Polícia Civil desmantela quadrilha de golpistas

Documentos adulterados encontrados com suspeito
Uma quadrilha de estelionatários, que já teria utilizado o nome e os dados pessoais de pelo menos 40 vítimas para fazer abertura de contas, empréstimos e cartões bancários e de lojas, foi desbaratada pela Polícia Civil. O grupo utilizava até folha de pagamento em nome da Prefeitura de Juiz de Fora, da Petrobras e da TAM como comprovante de renda, na hora de aplicar o golpe. Na manhã desta quarta-feira (11), policiais da 1ª Delegacia conseguiram localizar e prender um integrante do bando, que agia em toda a cidade, principalmente nas regiões Central e Sul. O grupo pode ser formado por mais de dez pessoas, e cinco delas já haviam sido conduzidas para prestar declarações na semana passada, devendo responder por estelionato, falsidade ideológica e uso de documento falso. O homem de 35 anos foi capturado mediante mandado de prisão em aberto, expedido pela Justiça, em Belo Horizonte. Na casa dele, no Bairro Industrial, Zona Norte, os investigadores encontraram quatro cartões de crédito e débito, dois cheques e um contracheque em nome de terceiros, duas carteiras de identidade montadas com as fotos do suspeito, além de várias anotações com informações detalhadas sobre possíveis futuras vítimas.
Essa foi a segunda parte da operação, que teve início no último dia 3, sob o comando dos delegados José Márcio Carneiro e Eurico Cunha Neto. Na ocasião, três homens, de 23, 38 e 45 anos, e duas mulheres, de 35 e 40, foram flagrados com 15 cartões de crédito de diversos bancos e lojas em vários nomes, sete carteiras de identidade dos estados de Minas e Bahia, sete contracheques de várias empresas e órgãos, inclusive públicos, quatro CPFs, quatro cópias de RGs, um título de eleitor, uma carteira de trabalho, extratos de fatura de cartões de crédito, cheque em branco e certidão de nascimento. Também foram encontrados, em poder do bando, três carimbos, que seriam utilizados para "esquentar" os contracheques.
As investigações começaram após uma dentista, moradora da Zona Sul, registrar a ocorrência, no dia 23 de março, relatando estar sendo vítima de golpe. Ela desconfiou após receber ligação de uma rede de supermercados para confirmar o cadastro que não havia solicitado. Ao averiguar, a profissional descobriu que uma mulher estaria se passando por ela, para obter vantagens financeiras, e, consequentemente, "queimando" seu nome na praça. No supermercado, por exemplo, a golpista teria adquirido produtos no valor de R$ 865. Após levantamentos, os policiais seguiram para uma loja de materiais de construção no Bom Clima, Zona Nordeste, onde uma compra de cerca R$ 2 mil havia sido efetuada no nome da dentista.
A equipe conseguiu localizar um casal, que relatou ter adquirido, pela metade do valor, os objetos comprados pela mulher com os dados da vítima. A suspeita foi detida em um encontro marcado com os supostos receptadores. Ela portava cartões de crédito em nome de terceiros e identidades montadas, além de outros documentos provavelmente adulterados. O companheiro dela e um comparsa do casal também foram conduzidos pelos policiais. O grupo foi ouvido e está respondendo ao inquérito em liberdade, mas a polícia não descarta a possibilidade de pedir a prisão deles caso haja necessidade. De acordo com o delegado José Márcio, durante o depoimento, os suspeitos teriam alegado que todos os dados, inclusive contracheques, em nome da Prefeitura de Juiz de Fora, da Petrobras e da TAM, utilizados nas fraudes foram conseguidos com alguém que estaria comercializando estas informações no Calçadão da Halfeld. "Esta é uma denúncia grave que vamos verificar e, caso seja confirmada, será encaminhada à 7ª Delegacia, que apura crimes cometidos na região central", afirmou o delegado. O homem preso foi encaminhado ao Ceresp devido ao mandado de prisão. Conforme a Polícia Civil, as investigações continuam a fim de serem localizados outros integrantes da quadrilha. As pessoas que tiverem sido lesadas em golpes semelhantes devem procurar a 1ª Delegacia, no Bairro São Mateus, Zona Sul. "É preciso ter consciência que produtos vendidos com preços inferiores ao praticado no mercado é sinal de crime. É bom lembrar que quem comprar este tipo de mercadoria pode responder por receptação", alertou o delegado José Márcio.








