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Família do Cidade Nova diz estar sendo ameaçada


Por Sandra Zanella

11/01/2013 às 07h00

Uma família diz estar acuada dentro da própria casa, no Bairro Cidade Nova, Zona Sul, com medo dos ataques de gangues de bairros vizinhos. Os moradores estariam sofrendo ameaças desde domingo, quando houve um conflito, à tarde, em frente à residência deles, na Rua Maurício Gonçalves Figueira. O pai, um pedreiro de 50 anos, e um dos filhos, um gráfico de 25, ficaram feridos durante a confusão, que teria começado quando adolescentes do Jardim Gaúcho ameaçaram as vítimas de agressão no imóvel delas e tentaram golpear o jovem com faca. Momentos antes, o filho mais novo, 20, teria sido alvo de pedradas ao passar de moto na rua onde mora. Um vizinho, 43, acabou baleado no abdômen e na perna esquerda ao intervir na briga para evitar uma tragédia. Ele foi medicado na Santa Casa.

Na noite de quarta-feira, a família foi novamente ameaçada em casa e registrou boletim de ocorrência na Polícia Militar. "Três adolescentes bateram à porta da sala da minha casa, mas não abri. Olhei pela janela e vi que um deles estava armado", contou o gráfico. A PM chegou a realizar rastreamento em busca dos suspeitos, mas nenhum deles foi encontrado. "No domingo, jogaram pedras no meu irmão (20 anos) e quiseram agredir a gente na frente de casa. Ainda tentaram invadir a residência."

Morador há 27 anos no local, o pedreiro disse estar apavorado. "Estou temendo pela minha segurança e da minha família. Vamos ter que abandonar nossas casas?". Conforme o gráfico, eles estão sendo vítimas sem saberem o motivo. "Não tem um porquê. Não somos de gangue e nem usuários de drogas. Não é briga entre gangues. É gangue contra moradores do bairro." Segundo ele, o irmão mais novo já foi colega dos suspeitos, por serem de bairros vizinhos. "Ele jogava bola com eles. Não sabemos o que está acontecendo, mas estamos desorientados."

Na tarde de ontem, pai e filho procuraram ajuda na Vara da Infância e Juventude. "As polícias falaram que já tomaram providências, mas eles são adolescentes. Então vamos à Vara para vermos se liberam os mandados de apreensão. Nós estamos ficando presos, e eles, na rua." Na Justiça, a família foi informada que o requerimento deveria ser feito junto à Polícia Civil, o que deve ocorrer hoje.

 

Suspeito em liberdade

O comandante da 32ª Companhia da PM, capitão Ricardo França, lamentou que o pedido de acautelamento de um dos envolvidos na briga de domingo tenha sido indeferido pela Promotoria da Infância e Juventude. O adolescente, 17, suspeito de ter efetuado os disparos, teria sido atingido por uma faca no abdômen ao sofrer uma queda durante a briga. Conforme consta no boletim de ocorrência, o gráfico estava em luta corporal com o suspeito, que estaria tentando golpeá-lo com faca, quando ambos caíram ao solo, e o rapaz teria sido ferido pela própria faca que portava, na região do pulmão. Ele foi internado no HPS para cirurgia e autuado em flagrante por ato infracional análogo a tentativa de homicídio.

"Fizemos o pedido de acautelamento em conjunto com a Polícia Civil, mas o promotor entendeu que não tinha elementos suficientes. Ficamos de mãos atadas", disse o capitão. Após avaliar que realmente não havia provas para representar pelo acautelamento do adolescente, a promotoria da Infância e da Juventude solicitou novas diligências à Polícia Civil, que investiga o caso.

Segundo o capitão França, a Companhia tem atuado na prevenção e repressão de crimes envolvendo gangues, principalmente por meio da Patrulha de Prevenção a Homicídios (PPH).

 

 

* Colaborou Guilherme Arêas