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Motofretistas protestam na Getúlio, e trânsito fica lento


Por Pablo Cordeiro (colaboração de Michelle Clara e Guilherme Arêas)

10/08/2012 às 19h59

Os profissionais reivindicam mais pontos de embarque e desembarque no Centro

Os profissionais reivindicam mais pontos de embarque e desembarque no Centro

Mais de 200 motoentregadores realizaram um protesto no final da tarde desta sexta-feira (10), provocando reflexos no tráfego de veículos na Zona Sul e na região central. O trânsito, já complicado pela hora do rush e pelo fato de ser uma sexta-feira, deu um nó em algumas vias, como as avenidas Rio Branco, Getúlio Vargas e Itamar Franco. Os profissionais reivindicam mais pontos de embarque e desembarque no Centro, além de protestarem contra a impossibilidade de transportar um carona quando não estão em serviço. O tráfego sofreu retenções por cerca de duas horas.

Os profissionais se reuniram na praça do Bairro Bom Pastor, na Zona Sul, por volta das 17h15, e desceram pela pista de carros da Rio Branco, provocando retenções na avenida e vias adjacentes. O comboio seguiu até o Largo do Riachuelo, no Centro, de onde os motofretistas seguiram pela Avenida Getúlio Vargas. O momento mais crítico da manifestação ocorreu nessa avenida, onde, com o grande fluxo de veículos de passeio e ônibus, as retenções se tornaram mais longas, principalmente quando os profissionais desceram das motos e percorreram trechos da via empurrando-as. A PM orientou que os manifestantes ocupassem apenas a via destinada aos carros, liberando a faixa dos coletivos. O grupo chegou a fechar por alguns minutos o cruzamento da Getúlio com a Rua Floriano Peixoto.

Segundo mostraram os manifestantes, o Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo (CRLV) das motocicletas com placa vermelha indica que apenas um ocupante pode estar no veículo. Dessa maneira, nos dias de folga, eles estariam sujeitos à multa por trafegarem com outra pessoa. "Estamos proibidos de carregar pessoas mesmo se retirarmos o baú. Antigamente era permitido. Hoje somos multados. A maioria não tem condição de ter uma moto para lazer", destaca o presidente da Associação de Motoentregadores (AME-JF), Antônio Carlos Lourenço. Os requisitos mínimos de segurança para o transporte remunerado de cargas (motofrete) são definidos pela resolução 356 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran).

Vagas especiais

De acordo com a subsecretária Operacional de Transporte e Trânsito, Roberta Ruhena, a Prefeitura já estuda a implantação de vagas especiais para motos de aluguel. "A Settra estava aguardando a entrada em vigor da regulamentação do Contran para que fosse possível fiscalizar os profissionais. Antes não havia como diferenciar aqueles que estavam exercendo atividade remunerada daqueles que possuíam veículos particulares, característica que agora poderá ser visualizada devido às placas especiais. Quanto à questão do licenciamento, é função do Detran definir qual a norma que deveremos cumprir no município. Caso o documento indique que o veículo comporta apenas um passageiro, quem não a cumprir pode ser autuado em caso de fiscalização," pontuou.

Conforme o chefe da Regional da Polícia Civil em Juiz de Fora, delegado Paulo Sérgio Xavier Virtuoso, a 1ª Delegacia já enviou ofício ao Detran de Minas Gerais solicitando medidas para esclarecer os pontos questionados. Ele esclareceu que cabe ao Detran a responsabilidade de normatizar a legislação em nível estadual.

Trânsito

De acordo com a PM, não foram registrados incidentes durante o protesto. "Hoje eles foram advertidos. Se ocorrer novamente dessa maneira, eles podem ser multados", explicou o sargento do Pelotão de Trânsito da PM, José Braz. Conforme a polícia, a manifestação não foi informada à corporação com antecedência. A PM garantiu que nenhum motociclista foi autuado. Pelo menos seis viaturas e cerca de 15 policiais acompanharam o protesto. 

Os prejuízos ao tráfego de veículos foram sentidos em várias partes da Zona Sul e região Central da cidade. Na Praça da Estação, muitos ônibus intermunicipais tiveram os horários de partida atrasados no início da noite. "Na medida em que atrasa o horário de saída, a empresa é multada por fiscais do DER e da ANTT (Agência Nacional de Transporte Terrestre) que atuam na rodoviária e na Praça da Estação", relata a representante de uma das empresas que faz o transporte intermunicipal.

Produtos tóxicos

Os motoentregadores também reclamaram da proibição de transporte de produtos tóxicos, como latas de tinta. O lojista Rui Mussel, que trabalha em uma loja de tintas, estava no protesto em apoio aos motoentregadores. "Por causa dessa lei, muita gente pode perder o emprego."