Abuso em passarelas prejudica pedestres

Veja mais da Tribuna no Google
Adicione a Tribuna de Minas como fonte preferencial para ver mais do nosso conteúdo na Pesquisa Google.
Adicionar Tribuna de Minas
Ciclistas fazem uso frequente de passarela que liga os bairros Francisco Bernardino e Industrial

Motociclista divide espaço com pedestres em passarela próximo à entrada da Cidade do Sol

Na passarela recém-construída no Mariano, dispositivo impede entrada de motos e bicicletas
As 14 passarelas existentes ao longo da linha férrea com o intuito de levar segurança aos pedestres nas travessias vêm sendo usadas de maneira irregular por ciclistas e motociclistas. Após receber reclamações de usuários, a Tribuna esteve em alguns pontos e flagrou a prática indevida, que acaba levando risco para aqueles que seguem a pé. Geralmente a passagem é usada como rota alternativa, por condutores que querem encurtar o caminho ou fugir do fluxo de veículos em horários de pico, conforme relatado pela população.
Um dos flagrantes foi feito na passarela próximo à entrada do Bairro Cidade do Sol, na Zona Norte, onde um motociclista que transportava um baú dividiu o trajeto com os pedestres. A ação aconteceu depois do meio-dia, horário em que geralmente crianças saem da escola e utilizam a estrutura.
Ainda na Zona Norte, mas na altura do Bairro Francisco Bernardino, moradores e trabalhadores do entorno afirmam que a situação de desrespeito é comum na passarela que faz ligação com o Bairro Industrial. Na entrada da estrutura, existe uma placa que indica a proibição da passagem de motociclistas, mas o aviso é ignorado. De acordo com um empregado que trabalha no entorno, 55 anos, os abusos são cometidos tanto por motoboys quanto por pessoas que estão a passeio a qualquer horário do dia ou da noite. “Eles já estão acostumados a fazer isto, muitos querem cortar caminho entre os bairros. As pessoas ficam com medo e saem da frente, já que eles passam em alta velocidade e não respeitam ninguém. Em média, já pude constatar de 30 a 40 motociclistas por dia.”
O artigo 193 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) prevê infração gravíssima, com sete pontos na carteira e multa de R$ 574,62 para quem transitar com o veículo em calçadas, passeios, passarelas, ciclovias, ciclofaixas, ilhas, refúgios, ajardinamentos, canteiros centrais e divisores de pista de rolamento, acostamentos, marcas de canalização, gramados e jardins públicos. No entanto, a medida só pode ser aplicada em veículos emplacados e mediante o flagrante realizado pelo agente de trânsito ou policial presente no local, conforme informado pela assessoria da Settra. Nas situações em que o ciclista e o motociclista estiverem apenas empurrando o veículo, o comportamento é considerado correto.
Segundo a assessoria da pasta, são realizadas fiscalizações em toda a cidade por meio de equipes fixas e móveis a fim de autuar os infratores.
Usuários defendem instalação de barreiras
Na passarela que liga os bairros Francisco Bernardino e Industrial, na Zona Norte, vários ciclistas foram vistos transitando nas bicicletas. Uma professora de 47 anos, que prefere ter a identidade preservada, utiliza a passagem todos os dias para ter acesso a sua residência no Bairro Industrial. Ela conta que foi assaltada no local por um ciclista, por volta das 19h, quando voltava do trabalho. “Depois disso, passei a fazer a travessia com um estilete na mão. Outra situação que incomoda é a presença de motos na passarela. Quando percebo que vem uma moto, já encosto e deixo a passagem livre. Sei que a preferência é minha, mas me sinto impotente, porque não posso simplesmente chegar para o motociclista e falar que ele não pode fazer isto. Acho que deveria ter uma barreira, para que eles não conseguissem entrar.”
Sobre estas barreiras, a MRS afirma que é um mecanismo usado para o direcionamento de fluxo de pessoas que visa a garantir um ambiente mais seguro para a travessia de pedestres. Segundo a assessoria da concessionária, as novas estruturas, como a instalada no Mariano Procópio, já contam com estes dispositivos que seguem as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), assegurando, assim, a distância para que cadeirantes possam se locomover de maneira segura. A medida faz parte do projeto de revitalização das passarelas. Sobre a instalação do dispositivo em outras travessias, a assessoria da empresa revelou que não descarta esta possibilidade, mas não pode determinar em que locais ou quando o fará.
De acordo com a MRS, todas as demandas enviadas pela comunidade são analisadas e, havendo a possibilidade e recursos financeiros disponíveis, o equipamento poderá ser instalado. A comunidade que verificar o uso indevido da passarela pode ligar para o telefone 0800-979-3636 e relatar a situação. Uma equipe irá ao local para apurar o fato.









