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Delegacia de Mulheres vai investigar suposto estupro de criança dentro de escola

Crime teria ocorrido dentro da biblioteca, enquanto alunos assistiam filme

Por Marcos Araújo

11/06/2019 às 19h58

Segundo a delegada Carolina Gonçalves Magalhães, vítima prestou depoimento e relatou ter sofrido grave ameaça (Foto: Marcelo Ribeiro/ Arquivo TM)

A Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher de Juiz de Fora instaurou procedimento, nesta terça-feira (11), para apuração de um suposto caso de estupro de vulnerável, ocorrido dentro da biblioteca de uma escola pública na Zona Leste de Juiz de Fora. Os pais de uma menina, de 11 anos, denunciaram que ela foi ameaçada e obrigada a fazer sexo oral em um adolescente, 12, no último dia 3, enquanto participava de uma aula, na qual era exibido um filme. Os nomes da vítimas e de seus familiares, assim como da escola onde o fato foi registrado, não serão divulgados com o objetivo de proteger as partes envolvidas.

De acordo com a titular da unidade policial, Carolina Gonçalves Magalhães, a vítima, que é estudante da 6ª série do ensino fundamental, prestou depoimento e relatou que teria sido obrigada por meio de grave ameaça a praticar sexo oral, porque o suspeito teria dito que iria matar sua família. O adolescente suspeito da infração análoga ao crime de estupro deverá ser ouvido na próxima semana, assim como a professora dos dois envolvidos, uma adolescente que teria testemunhado o abuso e um representante da direção da escola. “Como é um caso de ato infracional, depois das investigações, o procedimento será encaminhado à Vara da Infância e Juventude, e uma das possibilidades é a aplicação da medida socioeducativa de internação contra o suposto infrator”, destacou Carolina, acrescentando que também foi realizado o pedido de requerimento de medida protetiva para a vítima, com o objetivo de protegê-la, assim como de seus familiares, por meio do afastamento do suspeito.

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A mãe da menina contou à Tribuna que a violência contra a filha aconteceu na segunda-feira, dia 3, e dois dias depois começou a perceber que a estudante estava diferente e recusou-se a ir à escola. “Ela aparentava estar cheia de medo e disse que estava passando mal. Eu fiquei preocupada, pois, há duas semanas, ela já vinha apresentando uma febre sem explicação. Quando eu disse que teríamos que voltar ao médico, minha filha mais velha disse para ela: “conto eu e conta você?” Assim, ela começou a relatar que já vinha sofrendo ameaças desse adolescente, que vinha pedindo dinheiro para ela e outras crianças. Também afirmou que estava assistindo a um filme, na biblioteca, e o adolescente sentou-se perto dela e, na sala escura, mandou ela ficar quieta e não chamar por ninguém”, relatou a mãe estarrecida. Ainda segunda a mulher, a menina disse que teve vontade de vomitar e tentou escapar, mas o suspeito teria agarrado a perna dela e disse que mataria seus pais, caso ela alertasse alguém sobre os fatos. A menina alegou para a mãe que a professora estava na sala, mas não teria notado o que estava acontecendo.

Conforme a mulher, a menina não voltou mais para escola e está na casa da avó, já realizando um tratamento psicológico. “Ela está mudada e não quer contato com os familiares. Sempre foi brincalhona e espoleta, mas está muito quieta e, à noite, fica pior, tem um sono perturbado, pois está com medo de o adolescente fazer alguma coisa contra ela e contra nós”, disse a mulher. A mãe da estudante também destacou que este é o primeiro ano em que sua filha estuda na mesma sala do suspeito e que ele vem fazendo ameaças à menina deste o início do ano, sempre cobrando dinheiro com o propósito, segundo ela, de adquirir droga. O pai da garota diz estar indignado com a situação, uma vez que considera que sua filha e família não estão recebendo o suporte necessário por parte da escola e da Secretaria de Educação. “A secretaria e a direção escolar têm sido negligentes, tanto que não conseguimos falar com o diretor, sempre quem está lá é o vice. Minha revolta é saber que a secretaria só deu para minha filha um encaminhamento para o psicólogo e mais nada”, desabafou.

OAB vai acompanhar caso

A presidente da OAB Mulher de Juiz de Fora, Cátia Moreira, afirmou que já tomou ciência do caso e que o órgão irá acompanhar a situação. “Os culpados precisam ser responsabilizados, pois entendemos esse fato como grave, pois a vítima foi abusada dentro da biblioteca onde estava a professora e os demais colegas”, afirmou Cátia, pontuando que irá ainda acionar a Comissão de Direitos Humanos da OAB. “Entendemos que essa menina de apenas 11 anos ficou muito abalada e não teve coragem de contar para os pais, o que foi feito com intervenção da irmã mais velha.” A Secretaria de Educação informou que assim que tomou conhecimento do ocorrido, todas as medidas cabíveis foram imediatamente adotadas pelo Departamento de Inclusão e Atenção ao Educando, que segue acompanhando a situação junto aos estudantes, seus familiares e aos profissionais da escola.

Tópicos: polícia

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