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Moradias interditadas há 5 anos no Grajaú


Por EDUARDO VALENTE

12/04/2016 às 07h00- Atualizada 12/04/2016 às 08h17

Casa de dois pavimentos está tomada pela ação do tempo e do vandalismo. Armários, pias e torneiras foram furtados (FERNANDO PRIAMO/22-02-16)

Casa de dois pavimentos está tomada pela ação do tempo e do vandalismo. Armários, pias e torneiras foram furtados (FERNANDO PRIAMO/22-02-16)

Uma casa, um prédio em obras e um lote vago estão, desde janeiro de 2011, interditados pela Defesa Civil na Rua Rosa Sfeir, Bairro Grajaú, Zona Sudeste. Na época, um barranco, que divide a via da Rua Miguel Jacob, cedeu e colocou as propriedades em risco. Passados cinco anos, a situação ainda é preocupante, e os donos contabilizam prejuízos enquanto esperam por obras de contenção. Para resolver problemas como este, o município dispõe de dois contratos em vigor com a Caixa Econômica Federal. Um de R$ 16,4 milhões, de novembro/2011, com 79,83% já executados e que vence em dezembro deste ano, e outro de R$ 40 milhões, de dezembro/2012 com somente 6,6% concluídos, que tem vigência até outubro de 2017. Das intervenções já prontas, estão casos emblemáticos na cidade, como os dos bairros Santa Teresa e JK, Zona Sudeste, Ladeira, na Leste, e Santa Cruz, na Norte. Mesmo assim, cerca de 20 pontos considerados de risco ainda aguardam obras, sendo que o caso da Rosa Sfeir é um deles. As outras áreas não foram divulgadas.

A casa do Grajaú pertence à assistente administrativa Maria Auxiliadora Ferreira, 59 anos. A propriedade de dois pavimentos está tomada pela ação do tempo e do vandalismo. Materiais de acabamentos, como janelas, armários embutidos, pias e torneiras, foram furtados. Pisos foram tomados pelo barro, e parte da casa está inacessível por causa do avanço do barranco sobre a propriedade. Mato alto cobre todo o quintal, e focos que podem servir como criadouros do mosquito Aedes aegypti podem ser vistos em vários pontos. Conforme Auxiliadora, como a propriedade está interditada, não é possível entrar e fazer qualquer intervenção. “Em anos anteriores, o Demlurb veio capinar. Este ano nada, e me preocupo porque pode oferecer riscos a outros vizinhos”, disse. Ao lado, no lote vago, além da vegetação, é possível observar pneus velhos cobertos com água, além da vegetação exposta. Mesmo assim, o desejo de Auxiliadora e seu marido, o aposentado Antônio Dias, 60, é apenas um: voltar a morar ao local.

‘Meu sonho’

A vontade é a mesma de um dos proprietários do prédio em obras, o aposentado Francisco Rezende, 58. “Eu e mais dois irmãos projetamos um prédio de três andares, com dois apartamentos em cada. Meu sonho é terminar aquela obra, pois os aluguéis seriam meu complemento de renda, para uma aposentadoria mais confortável.” Perguntado se busca informações sobre as obras que ainda não aconteceram, ele é categórico: “Não, é tanto descaso conosco que entreguei nas mãos de Deus. Não quero me aborrecer e acabar doente. Já ouvi muitas promessas que não se concretizaram.”

Cerca de 20 áreas aguardam obras

De acordo com o secretário de Obras de Juiz de Fora, Amaury Couri, cerca de 20 pontos identificados como áreas de risco ainda devem receber intervenções. Para evitar especulações, ele preferiu não citar quais seriam estes locais, mas garantiu que a Rosa Sfeir é prioridade em novo lote ainda a ser licitado. Do contrato de R$ 40 milhões com a Caixa Econômica Federal, está em execução o 1º lote, de R$ 5 milhões, formado por correções de encostas nos bairros São Geraldo, região Sul, Granjas Bethânia, Nordeste, e Lourdes, na Sudeste. A previsão é terminar esta atividade até setembro.

Paralelamente, a Prefeitura já licitou o 2º lote, de R$ 7 milhões, que beneficiaria áreas de risco dos bairros Carlos Chagas e Jardim Natal, na Zona Norte, Linhares e Santa Rita, na Leste, e mais dois pontos do Bairro de Lourdes, Sudeste. Ainda este ano, existe a expectativa de iniciar o processo licitatório de um 3º lote, que contemplaria a Rua Rosa Sfeir. Ao todo, faltam cerca de 20 pontos a serem licitados, com recursos de aproximadamente R$ 28 milhões. Alguns projetos, no entanto, ainda carecem de aprovação junto à Caixa Econômica Federal.

Já o contrato de R$ 16,4 milhões foi utilizado, até o momento, para melhorias em pontos dos bairros Borboleta, na Cidade Alta; JK, Grajaú e Santa Tereza, na Zona Sudeste; Três Moinhos, e Vila Fortaleza, na Leste; e Santa Cruz, região Norte. Estão em andamento, com previsão de terminar este ano, atividades nos bairros Ladeira e Três Moinhos, Zona Leste, Parque Guarani, Zona Nordeste.