‘Batedores de carteira’: Família suspeita de furtos é presa em flagrante durante operação em Juiz de Fora
Família é suspeita de praticar furtos em pontos de ônibus de Juiz de Fora; grupo foi preso com R$ 18 mil em espécie
Cinco suspeitos por associação criminosa e prática de furtos na região central de Juiz de Fora foram presos em flagrante durante operação deflagrada pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) na quarta-feira (11). De acordo com delegados responsáveis pela investigação Bruno Wink e Samuel Neri, os suspeitos têm domicílio em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, e fazem parte da mesma família, formada por mãe, pai, os dois filhos do casal e a nora — por esse motivo, a operação foi nomeada como “Pickpockets Family”, em referência a grupos familiares envolvidos em furtos mediante destreza, conhecidos como “batedores de carteira”.
A prisão em flagrante ocorreu quando os suspeitos conduziam um veículo na BR-040, em trecho próximo à entrada de Barbacena. A operação de prisão também contou com o apoio da Polícia Rodoviária Federal (PMRv) e da Polícia Militar (PM), desde o suporte com bloqueios nas rodovias à interlocução com o setor de inteligência. Junto com a família, também foram apreendidos nove telefones celulares, R$ 18 mil em espécie, dez porta-cédulas, além de diversos comprovantes de depósitos e duas maquininhas de cartão, usadas para subtrair os valores dos cartões de crédito roubados.
Em coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira (12) na Delegacia Regional de Polícia Civil de Juiz de Fora, no Bairro Santa Terezinha, região Nordeste, os delegados Bruno Wink e Samuel Neri revelaram o modo de operação dos suspeitos. Segundo relatos, a família já havia realizado furtos em Juiz de Fora anteriormente e mudava frequentemente a localidade onde seriam praticados.
Em Juiz de Fora, a associação criminosa atuava constantemente em pontos de ônibus, principalmente os instalados na Avenida Getúlio Vargas, por considerarem uma área favorável para furtos devido à fragilidade e à distração das pessoas. As duas mulheres eram responsáveis pela aproximação e por “bater carteira”, mirando principalmente em idosos. “A Getúlio Vargas é tida como uma ‘área quente'”, explica o delegado Samuel Neri. “É um dos locais que têm o maior número de ocorrências de furtos, extravios e outros crimes na cidade. A maior parte desses crimes é de furtos a transeuntes.” De acordo com o delegado, a incidência maior desses crimes é no início do mês, mirando especialmente os idosos.
Diante do alto número de furtos registrados na última terça-feira (10), a Polícia Civil montou uma operação e, já na quarta-feira (11), passou a monitorar o local, momento em que foi feito o flagrante. “(Nós) passamos a monitorar os locais, conseguimos identificar as autoras no momento em que elas furtaram uma pessoa idosa. Elas são muito rápidas, têm grande destreza. Subtraíram uma carteira da vítima em um ponto de ônibus da Avenida Getúlio Vargas, se aproveitando dessa circunstância. Foi tão rápido que até os próprios policiais tiveram dificuldade de constatar o momento do furto.”
De acordo com o delegado Neri, após a prisão em flagrante da dupla, a equipe constatou que elas não agiam sozinhas, isso porque, nesse tipo de prática criminosa, é normal que exista uma equipe que faça a receptação do fruto dos furtos para evitar o flagrante. A partir dessa constatação, foi feito um trabalho de inteligência e identificados familiares com práticas criminais anteriores. A partir de uma investigação, foi localizado o carro utilizado por esses parceiros. “Identificamos que estavam em um carro, rodando nas cidades. Furtam as vítimas, mas precisam se livrar do flagrante rapidamente. Então passamos a fazer crer que o restante da família estava nesse carro, pegando a rodovia em fuga para Uberlândia”, explica o delegado Neri.
Em contato com a Polícia Rodoviária Federal, os investigadores passaram a rastrear o veículo e formaram cercos para surpreender a quadrilha em fuga. A PRF contou com o apoio da Polícia Militar de Barbacena para montar um bloqueio, momento em que os autores foram presos.
Semana de pagamentos e saque-calamidade foram estímulos aos furtos
Segundo os delegados da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), a liberação do saque-calamidade após a tragédia ocorrida em Juiz de Fora foi um estímulo à atuação. A corporação, então, mapeou as situações, chegando a um horário de maior movimentação dos suspeitos e intensificando as investigações, somando mais de 20 horas de operação.
A corporação recomenda que os moradores do município e usuários do transporte público redobrem a atenção, tanto no ambiente físico como no virtual, desconfiando de mensagens e ligações e tendo cautela na hora de embarcar em ônibus. “A maior ferramenta para se proteger nesses casos é a atenção e a desconfiança”, explica Neri.
Os delegados reforçam que aqueles que reconhecerem objetos próprios, como bolsas e carteiras, nas imagens, devem se dirigir à Delegacia Regional de Polícia Civil para realizar a identificação.
















