Civil desarticula esquema do tráfico de drogas que abastecia o Centro

Operação policial ocorreu na manhã desta quarta
Atualizada às 20h12
Um esquema de tráfico de drogas que abastecia a região conhecida por usuários como "cracolândia", no Centro de Juiz de Fora, foi desarticulado ontem pela Polícia Civil. Investigadores da 6ª Delegacia detiveram suspeitos de envolvimento com uso e venda de entorpecentes na Rua Francisco Maia. Durante as duas semanas em que os policiais permaneceram de campana no local, observaram que dois envolvidos faziam a comercialização de substâncias ilegais próximo a um bar, enquanto outro era responsável por oferecer a mercadoria a interessados e levá-los até aos vendedores. Como apontou a operação, o esquema funcionava 24 horas por dia, e seus articuladores mudavam de ponto, quando percebiam a passagem de alguma viatura policial, como forma de despistar no caso de uma possível abordagem.
O inspetor Rogério Marinho afirmou que uma testemunha contou que, com a chegada da Polícia Civil, na manhã de quarta-feira (10), um dos suspeitos teria soltado um foguete para avisar aos comparsas, os quais estariam atuando na Rua José Calil Ahouagi e parte baixa da Benjamin Constant. A dica de que a polícia estava nas proximidades teria provocado a fuga deles, e drogas teriam sido dispensadas na linha férrea. "Durante a varredura, encontramos uma embalagem, contendo pedras de crack", ressaltou o inspetor. Na ação policial, foram apreendidas cerca de 50 porções da substância e R$ 12.
Para o titular da 6ª Delegacia, Carlos Eduardo Rodrigues, a soltura do foguete chamou a atenção da equipe e demonstra que o grupo estava organizado. "Não vimos esse tipo de situação nem em locais mais violentos onde há tráfico." Segundo ele, três homens, dois de 24 anos e um de 34, foram autuados em flagrante por tráfico de drogas e associação para o mesmo crime e conduzidos ao Ceresp. Um adolescente, 17, foi entregue ao responsável, sendo o procedimento encaminhado à Vara da Infância e Juventude. Outros dois suspeitos, de 27 e 42, foram liberados, porque seriam usuários. O dono de um bar na região, 39, também prestou depoimento, mas não teria participação no esquema.
O delegado destacou que o tráfico em vias públicas degradava o ambiente em uma área comercial de intensa circulação de pessoas, perto de um shopping e de ponto de ônibus. A situação também poderia levar a outros delitos, como furtos e roubos. "O local era usado para consumo e venda de crack 24 horas por dia, sendo direcionado para pessoas de baixa renda. Só a ação da polícia não resolve, mas o objetivo da operação foi acabar com isso."
O tráfico e o uso de entorpecentes no quadrilátero formado pelas ruas José Calil Ahouagi, Benjamin Constant, Professor Oswaldo Veloso e Deputado Oliveira Souza, perto do Terreirão do Samba, além das vias Francisco Maia e Padre Júlio Maria, já haviam sido denunciados pela Tribuna em janeiro deste ano. Na reportagem, moradores manifestaram temor com a transformação desses espaços em "cracolândias". Na ocasião, foi mostrado que, no muro rente à linha de trem, havia diversas marcas de vandalismo formando aberturas, tanto na parte de concreto quanto no alambrado, por onde usuários de drogas entravam .









