cobrindo placas de sinalização vertical.

Asfalto irregular e ausência de áreas de acostamento também são realidade. Mas esta não é a única estrada da região com problemas, tanto que, este ano, pelo menos quatro pontos distintos de rodovias do entorno tiveram que ser interditadas devido a problemas estruturais. Para a população afetada, o sentimento é de abandono e a impressão é de que as estradas da Zona da Mata recebem apenas correções pontuais, sem investimentos volumosos. Enquanto isso, empresários contabilizam prejuízos.

Entre Juiz de Fora e Coronel Pacheco, o problema é a vegetação alta e as ondulações na pista por causa do excesso de remendos. Curiosamente, a maioria destas falhas é observada em curvas fechadas, potencializando os riscos. Uma equipe de manutenção do Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER/MG) foi vista pela reportagem promovendo o corte da vegetação em alguns trechos, mas não havia trabalhos relacionados ao recapeamento. Depois de Coronel Pacheco, o que chama a atenção são mesmo os buracos, principalmente após o acesso ao Aeroporto Regional da Zona da Mata, antes de Rio Novo. A partir deste ponto, os condutores são obrigados, em vários pontos, a seguir até na contramão, até mesmo em segmentos sinuosos. Algumas erosões ainda estão cobertas por terra que, aos poucos, se soltam, espalhando material por toda a malha. Pior, neste caso, para os motociclistas, já que tal situação torna a estrada escorregadia.

 

Prejuízos em ônibus

Sebastião Rodrigues, diretor da Viação José Maria Rodrigues, empresa de transporte intermunicipal que atende a região, disse que são constantes os problemas de manutenção dos ônibus relacionados à condição deste segmento. Segundo ele, são 18 viagens feitas diariamente (nove por trecho), com sete ônibus, entre Juiz de Fora e Astolfo Dutra, todas passando por Rio Novo e Guarani. “Quebra amortecedor e fura pneu. Em alguns locais, o motorista quase tem que parar o ônibus para passar no buraco, e isso acaba atrasando as viagens. Como consequência, chegam reclamações ao DER/MG com relação ao não cumprimento dos nossos horários previstos. Felizmente eles acatam nossas justificativas e não nos multam”, informou, dizendo que o problema piorou com o início do período chuvoso, no fim do ano passado. “Eles fazem o recapeamento e, na primeira chuva, os buracos aparecem todos novamente.” Conforme Sebastião, o pior trecho é justamente o compreendido entre Rio Novo e Guarani.

Demanda por borracheiro

Na entrada de Guarani está a borracharia de Jessé Ribeiro, 62 anos. De acordo com ele, surgem trabalhos constantes por causa da péssima condição da MG-353. Entre os casos, está o de um motorista que parou na estrada porque furou dois pneus ao mesmo tempo e até de um carro-forte, de transporte de valores, que não conseguiu continuar a viagem após passar por um buraco. “Aparecem, principalmente, pneus cortados e rodas amassadas. A estrada precisa de manutenção.”

Buracos profundos na pista são risco a mais, principalmente à noite (Foto: Fernando Priamo)
Buracos profundos na pista são risco a mais, principalmente à noite (Foto: Fernando Priamo)

Avarias se repetem em outras estradas

O segmento visitado pela Tribuna é um estrato dos problemas relacionados às estradas estaduais da região. Em outros trechos, há preocupações semelhantes. A MG-126, por exemplo, que liga Rio Novo a São João Nepomuceno, está interditada pela segunda vez este ano porque o asfaltou desmoronou na madrugada do último dia 8. Assim como foi na primeira vez, a falha ocorreu após o rompimento de tubulações de água instaladas abaixo do pavimento para a passagem de curso d’água. O Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de Minas Gerais (DER/MG) já atua na correção, e a expectativa inicial era de que a via fosse liberada neste domingo. Enquanto isso, veículos de grande porte estão proibidos de passar pelo trecho. Já os carros pequenos usam uma estrada vicinal, sem estrutura, como desvio. No fim de janeiro, antes do carnaval, também houve interdição total da MG-133 entre Tabuleiro e Rio Pomba após abalos estruturais em uma ponte.

O mesmo problema voltou a acontecer, no mesmo local, há cerca de duas semanas, mas as correções foram feitas no dia seguinte. Esta interdição causou transtornos ainda maiores, já que é o acesso mais curto entre Juiz de Fora e Ubá, município que concentra elevado número de indústrias de móveis e que precisa das estradas para escoar toda a produção. Caminhões de grande porte, com altura superior a 4,4 metros, precisaram viajar 70 quilômetros a mais, passando, a partir de Juiz de Fora, pela BR-267 até Leopoldina e depois por Cataguases, na BR-120, e acessar os municípios de Astolfo Dutra e Rodeiro até chegar a Ubá, pela MG-285. Os demais tinham como melhor opção a MG-353, por Rio Novo e Guarani, onde a Tribuna constatou os excessos de buracos.

Na MG-448, em Santa Bárbara do Tugúrio, os prejuízos permanecem. O segmento, que é importante acesso entre Rio Pomba e a BR-040, próximo a Barbacena, continua com o trânsito impedido desde o fim de janeiro para veículos de grande porte após terem sido constatados riscos em uma ponte e caído um aterro sobre o asfalto.

buraco 3

 

Reflexos na região

O empresário José Maurício Moreira, proprietário de uma indústria de embalagens em Guarani, é um dos afetados, não apenas com os buracos na MG-353, como também com a interdição da MG-448. “Esta interdição trouxe todo o tráfego de veículos pesados de Barbacena para Guarani e Rio Novo, contribuindo demais para danificar o asfalto. Também aumentou o tempo da viagem dos caminhões, pois com esta estrada interditada para veículos pesados, preciso acessar a BR-040 por meio de Juiz de Fora, rodando mais 80 quilômetros.” Ele estima aumento de cerca de 20% dos custos de manutenção dos caminhões desde janeiro, quando a situação da estrada piorou.

Em nota, o Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER/MG) informou que realiza manutenção de rotina em toda a sua rede rodoviária, além de executar serviços preventivos. Explicou que, durante o período chuvoso, atua em regime de plantão, em parceria com a Polícia Militar Rodoviária e a Defesa Civil, do Estado e das prefeituras, com o objetivo de atender a ocorrências emergenciais. No caso dos buracos na rodovia MG-353, informou que já está no cronograma do departamento um trabalho de recuperação, previsto para ter início já esta semana. “Os serviços de roçada da MG-353, trecho Juiz de Fora-Coronel Pacheco, foram iniciados nesta semana (semana passada) e terão continuidade ao longo do mês.

Este mesmo trabalho será executado no segmento entre Coronel Pacheco e Rio Novo.”A nota acrescenta, ainda, que será feito um levantamento das necessidades de recuperação da sinalização horizontal e vertical da estrada. Já sobre a MG-126, no segmento de Rio Novo a São João Nepomuceno, o DER/MG explicou que uma equipe trabalha para substituir um bueiro metálico, que foi danificado após uma forte chuva. A previsão é que o tráfego para veículos seja normalizado ainda esta semana. Enquanto isso, recomenda que carros pequenos e caminhões de cargas, de até 10 toneladas, viajem entre as duas cidades por meio de uma estrada vicinal conhecida como Estrada do Calixto. Aos demais, o desvio deve ser feito por Guarani e Descoberto, até chegar a São João Nepomuceno.