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Vacinação contra gripe termina amanhã com baixa adesão


Por Tribuna

12/05/2011 às 07h00

 

Apesar de a campanha de vacinação contra a gripe terminar amanhã, Juiz de Fora ainda não conseguiu atingir a meta do Ministério da Saúde de imunizar 80% da população convocada para a campanha contra o vírus da gripe H1N1. Conforme os números parciais divulgados pelo Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunização do Governo federal, a cidade tem o menor índice de vacinação na região, e um dos mais baixos do estado. Ao todo, 42,26% dos juiz-foranos que podem ser imunizados pelo SUS procuraram uma unidade de saúde desde o início dos trabalhos, em 25 de abril. Alguns mitos sobre os riscos da vacina são apontados pelas autoridades como as principais causas para os números estarem aquém do esperado. Entre os dados apresentados, a reduzida procura das gestantes se destaca. Das 6.678 doses previstas, apenas 1.589 (23,7%) haviam sido aplicadas. Em seguida, aparecem os idosos com 60 anos ou mais. De 65.911 esperados, somente 28.329 (42,98%) procuraram um posto de vacinação. Quase a metade das crianças entre 6 meses e 2 anos (49,2%) também foram imunizadas, além de 44,4% dos profissionais da saúde.

De acordo com a chefe do Departamento de Saúde da Terceira Idade, Stela Bittencourt, os brasileiros se preocuparam menos este ano. Ela acredita que, se a procura não aumentar nos últimos dois dias, as consequências podem ser graves. "Em 2009, milhares de pessoas morreram em virtude da H1N1, e, agora, a impressão é que está tudo sob controle, o que é um equívoco. As pessoas precisam procurar um posto de saúde. Não sabemos como o vírus vai se manifestar este ano, todos precisam estar preparados." Em relação aos mitos sobre a vacina, Stela afirma que ela não deixa as pessoas doentes. "Pode haver pequenas reações, que desaparecem após as primeiras 24 horas. Foram registrados casos em que a pessoa teve dores locais e discretos sintomas de mal-estar, mas não passa disso."

A enfermeira do Departamento de Vigilância Epidemiológica, responsável pelas imunizações, Maria Hélida Pires, acrescenta que os idosos, principalmente, preocupam-se com possíveis efeitos colaterais que possam colocar a saúde em risco. "A vacina é recente no país. Culturalmente, não há o hábito de buscar a proteção, mesmo com todas as campanhas realizadas."

Sobre a baixa procura das gestantes, Stela lembra que, em 2009, quando houve uma epidemia, houve óbitos de grávidas no município por terem contraído a gripe. "Tem sempre aquele pensamento que nada vai acontecer. O brasileiro precisa mudar a postura e se vacinar. Ainda dá tempo", alerta. Já Maria Hélida afirma que muitas grávidas ainda pensam que a vacina pode fazer mal ao bebê, e, na verdade, é o contrário, pois eles ficam automaticamente protegidos. No município, as doses estão disponíveis nas Unidades de atenção primária à saúde (Uaps), PAM-Marechal, Policlínica de Benfica e Departamento de Saúde da Criança e Adolescente (ver quadro).

Na Gerência Regional de Saúde, que engloba Juiz de Fora e outros 36 municípios, 48,3% das doses já foram aplicadas, com destaque para os municípios de Oliveira Fortes, onde 99% da população alvo estão imunizados, e Simão Pereira, com 92,4%. Em todo o país, 14,1 milhões de pessoas já procuraram os postos de saúde, o que representa 47,1% do esperado, que são aproximadamente 30 milhões de brasileiros.