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Ônibus invadido e apedrejado em briga


Por Tribuna

10/04/2012 às 06h00

O veículo também foi atingido por golpes de enxada

O veículo também foi atingido por golpes de enxada

Mais um ônibus da Viação São Francisco foi apedrejado em uma suposta briga de gangues na Zona Norte. O veículo também sofreu golpes de enxada na lataria, em um episódio que levou pânico aos passageiros e funcionários da empresa. O caso aconteceu em plena tarde do Domingo de Páscoa, no núcleo urbano de Valadares. Conforme a PM, o motorista, 60 anos, relatou que seguia do Centro para a localidade com o coletivo da linha 741 e, ao parar perto da rua principal, teve o veículo cercado por um grupo de jovens, que passou a atirar pedras na direção do ônibus. Em seguida, parte do bando invadiu o coletivo para agredir supostos moradores de Igrejinha, com os quais teriam uma rixa, dando início a uma briga generalizada. Apesar de nenhuma vítima ter se apresentado, marcas de sangue no interior do coletivo deram indício de que houve feridos.

Na manhã de ontem, o gerente de operação da São Francisco, José Roberto Baganha Ribeiro, levou o veículo até a sede do 27º Batalhão da PM, no Bairro Santa Lúcia, Zona Norte, para mostrar os estragos causados e pedir mais segurança. Matéria publicada pela Tribuna no dia 22 de março já havia mostrado que a rivalidade de gangues tem feito do transporte coletivo mais um espaço de confronto.

No caso de domingo, conforme a PM, o veículo teve quatro janelas laterais quebradas e também foi danificado um vidro interno, da divisória da porta de saída. Além disso, parte da lataria sofreu amassamento que, segundo Baganha, teria sido causado por golpes de ferramentas. "O motorista parou no ponto para desembarque, quando chegaram vários adolescentes armados com pedras e enxadas. Foi um pânico geral. O condutor abriu a porta, e os passageiros saíram correndo, porque o grupo queria agredir garotos que estavam dentro do ônibus", contou o gerente. Ele avalia que havia de 15 a 20 usuários da linha no momento da ação criminosa. "Ao todo, oito vidros de janelas foram quebrados, porque alguns eram duplos. O prejuízo foi de R$ 1.325", apontou o gerente.

Os envolvidos na briga teriam fugido antes da chegada da polícia. Durante os levantamentos e com informações da própria população, a PM chegou a abordar dois suspeitos. Ambos negaram envolvimento no caso, mas um deles afirmou ter sido agredido por moradores de Igrejinha, há cerca de uma semana. O outro rapaz confirmou ter desavenças com jovens da mesma localidade. A dupla foi advertida e liberada.

 

Confronto de gangues cria insegurança

A Tribuna denunciou, no mês passado, que casos semelhantes ao de domingo, envolvendo as linhas 726 e 740, que atendem, respectivamente Igrejinha e Humaitá – localidades consideradas pacatas -, assim como Valadares, estão provocando atrasos e, até mesmo, desvios de trajeto, devido à insegurança. "Antes as brigas aconteciam entre moradores de Igrejinha e Humaitá. Agora parece que ocorrem entre Igrejinha e Valadares", observou Baganha. Segundo ele, a situação tem levado muita insegurança para usuários e funcionários. Precisamos de um patrulhamento preventivo e continuado."

Procurado pela Tribuna, o assessor de comunicação organizacional do 27º Batalhão da PM, tenente Flávio Luiz de Campos, disse que o policiamento dessas regiões é suficiente. "A patrulha rural faz o trabalho naquela área. Quando a polícia sai, aproveitam para agir dessa forma. Os moradores devem procurar o comando da companhia para compartilharem essas questões e, juntos, buscarmos uma solução." Ele reforçou a importância de a comunidade ajudar com informações e disse não estar previsto reforço no policiamento da região. "Se tivermos as autorias, as ações serão pontuais, para buscarmos uma solução imediata."

Ainda conforme o tenente, a PM apurou que houve um torneio de futebol em Valadares, no final de semana, e não descarta a relação dos jogos com a ocorrência. Ele acrescenta que a corporação não foi informada previamente sobre o torneio, de modo que não houve reforço na segurança.