Comoção no enterro de vítima de coronhadas

Amigos prometem protesto contra violência
Familiares e dezenas de amigos acompanharam, no início da tarde desta sexta-feira (10), o enterro de Lincoln Brandi Neto, 28 anos, espancado no último domingo com golpes de coronhada no rosto, após pedir para que um jovem abaixasse o volume do som do carro. A comoção tomou conta da cerimônia realizada no Cemitério Municipal, no Poço Rico, Zona Sudeste, mesmo bairro onde a vítima morava e foi agredida. O silêncio foi quebrado apenas por uma salva de palmas em homenagem a Lincoln, descrito por amigos como "uma pessoa que não fazia mal a ninguém".
"Só pedimos justiça, nada além disso. Lugar de bandido é na cadeia. Lincoln era um amigo abençoado", disse Alessandra Masieiro, 41. O suspeito de ter cometido o crime, um jovem, 23, foi preso na quinta-feira pela Polícia Civil, no mesmo dia em que a vítima faleceu no CTI do Hospital Therezinha de Jesus. Mediante mandado de prisão temporária, ele foi capturado por policiais no Bairro Caiçaras, Cidade Alta. Cerca de 30 amigos da vítima acompanharam a chegada dele à 6ª Delegacia.
Eles vão protestar contra a violência e a impunidade, no domingo, a partir do meio-dia, no Poço Rico. "Temos um bloco de carnaval que iria sair pelo quarto ano e, em homenagem a ele, vamos trocar o desfile pelo protesto. A concentração vai ser na Rua Alagoas, em frente à casa em que ele morava", contou Lena Masieiro, 43. Segundo ela, o suspeito de cometer o crime era vizinho da vítima. "Uma casa dava de fundos para a outra. Eles cresceram juntos, mas traçaram caminhos diferentes." Ainda conforme as amigas, Lincoln trabalhava como representante comercial e estudava. Ele morava com os pais e dois irmãos. O suspeito deve responder por homicídio consumado qualificado, que prevê pena de até 30 anos de prisão.








