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Insegurança muda rotina no entorno das escolas


Por Bárbara Riolino

12/06/2013 às 07h00

Assaltos ocorridos nas imediações de escolas particulares da cidade têm aumentado a sensação de insegurança de alunos, professores e pais e deixado em alerta as direções destas instituições. A alternativa adotada por alguns colégios tem sido a realização de projetos que envolvem ações preventivas, com o objetivo de orientar os estudantes sobre o comportamento e a atenção redobrada na entrada e na saída das aulas. Apesar do medo, não há estatística policial específica sobre o número de roubos no entorno das instituições de ensino. A situação da violência foi debatida na última reunião do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino da Região Sudeste de Minas Gerais (Sinepe/Sudeste), ocorrida no mês passado, quando foi encaminhado um ofício à 4ª Região da Polícia Militar (RPM), pedindo reforço no policiamento em áreas escolares do município.

O diretor-geral do Colégio Apogeu, Makerley Arimatéia, explica que, nos últimos dois meses, a frequência de relatos sobre atos criminosos aumentou no ambiente escolar, sobretudo quanto aos acontecimentos registrados nas imediações da Rua Santo Antônio, onde a instituição está situada. Mesmo sem quantitativos oficiais, posso afirmar que, pelo menos, três ocorrências acontecem semanalmente, e envolvem nossos alunos e seus pais. Eles comentam que são abordados de forma agressiva e incisiva, chegam a ameaçá-los com facas e canivetes. Felizmente, não temos registro de agressões.

Makerley ressalta que, desde então, tem desenvolvido ações em sala de aula para conscientizar os alunos. O foco dos criminosos são celulares, relógios e dinheiro. Por isso, falamos para que eles não andem sozinhos, deixem os celulares e outros aparelhos eletrônicos nas mochilas. Em caso de abordagem, orientamos a não reagir e entregar o objeto solicitado.

Um aluno da escola, que preferiu não ser identificado, conta ter sido assaltado na volta para casa na hora do almoço, no cruzamento da Rua Marechal Deodoro com a Avenida Olegário Maciel. Um homem me abordou e pediu meu celular. Disse que não tinha. Ele simulou estar armado com uma faca e apertou muito forte a minha mão, me pedindo dinheiro. Acabou levando os cerca de R$ 20 que tinha na carteira. Procuro sempre ter cuidado e ficar em alerta, mas achei que nunca iria acontecer comigo, comenta.

Outra estudante relata que, após passar pela mesma experiência na rua de sua casa e das frequentes orientações na escola, mudou suas atitudes. Tenho evitado andar sozinha à noite e não fico com o celular na mão. Eu e meu namorado fomos assaltados, e a pessoa levou nossos celulares, mochila, dinheiro e documentos. Embora tenha ficado sem reação na hora, senti muita raiva depois. Se as coisas não são dele, por que tem que pegar?, desabafa.

Mesmo sem relatos oficiais de assaltos, o trabalho realizado no Colégio Pio XII, localizado na Rua Espírito Santo, também está voltado para a prevenção. Disponibilizamos cartilhas que abordam a questão de como o aluno deve se portar perante um assalto, comenta o diretor-pedagógico da escola, Erickson Aragão. Ele acrescenta que tem notado o crescimento da sensação de insegurança no colégio, muitas vezes, motivado pelo aumento nos casos de violência. Alguns alunos até pedem para sair mais cedo para não perder o ônibus e chegar em casa mais cedo, principalmente se moram em bairros afastados e desertos.

A violência é uma realidade e está presente em todos os ambientes que frequentamos. Não tem como fugir, destaca a coordenadora de cultura do Colégio Cristo Redentor/Academia de Comércio, Maria Elizabeth Sacchetto. Ela acrescenta que, embora a escola possua um sistema próprio para manter a segurança dos alunos e do corpo docente, a Rua Halfeld e suas imediações oferecem riscos. O policiamento precisa ser mais ostensivo, pois a presença policial afasta os perigos e inibe a violência. Isso precisa acontecer não só na Academia, mas em todas as escolas. Atualmente temos a preocupação de não só orientar aos estudantes, mas seus pais também. Entendemos que tudo aquilo que acrescenta para a formação desta criança, a escola precisa abordar. A mãe de um aluno da Academia, que prefere não se identificar, confirma o medo do filho que hoje tem 14 anos. Ele foi assaltado depois de sair da escola no turno da manhã no ano passado. Dois garotos se aproximaram, um colocou a mão no ombro do meu filho, como se fosse um amigo e pediu o celular, enquanto o outro, que estava atrás, pegou o boné. Depois, pediram que ele saísse tranquilamente sem correr para não despertar atenção. O assalto aconteceu após o estudante ter parado na banca de revistas do Parque Halfeld para comprar figurinhas. Depois deste episódio, o adolescente passou a ter medo de andar sozinho.

A diretora administrativa do Sinepe/Sudeste, Anna Gilda Dianin, ressalta ser perceptível a falta de ações do Poder Público quando o assunto é a segurança escolar. Ela pontua que, além de reforço policial, o sindicato requer a realização de campanhas voltadas para a orientação da comunidade escolar.

PM diz que patrulhamento preventivo é feito

O que nos preocupa é que, nos últimos tempos, temos notado que a presença de policiais na Rua Santo Antônio, que víamos circulando constantemente, diminuiu, principalmente em horários da saída do turno da manhã e entrada do turno da tarde, entre 12h e 13h, e no começo da noite, das 18h às 19h, destaca o diretor-geral do Colégio Apogeu, Makerley Arimatéia. A mesma percepção tem o diretor pedagógico do Colégio Pio XII, Erickson Aragão. No horário de saída dos alunos, sempre conseguíamos visualizar policiais. Hoje não mais.

No entanto, o assessor de comunicação organizacional da 4° Região da Polícia Militar (RPM), major Paulo Alex Moreira, explica que o patrulhamento preventivo em áreas escolares já está implantado na cidade e acontece por meio da patrulha escolar, que realiza o policiamento específico nestas regiões. São equipes destinadas exclusivamente para atuar em horários de entrada e saída das escolas. Elas trabalham de forma preventiva e, em alguns casos, quando é necessária a presença policial, param em frente a entrada dos colégios. Inclusive contamos com efetivo em motocicletas, para facilitar o acesso e o acompanhamento em torno das instituições.

Paulo Alex acrescenta que os militares realizam diversas abordagens, inclusive prisões de pessoas em atitudes suspeitas, sobretudo quando há relação com o tráfico de drogas. É uma preocupação latente da PM para que os estudantes, crianças e adolescentes, não entrem no mundo das drogas. Sobre a melhor forma de prevenir assaltos, o major ressalta que é preciso avaliar a necessidade da ostentação de objetos que despertam a cobiça. Se a pessoa tiver de transportá-los, que os deixem guardados em mochilas. Quanto à solicitação do reforço policial, Paulo Alex adianta que o ofício já foi encaminhado às unidades das áreas que fazem o policiamento específico nestas regiões. A cada caso que surge, vamos dimensionar e ampliar o efetivo para atender o maior número possível de escolas, não só particulares, como públicas.

Para a coordenadora do Sindicato dos Professores de Juiz de Fora (Sinpro JF), Aparecida Oliveira Pinto, a violência é uma realidade e é preciso discuti-la não só no âmbito escolar. A violência que está na porta das escolas é a mesma que está em todos os lugares. No sindicato, dizemos que a escola não é uma ilha, ela está inserida em todos os contextos, o que não a impede de ser alvo de violência. Mas, por outro lado, é preciso uma avaliação das questões sociais, principalmente, a distribuição de renda, já que uma parcela da população hoje não tem acesso a estes objetos.

Segurança escolar ganha dia municipal

O projeto de lei que institui a criação do Dia Municipal da Segurança Escolar, em 25 de março, e a Semana Municipal da Segurança Escolar, que acontece na sequência, foi aprovado pela Câmara Municipal no final do mês passado. Desta forma, ambas as datas passam a integrar o calendário oficial do município a partir do próximo ano. Elaborada pelo vereador Wanderson Castelar (PT), a proposta é destinar o dia à reflexão, à avaliação dos acontecimentos e manter ativas as discussões em torno da violência nas escolas e a importância na prevenção.

Temos que partir do princípio de que a criança é o nosso futuro, e o lugar dela é a escola. Não faz sentido manter a violência, seja ela interna ou externa, quando a educação não é respeitada, ressalta o parlamentar. Castelar ainda espera que a data consiga efetivar a criação da Área de proteção e segurança escolar no entorno das unidades do município.

O projeto consiste na criação de um raio de 100 metros, partindo do portão de cada estabelecimento, para fomentar um controle rigoroso nas atividades comerciais desenvolvidas nestas áreas, com a proibição da venda de produtos ilícitos, prática de jogos de azar e jogos eletrônicos a dinheiro, evitando o aliciamento de menores, explica. A escolha da data, segundo o vereador, é referente ao dia em que um estudante de 16 anos morreu esfaqueado em frente à Escola Estadual Estevão de Oliveira, em 2011.