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Mato, lixo e falta de calçadas no Granbery


Por RENATA DELAGE

11/03/2012 às 06h00

A falta de limpeza e conservação de terrenos na parte alta do Bairro Granbery, região central, tem resultado em queixas frequentes da vizinhança. O mato alto e o acúmulo de lixo e entulho favorecem a aparição de animais peçonhentos, como os escorpiões. O problema ocorre em ruas como a Professora Carolina Coelho, Julieta Andrada e Professor José Romão Guedes. Outra reclamação é a falta de calçadas, bem como o asfalto irregular e a sinalização deficitária na região da Conexão Sul, acesso que liga os bairros Poço Rico, Granbery e Bom Pastor. Cada vez mais utilizada pelos condutores como rota alternativa, a má conservação da área é apontada como fator que dificulta o trânsito de veículos e pedestres que utilizam o acesso.

Moradores e representantes da Associação de Moradores do Granbery queixam-se da falta de ação dos órgãos públicos e dos proprietários de terrenos baldios em relação à limpeza e à conservação dos espaços. Dezenas de escorpiões conhecidos como amarelos foram capturados e armazenados em potes de vidros nos arredores do Instituto Médico Legal (IML) nos últimos meses. O mato alto toma conta do terreno ao lado do instituto, desapropriado pela Prefeitura para a ampliação do Cemitério Municipal.

De acordo com o vice-presidente da Associação de Moradores do Granbery, César Augusto Souza, os escorpiões são encontrados em diversas vias, e não somente nas proximidades dos terrenos abandonados. Os animais buscam abrigo até no interior das residências. "Os síndicos e moradores recorrem à associação, relatando a presença de cobras, aranhas e escorpiões", explica o vice-presidente.

Segundo a assessoria do Demlurb, as áreas com mato alto são propriedades privadas, não cabendo ao departamento fazer a capina. A execução e conservação das calçadas também são de responsabilidade dos proprietários. Neste sentido, cabe à Secretaria de Atividade Urbanas (SAU) fiscalizar e cobrar dos donos a manutenção dos lotes. A assessoria da SAU informou que a capina e limpeza do terreno desapropriado para a expansão do Cemitério Municipal estão agendadas. A pasta também garante que, quando recebida a denúncia de um terreno abandonado (pelo telefone 3690-7507), o responsável é identificado e notificado, podendo ser multado caso não realize as melhorias solicitadas no prazo determinado.

A Secretaria de Obras disse que a Conexão Sul é uma obra recente, realizada há cerca de quatro anos, e que não há previsão para intervenções no local. Já a Settra esclareceu que, em maio do último ano, foi feita a revitalização da sinalização nas ruas do Granbery, e que o serviço será refeito este ano, já que é realizado cerca de uma vez ao ano.

 

 

Situação se agrava com calor e umidade

Para o veterinário José Geraldo Castro Júnior, responsável pelo Setor de Zoonoses da Secretaria de Saúde do município, o combate aos animais peçonhentos é dificultado pela má conservação dos lotes. Segundo ele, alguns pontos da cidade são mais propícios ao aparecimento de escorpiões, mas a situação se agrava com o calor e a umidade, quando os animais estão em período de reprodução. Moradores de áreas próximas a cemitérios, pedreiras, terrenos abandonados e edificações antigas devem ter atenção redobrada para evitar o contato com os aracnídeos. Como habitam as tubulações da rede de esgoto, estes animais ficam desalojados em período de enchentes, quando procuram abrigo nas residências.

Dessa forma, o manejo ambiental, no qual são eliminadas as condições que favorecem a reprodução dos animais, seria o método mais eficaz no combate às pragas. "Atendemos com frequência a chamados de moradores do Granbery. Vamos ao local e aplicamos veneno nos ralos. Mas o veneno só mata por contato. Não adianta colocá-lo se há muito mato alto, entulho, tijolos. Escorpiões são pragas urbanas, e é preciso evitar as condições favoráveis: o abrigo, o alimento e o acesso às residências."