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Presa quadrilha especializada em desvio de remédios


Por Tribuna

12/06/2013 às 15h48

Três homens foram presos por suspeita de integrar uma quadrilha responsável por desviar medicamentos de uma distribuidora. Parte da carga foi encontrada na manhã de ontem, em Juiz de Fora, nas dependências de um sítio no km 123 da BR-267, em Igrejinha. O local serviria como transbordo do material desviado e uma das bases da organização criminosa. O valor do carregamento, encontrado em uma carreta, está avaliado em R$ 1,6 milhão. A prisão foi fruto de diligências da 6ª Delegacia Especializada em Roubo de Cargas, ligada ao Departamento de Operações Especiais da Polícia Civil, sediado em Belo Horizonte. As investigações apontam que os envolvidos no esquema simulavam o roubo de cargas, desviavam os remédios e os revendiam no mercado paralelo a preços abaixo dos praticados normalmente. O delegado à frente das investigações, Hugo Arruda, pretende descobrir agora se esses medicamentos, de laboratórios diversos, eram revendidos diretamente para farmácias da região. "Estamos lidando com uma quadrilha altamente especializada."
O esquema começou a ser desmontado na semana passada, quando um motorista de 60 anos registrou ocorrência de roubo de carga em um posto da Polícia Rodoviária Federal (PRF) em Muriaé. Ele alegou que seguia do Rio de Janeiro para Fortaleza, pela BR-116, quando teria sido abordado por criminosos em Caratinga, tendo a carreta e a carga roubadas. Ao receber a ocorrência, a Polícia Civil desconfiou da história e começou a investigar o condutor. Ele foi preso em Leopoldina na última terça-feira, enquanto supostamente negociava a receptação da carga com outros dois homens, 28 e 65 anos. As notas fiscais dos medicamentos, que teriam sido roubadas, foram encontradas com um dos homens.
Em depoimento, esses dois últimos suspeitos apontaram o sítio em Juiz de Fora como local onde parte da carga estava armazenada. Na residência, às margens da BR-267, os policiais encontraram seis carretas, cinco carros e um furgão. Em um dos caminhões estava um jammer, aparelho utilizado para bloquear rastreadores via satélite. A polícia acredita que o equipamento era usado para impedir que a empresa proprietária do caminhão pudesse identificar o paradeiro do veículo. Ainda no sítio, a Polícia Civil identificou materiais usados para adulteração de chassi e falsificação de placas. "O motorista informou aos comparsas o tipo de mercadoria que estava transportando e o seu alto valor, avaliada em R$ 1,6 milhão pelas notas fiscais. A partir daí, eles simularam um roubo e fizeram a falsa comunicação de crime na PRF. Com um dos comparsas do motorista, apreendemos as notas fiscais que teriam sido levadas pelos criminosos", detalhou o delegado.
Os homens de 28 e 65 anos, que seriam genro e sogro, confessaram o desvio da carga. Já o motorista negou participação no esquema. Os suspeitos presos podem ser indiciados por furto, apropriação indébita, falsa comunicação de crime, receptação e formação de quadrilha. Os medicamentos e a carreta apreendidas nesta quarta-feira serão restituídos para as vítimas.