Polêmica sobre usina de lixo continua
A comissão popular contrária à usina de lixo hospitalar e industrial em Simão Pereira entregou nesta segunda-feira (13), à promotora Vânia Menezes Costa Pinheiro, de Matias Barbosa, um abaixo-assinado com 1.600 assinaturas e uma representação denunciando a ausência das licenças prévia (LP) e de instalação (LI) do empreendimento. A usina vai contra o Plano Diretor do município, que prevê iniciativas sustentáveis e em acordo com o meio ambiente, além de incentivo às usinas de reciclagem e compostagem, coleta seletiva de lixo e apoio aos catadores, disse o vereador Gilson Chapinotti (PT). No mês passado, a Justiça já havia suspendido a licença de operação (LO) da empresa, após ação popular ajuizada pelo ex-vereador Nelton Soares. O movimento contrário ao empreendimento alega que a empresa não apresentou estudo de impacto de vizinhança, não realizou audiências públicas na época de sua instalação, nem teve aprovado o funcionamento da usina pelo Conselho Municipal.
Em audiência pública realizada na semana passada, em Juiz de Fora, o químico ambiental Jorge Macedo criticou a incineração de resíduos, devido a emissão de dioxinas e furanos, substâncias cancerígenas. O representante da empresa responsável pela usina, a Ecofire Tratamento de Resíduos Ltda, Jorge Bolivar Rezende, afirmou que esses componentes serão eliminados por completo após a incineração. O sistema é monitorado a cada 15 segundos, e os dados são enviados para a Feam (Fundação Estadual do Meio Ambiente). Se houver falhas, a Feam pode desligar o equipamento ou nosso sistema desliga sozinho em 15 minutos.
O professor da Universidade Federal de Viçosa (UFV) e pesquisador na área de incineração de resíduos perigosos, Márcio Arêdes Martins, considera a queima de lixo uma tendência mundial, e classifica como eficientes os mecanismos de fiscalização dos órgãos ambientais. O especialista tranquiliza a população sobre as substâncias emitidas. Para gerar dioxinas e furanos, basta cloro e material orgânico. Se uma pessoa qualquer queima o lixo comum, são gerados muito mais dioxinas e furanos do que uma usina de lixo hospitalar, onde o processo é controlado e a fumaça passa por uma série de tratamentos.
O representante da Ecofire criticou a campanha contra a instalação do empreendimento. Onde vamos jogar esse lixo contaminante se não deixarmos as empresas sérias tratarem disso? Sobre o estudo de impacto de vizinhança, o empresário disse que o documento é necessário apenas para as empresas instaladas na área urbana, e a usina está sediada na Zona Rural de Simão Pereira.








