Ouça agora

Condenado a 12 anos por matar namorada


Por Marcos Araújo

11/04/2011 às 20h34

Familiares e amigos protestaram no Fórum

Familiares e amigos protestaram no Fórum

Depois de um ano à espera de Justiça, ontem, familiares e amigos da estudante de enfermagem Juliana Nasser Couto, 21 anos, assassinada pelo namorado em março de 2010, acompanharam o julgamento no Fórum Benjamin Colucci. O júri durou cerca de cinco horas, e o autor do crime Fernando Calixto do Nascimento, 20, foi condenado a 12 anos de reclusão em regime fechado. Ele aguardava o julgamento preso, depois de ter sido indiciado por homicídio qualificado por motivo fútil e utilização de meio cruel. Cerca de 160 pessoas, entre amigos e familiares da estudante, compareceram ao fórum. Vestidas com camisas brancas, nas quais estavam estampadas os dizeres "Eternamente, Juliana", na parte da frente, e o pedido de "Justiça", nas costas, elas acompanharam os depoimentos. Um dos momentos mais marcantes foi quando a mãe da jovem, Sônia Maria da Silva Couto, 42, foi chamada para depor. Ela se apresentou na frente do juiz aos prantos e, tão logo avistou o réu, esbravejou em sua direção: "Por que você fez isso com a minha filha?" Em seu depoimento, a mulher disse que soube, por amigas de Juliana, que ela era agredida pelo namorado e que, em certa ocasião, ele a teria prendido em um quarto e passou a bater nela até que ela pedisse pelo amor de Deus a fim de que parasse de agredi-la. "O mínimo que pedimos é Justiça, pois nada irá trazer a vida de nossa Juliana de volta", desabafou Sônia.

Trajando o uniforme vermelho, usado por detentos das unidades prisionais, Fernando foi ouvido pelo juiz Cristiano Alvarez Valladares do Lago, presidente do Tribunal do Júri em substituição. O rapaz contou que, na noite do crime, Juliana teria brigado com ele por causa de telefonemas de outras mulheres que ela acreditava que ele recebia. "Ela não aceitou as explicações que dei e insistiu na discussão, até que entramos em luta corporal", disse o réu, acrescentando que Juliana teria pego uma faca de serra e cortado sua mão. Com o objetivo de desarmá-la, Fernando teria segurado o punho da vítima com uma das mãos e, com a outra, o pescoço. Quando percebeu que ela estava desmaiada, teria tentando sentir o pulso da namorada, mas não conseguiu. Porém, alegou ter percebido que a jovem ainda respirava, quando fugiu para a casa de sua mãe. O crime aconteceu no dia 25 de março de 2010, ocasião em que Juliana foi encontrada morta na varanda da residência de Fernando, no Bairro Linhares, Zona Leste. Os laudos da Polícia Civil revelaram que a estudante morreu por asfixia. O rapaz foi preso sete meses depois, após ter sido expedida sua prisão preventiva.

Ontem, após saber do resultado da sentença, a família lamentou que Fernando tenha pego a pena mínima. "Acho pouco, porque várias regalias vêm depois para o réu. Pelo que entendemos, a Justiça que esperávamos não aconteceu", disse Nathália Cristina Couto, 24, irmã de Juliana.