Sinalização errada põe em risco usuários da Gentil Forn

Especialista em engenharia de tráfego, Luiz Antônio Moreira mostra pontos críticos
A Estrada Engenheiro Gentil Forn, que dá acesso à Cidade Alta, tornou-se uma travessia de risco para pedestres e motoristas. Apesar de o trecho ter passado por recente intervenção e recuperação asfáltica, um erro na execução do serviço de pintura realizado, no final do ano passado, por empresa de São Paulo, potencializou o perigo em uma das vias arteriais mais movimentadas do município. O trabalho de sinalização das faixas está em desacordo com o estipulado pela Prefeitura, resultando no estrangulamento da pista de descida e na constante invasão de veículos na faixa oposta, em função da falta de espaço para a realização de algumas curvas. No local também é possível verificar que, na tentativa de corrigir o equívoco, foi usada tinta preta sobre a amarela em alguns pontos, que acabou resultando em permissões indevidas de ultrapassagens. Além da sinalização precária, que foi mantida apesar da constatação de falha, a imprudência de quem está ao volante agrava ainda mais o problema. A soma da falta de educação no trânsito com a ausência de um projeto eficiente de sinalização no trecho pode ser fatal. O alerta é do especialista em planejamento em transporte urbano e engenharia de tráfego, Luiz Antônio Costa Moreira, 56 anos. Convidado pela Tribuna para analisar a situação da via, ele apontou deficiências importantes no trecho por onde circulam, semanalmente, milhares de veículos leves e pesados.
Segundo o chefe do Departamento de Estudos e Projetos da Settra, Marcelo Valente, até o final de janeiro será feita a raspagem superficial do asfalto para retirada da atual pintura e aplicação de nova sinalização horizontal. Flagrantes feitos pelo jornal revelam que a divisão das pistas, que passou de duas para três faixas, não tem conseguido evitar que carros, ônibus e caminhões mantenham o trajeto sem cometerem infrações. Um dos principais problemas está no espaço destinado para quem usa a estrada na descida, sentido São Pedro/Centro. Como em boa parte do trecho foi adotada faixa tracejada, a ultrapassagem com a utilização da pista oposta acaba sendo permitida em locais onde não há espaço de manobra para o motorista que desce a via. No caso dos ônibus, o problema é ainda mais grave, porque veículos de maior capacidade não conseguem fazer algumas curvas sem invadir a pista oposta. O engenheiro Luiz Antônio defende que a largura da faixa de descida seja reestudada na tentativa de minimizar os riscos de choques frontais. "Esse acesso é muito antigo. Nele se utilizou o máximo da canaleta da via para a criação de três pistas de rolamento em cima do mesmo traçado. Os raios de curva não foram melhorados. Como não houve nenhuma mudança em relação à geometria viária, os ônibus são obrigados a invadir a pista contrária para conseguir trafegar em alguns pontos. Numa dessas invasões, o motorista pode ser surpreendido por outro em sentido oposto. Uma colisão frontal nessas condições pode provocar ferimentos gravíssimos ou ser fatal", observa.
Já em relação à sinalização, o especialista sugere a implantação de faixa amarela dupla contínua em toda a estrada, com exceção dos pontos de conversão. Ela ajuda a demarcar o limite dos fluxos opostos, oferecendo mais segurança. Na opinião dele, o uso de taxinhas, conhecidas como olho de gato, também melhoraria o reflexo à noite. Outra mudança sugerida pelo engenheiro é o reforço da pintura com microesferas de vidro, para refletir a demarcação da linha no trecho. Embora a tinta utilizada na estrada esteja em acordo com as normas da ABNT e seja a base de água, menos agressiva para o meio ambiente, ela tem característica fosca que dificulta a visibilidade no período noturno, principalmente em dias de chuva. "A deficiência de informação repassada ao motorista pode custar vidas", pontua o engenheiro.
Perigo no trecho requer solução urgente
A via torna-se ainda mais perigosa devido ao excesso de velocidade, que também resulta em invasão da contramão, e a imprudência dos motoristas nas ultrapassagens, principalmente dos motociclistas. Para estes resolver esses problemas, o engenheiro Luiz Antônio Costa aponta a necessidade não só de fiscalizar o limite de velocidade, atualmente de 50 km/h, mas da adoção de quebra-mola eletrônico na descida da via, o qual indica a velocidade de aproximação do veículo. "A recuperação asfáltica era necessária, porém não foi acompanhada de um projeto eficiente de sinalização horizontal e vertical. E num trecho como esse tudo ganha urgência, sendo necessária imediata intervenção", declara o especialista.
Marcelo Valente, da Settra, admite que a revisão da sinalização é necessária e disse que ela ainda não foi feita em função dos trâmites legais adotados para a notificação e o descredenciamento da empresa paulista vencedora de licitação que executou, erroneamente, o serviço na cidade. "Ela foi descredenciada e arcará com os custos para a realização do serviço de fresagem e da nova pintura. A sinalização será refeita para garantir a segurança. A faixa dupla amarela será adotada no trecho", adianta. A possibilidade de implantação de radar na via também não foi descartada. "Temos 20 radares em operação na cidade que podem ser deslocados, caso haja necessidade." A Settra não divulgou o nome da empresa responsável pela obra.
Travessia perigosa
Os pedestres também querem mais proteção no trecho. Sem espaço suficiente nas calçadas e nem locais seguros para atravessar, quem mora ou trabalha nas imediações da estrada, enfrenta riscos diários. É o caso do pedreiro Ailton Gomes, 54 anos. Empregado em uma obra do condomínio Bosque Imperial, ele relata os desafios de chegar são e salvo em casa. "Além de a calçada ser estreita, temos que disputar espaço com os postes existentes no meio do caminho. Como não há acostamento, os carros passam do nosso lado raspando. A verdade é que há pouco respeito com o ser humano."









