Morte de adolescente de 14 anos mobiliza polícias

Ação foi concentrada no Bairro Jóquei Clube
Após um final de semana violento na Zona Norte, com o homicídio de um garoto de 14 anos e duas tentativas de assassinatos contra dois jovens, as polícias Civil e Militar realizaram uma operação conjunta na manhã de ontem. A ação foi concentrada no Jóquei Clube, bairro no qual Luan Felipe Antero foi morto a tiros na noite de sábado. Ainda durante o sepultamento da vítima, ocorrido às 9h de ontem, no Cemitério Municipal, houve pedido de policiamento no local, já que o clima teria ficado tenso diante da suspeita de que pessoas estariam armadas para vingar a morte do adolescente. De acordo com o comandante da 173ª Companhia da PM (Zona Norte), capitão Rubens Valério, os militares também reforçaram o patrulhamento no entorno e nas portas das escolas.
"Abordamos as pessoas que saíram do enterro e também suspeitos na Zona Norte, mas não localizamos armas. Ainda estamos fazendo levantamentos para saber a motivação do crime", disse o comandante. As abordagens também foram feitas pela equipe da Polícia Civil, sob o comando dos delegados da 3ª Distrital Sheila de Melo Oliveira e Francisco Corrêa Rezende.
A morte violenta de Luan chamou a atenção pela pouca idade da vítima, alvejada com quatro projéteis quando transitava pela Rua José Basílio da Costa, próximo a uma escola estadual do Jóquei . Apesar de um suspeito, 17, ter sido apreendido, houve temor de que amigos da vítima pudessem revidar o crime desencadeando ações contra jovens ligados ao suposto atirador. Apesar disso, a PM não confirma que o homicídio tenha ligação com gangues ou rixa entre moradores de bairros rivais.
"Não descartamos qualquer motivação. Mas toda ocorrência envolvendo grupos de jovens nos chama a atenção, porque uma briga hoje poder vir a ser um homicídio amanhã", disse o assessor de comunicação organizacional do 27º Batalhão, capitão Paulo Alex Moreira. Luan estava junto com a namorada e uma amiga, por volta das 22h20, quando foi surpreendido por um rapaz armado, que efetuou diversos disparos em sua direção. Ele ainda teria tentado correr após ser alvejado pelo primeiro tiro. O Resgate e o Samu foram acionados, mas quando as equipes chegaram ao local o adolescente já estava morto, com duas perfurações no tórax e duas nos braços.
A perícia realizou os levantamentos, e o corpo foi levado para necropsia no Instituto Médico Legal (IML). Militares coletaram informações e foram até a casa de um suspeito, 17, que minutos antes do homicídio teria intimidado a vítima, conforme o relato de testemunhas à polícia. Ele foi flagrado com uma porção de maconha, sendo levado para prestar declarações na 1ª Delegacia Regional de Polícia Civil. Acompanhado de um advogado, o adolescente negou o crime, mas foi autuado em flagrante por ato infracional análogo a homicídio qualificado por uso de recurso que dificultou ou tornou impossível a defesa da vítima. O jovem foi apresentado à Promotoria da Vara da Infância e Juventude e, até o fechamento desta edição, ele não tinha chegado ao Centro Socioeducativo.
Tentativa de homicídio na Cidade do Sol
Uma das duas pessoas baleadas no domingo também foi um adolescente, 15 anos. Segundo a PM, ele foi alvejado por um tiro no ombro, por volta das 15h, na Rua José Teixeira da Silva, no Bairro Cidade do Sol, Zona Norte. O suspeito de efetuar o disparo é um garoto, 14, que estaria acompanhado de outros dois meninos da mesma idade e da mãe de um deles, 28. A vítima estava junto com outros três adolescentes em um ponto de ônibus, quando houve uma briga. Eles correram, mas foram novamente abordados pelo grupo. Um dos integrantes teria sacado uma arma e disparado contra a vítima, que foi socorrida e levada para o Hospital de Pronto Socorro (HPS). Segunda a assessoria da Secretaria de Saúde, o garoto foi medicado e liberado no mesmo dia.
Durante rastreamento, a PM apreendeu os três suspeitos de participarem da ação e a mulher envolvida. Ela alegou que estava acompanhando o filho e que tentava apartar a briga quando houve o tiro. Todos foram levados para prestar declarações na 1ª Delegacia Regional de Polícia Civil. O suspeito de atirar confessou que sacou uma arma para intimidar o grupo rival e alegou que o disparo foi acidental. Ele foi autuado por ato infracional análogo a tentativa de homicídio. Os adolescentes foram entregues aos responsáveis, e o caso encaminhado para a Vara da Infância e Juventude. A arma utilizada na ação não foi encontrada.
Tiros no Parque das Torres
O outro caso aconteceu, por volta de meio-dia, no Bairro Parque das Torres, também na Zona Norte. Um jovem, 19, foi encontrado caído no chão da Rua C com ferimento à bala no tórax. Testemunhas relataram aos policiais que estavam conversando com o rapaz quando dois homens passaram em uma moto, com placa do Rio de Janeiro. O carona sacou um revólver e efetuou vários disparos. A vítima foi medicada no HPS, ficou em observação e teve alta ainda no domingo. Apesar das buscas, nenhum suspeito foi encontrado.
Segundo o comandante da 173ª Companhia da PM, capitão Rubens Valério, não há relação entre o assassinato e as duas tentativas de homicídio registrados na Zona Norte no final de semana. Os casos seguiram para investigação na Polícia Civil.
Na Zona Sul
Também na tarde de domingo, a PM registrou outra tentativa de homicídio na Rua Salvador de Moura Fontes, no Ipiranga, Zona Sul. Um homem, 31, relatou aos policiais que repreendeu um adolescente que estaria comercializando entorpecentes no corredor de acesso a sua residência, pedindo que ele deixasse o local, quando o mesmo teria sacado um revólver e efetuado três disparos em sua direção. Os tiros não acertaram ninguém. O suspeito não foi encontrado, mas a PM apreendeu um cigarro de maconha e R$ 760 em poder de um suposto comparsa, 20. Ele foi levado para a delegacia e liberado.
27º Batalhão apreende 105 armas de fogo
Apesar de as polícias estarem empenhadas na apreensão de armamentos que circulam ilegalmente nas mãos de infratores e criminosos, o assassinato de um garoto de 14 anos e as duas tentativas de homicídio contra jovens ocorridas, no final de semana, na Zona Norte, foram praticados com armas de fogo. O assessor de comunicação organizacional do 27º Batalhão, capitão Paulo Alex Moreira, destacou que só neste ano já houve a apreensão de 105 armas nas regiões cobertas pela corporação, que engloba as zonas Norte, Sul e Cidade Alta. O número é 16% maior do que o apreendido no mesmo período de 2010. Segundo o capitão, a maioria do material tem numeração raspada, ou seja, estava circulando de maneira ilegal.
O capitão garantiu que a PM está atuando para combater a violência, principalmente os casos envolvendo adolescentes e jovens, e anunciou que será lançada nos próximos dias uma patrulha voltada para prevenção de homicídios. "Estamos com o foco nas apreensões de armas de fogo, aumentamos os projetos educativos, fazemos constantes levantamentos nas zonas quentes de criminalidade, damos ênfase ao policiamento comunitário. Mas a deficiência muitas vezes ocorre dentro das residências. Por isso, o envolvimento dos pais e responsáveis é fundamental, e estamos tentando sensibilizar a comunidade nesse aspecto", disse o assessor, ressaltando a dificuldade em se combater a violência apenas com as forças policiais. "O que vem acontecendo é um problema de saúde social, com o adolescente cada vez mais entrando no mundo criminal."








