Ouça agora

Ouvidoria tem 3 queixas por dia sobre ortopedia


Por Tribuna

10/01/2015 às 07h00

Os usuários do SUS continuam enfrentando a falta de traumatologistas e ortopedistas, principalmente nos finais de semana. No último domingo, um homem ficou o dia todo com ferimentos na mão, sentindo dor e sem medicação, por não conseguir uma consulta na cidade. A ouvidora Regional de Saúde, Samantha Borchear, disse que a ouvidoria tem recebido muitas queixas sobre a falta de plantonistas no HPS. “No final do ano, nós trabalhamos só para atender esse pessoal.” Conforme ela, do dia 19 de dezembro até ontem, o órgão estava recebendo cerca de três reclamações por dia sobre o problema. Também há queixas sobre ausência do profissional até mesmo em dias de semana, demora para transferência e grande espera por especialista para avaliação dos pacientes internados.

De acordo com Suely Martins do Vale, acompanhante do rapaz ferido na mão, ele passou pela unidade de pronto atendimento (UPA) de São Pedro e pelo Hospital de Pronto Socorro (HPS) recebendo sempre a mesma resposta: não há traumatologistas. Na UPA da Zona Norte também não havia quem o atendesse. “Às 19h, eu liguei para o HPS e me disseram que não havia ortopedista e nenhum responsável para falar comigo. Às 21h, eu consegui conversar com um responsável pelo hospital que me disse que o ortopedista ficava de sobreaviso. Eu falei que levaria o rapaz lá. Ele me respondeu que o médico não tinha condições de atender, pois estava fazendo cirurgia. Que sobreaviso é esse?” O homem só foi atendido na manhã de segunda-feira.

A secretária Adjunta de Saúde, Maria Aparecida Baeta, admitiu a dificuldade de conseguir profissionais para atuar no setor nos finais de semana, principalmente às sextas-feiras. “Já publicamos vários processos seletivos e não conseguimos profissionais da área. No último edital, publicado em dezembro, somente um profissional apresentou documentação, que está em fase de análise para contratação.” Para o secretário-executivo do Conselho Municipal de Saúde, Jorge Ramos, a ausência de traumatologistas no serviço público está diretamente relacionada aos salários oferecidos pela Prefeitura. “Enquanto a Prefeitura não oferecer um plano de carreira, os médicos não irão ter atrativos para fazer os plantões. Eles vêem os salários oferecidos e desanimam.”

Enquanto não há contratação, a Secretaria de Saúde tem buscado ajuda de traumatologistas de outros hospitais para cobrir os plantões de forma pontual. “Mas a gente não fica totalmente descoberto. Tem sempre alguém de sobreaviso. A UPA Norte tem que manter todos os dias traumatologista. Está no contrato. Mas, às vezes, acontece de não ter. O usuário deve insistir com a gerência do local. Muitas vezes, a gente consegue com profissionais de outras instituições”, diz a secretária.