Moradores cobram creche
O terreno doado à Prefeitura em 2007, pelo ex-deputado estadual e ex-líder sindical Clodesmidt Riani, no Bairro Filgueiras, região Nordeste da cidade, permanece vazio. No local, deveria ser construída uma creche para atender os moradores carentes da região. A área plana tem 2.076 metros quadrados e fica na Rua Orlando Riani, a cerca de 200 metros da principal via de acesso ao bairro.
O documento oficializando a doação, registrado em cartório, foi assinado pelo então prefeito Carlos Alberto Bejani e mencionava que, na área, deveria ter, além da creche, um espaço para lazer e o prédio da Sociedade Pró-Melhoramento (SPM) do bairro. Até hoje, nada foi feito. O terreno só não está abandonado porque pago alguém para fazer uma limpeza periódica na área, disse Riani.
O ex-líder sindical lamenta que, enquanto a creche não é construída, muitas mulheres não podem trabalhar por não terem onde deixar os filhos. É o caso de Luciana Elisabeth da Silva, 21 anos, mãe de um menino de 1 ano e 10 meses. A creche mais próxima fica no Grama, mas está lotada. Ela se refere a uma das duas instituições filantrópicas que recebem auxílio da Prefeitura para prestar atendimentos na região. A outra fica no Granjas Betânia.
Problema semelhante é compartilhado por Suellen Resende Oliveira, 20. Tive que largar o serviço para cuidar da minha filha, que já está com 3 anos. É muito difícil porque não tenho ninguém para ficar com ela. Ela aponta como solução a construção de uma creche no próprio bairro por se tratar de uma área distante e que necessita de mais atenção.
As duas mães vivem em uma antiga área de ocupação do Filgueiras, conhecida como Favelinha. No local, estão mais de cem famílias, na mesma situação, que tentam uma creche para a comunidade há cerca de quatro anos.
Por meio da assessoria, a secretária de Educação de Juiz de Fora, Eleuza Barboza, disse que será realizada uma análise do terreno para verificar se não há algum impedimento para erguer a creche. Caso não haja, ela pode ser inserida em projetos de captação de recursos futuros, junto ao Governo federal, para que a instituição seja construída. Não foi divulgado prazo para que isso seja feito.
Referência
Além das duas creches filantrópicas, conforme o cadastro municipal, a Zona Nordeste tem apenas uma instituição pública, no Bairro Bandeirantes, com capacidade para atender 89 crianças. Na região, de acordo com o IBGE, existem cerca de 1.500 meninos e meninas, entre 0 e 4 anos. Embora não haja comprovação de que todas as famílias dependam do serviço, há bairros da área que estão entre os mais carentes da cidade.
No último mês, a Tribuna mostrou a demanda reprimida existente no município e divulgou que seis novas instituições serão construídas, sendo três ainda este ano. No entanto, não há previsão para novas creches na região Nordeste porque, de acordo com a Secretaria de Educação, o cadastro realizado com as famílias de Juiz de Fora aponta uma demanda reprimida maior em outras regiões, e estas necessitam de intervenções imediatas.








