Polícia desmantela quadrilha que movimentou R$ 30 milhões com cobre furtado
Segundo a Civil, mais de 1,4 mil furtos de cabos foram registrados na região entre 2024 e 2025
A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) deflagrou, nesta quarta-feira (12), mais uma fase da Operação Cyprium, uma das maiores ações já realizadas no estado contra o furto e a receptação de fios de cobre. A manobra resultou na prisão de 15 pessoas e apreensão de mais de uma tonelada de fios de cobre.
Segundo as investigações, o grupo criminoso alvo da operação é apontado como a maior organização voltada para esse tipo de crime na Zona da Mata mineira. A região tem passado por um aumento nos furtos de cabos nos dois últimos anos, quando registros de crimes desta natureza atingiram cerca de 1.400 ocorrências junto à Polícia Militar.
Também no período entre 2024 e 2025, as apurações apontam na movimentação de mais de R$ 30 milhões pela quadrilha, com o envio semanal de toneladas de fios de cobre furtados para outros estados. De acordo com o delegado Márcio Rocha Vianna, as ações para desarticular o esquema criminoso foram realizadas simultaneamente em oito cidades de três estados – Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia. Ao todo, foram cumpridos 38 mandados de busca e apreensão e 15 pessoas foram presas.
Como funcionava o esquema
O esquema contava com a participação de funcionários e ex-funcionários de empresas de telefonia, internet e energia, que colaboravam com os furtos e utilizavam uniformes, crachás e ordens de serviço falsificadas para dar aparência de legalidade às ações. Recrutados por grupos criminosos, esses profissionais simulavam realizar manutenções na rede, quando, na verdade, furtavam cabos e retiravam o cobre para revenda ilegal.
Segundo os investigadores, os furtos ocorriam principalmente na Zona da Mata, onde os cabos eram retirados, descascados e separados até restar apenas o cobre. Esse material, então, era enviado ao Rio de Janeiro ou à Bahia – neste último estado, era encaminhado uma empresa de fios responsável por recolocar o cobre roubado no mercado – uma espécie de circuito que se retroalimenta.
Entre os prejuízos causados à população pela atuação da organização criminosa estavam as interrupções no fornecimento de energia elétrica e na rede de internet. Além disso, o cobre, principal material usado pela quadrilha, não era furtado somente de redes de energia, conforme informou o delegado. Um dos alvos da quadrilha foi um cemitério – que teve placas e crucifixos levados. Enquanto os suspeitos ostentavam viagens e carros.
Investigação ocorre há meses
A Polícia explicou como a operação local acabou se desdobrando em uma articulação com forças de segurança de outras cidades e estados. Tudo teve início em Juiz de Fora, onde, diante do aumento expressivo desse tipo de crime, a Polícia iniciou uma investigação específica para combater os furtos de cabos.
Durante uma das fases, algumas prisões em flagrante foram realizadas antes da deflagração da operação principal. Em setembro, a Polícia Civil já havia identificado uma das ramificações do esquema atuando em Juiz de Fora. Na ocasião, um homem de 29 anos foi preso, apontado como um dos principais receptadores de fios na região. As investigações indicaram que o grupo chegou a movimentar cerca de R$ 3 milhões em apenas dois meses, por meio de um esquema de receptação, desmanche ilegal e lavagem de dinheiro. Com o avanço das apurações, o volume de recursos envolvidos mostrou-se ainda maior.
Em uma das ações deflagradas pela Polícia Civil, o delegado Pedro Henrique Vasques Fernandes, de Leopoldina, entrou em contato com a equipe de Juiz de Fora ao identificar que os alvos eram os mesmos. A partir desse ponto, as duas delegacias passaram a atuar de forma integrada, trocando informações e reunindo provas.
As autoridades destacam que a Operação Cyprium representa um passo importante no combate à cadeia criminosa do cobre, responsável por prejuízos significativos a empresas e à população, que sofre com interrupções em serviços essenciais. “A gente conseguiu desarticular totalmente essa quadrilha e dar um recado para a sociedade. Certamente era a maior quadrilha desse material na Zona da Mata, uma das maiores de Minas Gerais e, sem dúvida, uma das maiores do país também”, destacou o delegado Márcio Rocha Vianna.









