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Mais trotes que pedidos de socorro


Por Tribuna

10/11/2011 às 07h00

O Samu de Juiz de Fora recebeu, este ano, mais trotes e ligações inconvenientes do que chamadas de emergência e que resultaram em atendimento médico para a população. Conforme levantamento do serviço, de janeiro a setembro foram 31.328 acionamentos pelo telefone 192, sendo 16.344 trotes. O número representa mais de 52% do total de telefonemas recebidos nas quatro linhas do serviço. O percentual teve seu pico em julho, mês das férias escolares, quando os trotes representaram 75% do total de chamadas.

Já tivemos casos de uma pessoa ligar 248 vezes, entre meia-noite e 6h de um dia, dizendo palavras de baixo calão para a atendente, conta a coordenadora do Samu, Lilian de Castro Corrêa Lima. Em outra falsa chamada, a equipe foi acionada para socorrer um paciente em casa, no Graminha, Zona Sul. Chegando ao endereço, os profissionais perceberam que, no local, havia apenas um córrego. Em situações como esta, pessoas que realmente precisam de ajuda, podem ficar desamparadas, sem contar o desperdício de recursos. O custo não é só o diesel, o pneu e outros gastos da ambulância. No cálculo do prejuízo também entram a hora trabalhada do funcionário, o custo da franquia do seguro caso essa ambulância sofra um acidente no caminho, o próprio seguro do profissional. É um valor que as pessoas não imaginam. E isso sai dos nossos bolsos.

Multa

Assembleias legislativas e câmaras municipais de todo o país discutem projetos de lei que determinam multas para quem passa trote para serviços de urgência e emergência. É o caso dos estados do Rio de Janeiro e Rondônia e dos municípios de João Pessoa (PB) e Porto Alegre (RS). No entanto, nos locais onde a lei já entrou em vigor, a eficácia da iniciativa ainda não foi avaliada.