Interdições nas rodovias sobrecarregam tráfego local

Carreta ficou agarrada no Santo Antônio
As interdições em rodovias estaduais e federais que cortam a região são mais um problema em decorrência das chuvas deste mês e da precariedade das próprias estradas. Alguns dos principais acessos a diversos municípios da Zona da Mata mineira foram interrompidos por causa dos deslizamentos de encostas, desmoronamentos e afundamentos das pistas, o que também tem sobrecarregado vias alternativas e alterado a rotina de cidades como Juiz de Fora e Bicas, que passaram a ser rotas prioritárias para outras localidades. Entre as situações mais graves, que trazem sobrecarga do trânsito para dentro da área urbana estão a interdição da MG-353 e da BR-116.
O fechamento da BR-116, no trecho que corta Além Paraíba, traz para a cidade os condutores que seguiriam em direção ao Rio de Janeiro ou São Paulo, vindo da região de Leopoldina. Eles precisam passar por Juiz de Fora (via BR-267) para acessar a BR-040. A BR-267 também é via alternativa depois do impedimento no km 85 da MG-353, entre Juiz de Fora e Coronel Pacheco. De acordo com o inspetor da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Luis Heleno Lima Corrêa, os impedimentos interferem diretamente no aumento do fluxo no trecho da rodovia que cruza a cidade. "Com o alagamento na Estrada União e Indústria, na segunda-feira, na altura de Matias Barbosa, a situação se complicou. Até que o acesso de todas essas vias seja normalizado, a tendência é que a BR-267 fique sobrecarregada."
Diante disso, o aumento do tráfego, sobretudo de caminhões e carretas, já é visível nas ruas juiz-foranas. Segundo o especialista em transporte e trânsito, José Luiz Britto, as vias mais afetadas serão as de acesso à BR-040, como as avenidas Brasil e Itamar Franco (antiga Independência) e o Acesso Sul. "É possível que haja retenções pelo aumento no número de veículos e pela própria lentidão que os caminhões conferem ao trânsito."
No final da tarde de ontem, caminhões se enfileiravam na Avenida Brasil, vindos da BR-040, no sentido Bicas. Normalmente, o tráfego seria feito diretamente pela BR-116. "Para quem conhece as estradas da região e a cidade de Juiz de Fora, o transtorno é pequeno, o trânsito só fica um pouco mais lento. Quem não conhece é que está enrolado", diz o caminhoneiro José Aluísio da Silva, que seguia para Cataguases. O estudante Ricardo Menezes, que vinha de Teresópolis (RJ), precisou recorrer à ajuda de um tio, que mora em Juiz de Fora, para conseguir chegar a Bicas. "Dirijo há pouco tempo e estou acostumado a ir direto pela 116. Fiquei meio perdido." Apesar do aumento do fluxo, a PRF não registrou engarrafamentos ou acidentes, mas recomenda atenção redobrada aos condutores.
Segundo o chefe do Departamento de Fiscalização da Settra, Jorge Lima, é possível que haja uma intervenção nos acessos do município e na área central, para ajudar na orientação dos motoristas. "Se for preciso, podemos colocar sinalização temporária, mas isso vai ser discutido de acordo com a demanda." Lima apontou que ainda não foi estruturado um planejamento de tráfego em função do crescimento do número de veículos em circulação. "Estamos em monitoramento constante das vias que podem ser afetadas, preparados para amenizar os efeitos negativos caso necessário. Uma das mudanças que podemos fazer é programar o tempo dos semáforos para dar mais fluidez ao trânsito."
Interdições afetam JF
Uma das situações mais graves nas rodovias da região continua sendo no km 58 da MG-353, antes de Coronel Pacheco, onde uma cratera continua cedendo. As trincas já tomaram as duas pistas, e o trânsito de veículos está proibido desde a noite de segunda-feira. Há apenas um pequeno trecho rente ao acostamento em que é permitida a passagem de funcionários do Departamento de Estradas de Rodagem (DER-MG), que monitoram o local, e de pedestres e passageiros das linhas de ônibus intermunicipais Unida, Bassamar e José Maria Rodrigues, que fazem baldeação entre os dois lados da estrada.
A interdição no trecho está sinalizada no trevo de Coronel Pacheco e, para quem segue de Juiz de Fora, os policiais orientam os motoristas sobre os desvios no posto da Polícia Militar Rodoviária, na saída do Bairro Grama. No entanto, muitos viajantes foram pegos de surpresa. O motoboy Antônio Carlos Augusto saiu de Visconde do Rio Branco para fazer entrega em Juiz de Fora e foi impedido de passar com a moto. "Andei quase cem quilômetros e só fui saber do problema aqui perto, em Coronel Pacheco. Aí não adiantava mais. Agora vou ter que pagar um motoboy de Juiz de Fora para pegar a mercadoria aqui. O prejuízo é grande."
Ao longo do dia, houve fluxo intenso de pessoas no local interditado, por causa da baldeação. O caminho é feito onde há lama e em um terreno que não para de ceder. As bagagens precisam ser levadas na mão, porque o local não permite a passagem de carrinhos de transporte. O DER-MG informou que é feito levantamento técnico para descobrir as causas de o terreno ter cedido. As obras só devem ser realizadas com o fim das chuvas, e não há previsão de liberação da via.
A MG-353 é o principal acesso ao Aeroporto Regional da Zona da Mata e às cidades de Ubá, Viçosa, Rio Pomba, entre outras. Com a interdição, os motoristas que saem de Juiz de Fora com esses destinos devem seguir pela BR-267, em direção a Bicas, passando por São João Nepomuceno e Rio Novo até o trevo de acesso a Goianá, retornando à MG-353. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal, o desvio é de cerca de cem quilômetros. Por esse trajeto, até o aeroporto, o percurso tem mais 70 quilômetros.
BR-116 e 040
Já na BR-116, no entroncamento com a BR-267, o tráfego está fechado para carretas e caminhões. Somente veículos leves passam pela via com destino a Além Paraíba por causa dos deslizamentos de encostas, do barro na pista e da cratera no km 802. A erosão formou uma espécie de caverna sob a rodovia. Mas não é apenas esse trecho da 267 que apresenta interdição. No km 55,5, sentido Leopoldina-Juiz de Fora, houve deslizamento de encosta, após uma curva. O tráfego está em meia-pista e, mesmo sinalizado, exige atenção.
A BR-040 também não escapou de novos problemas. Conforme a Concer, responsável pela administração da via entre Juiz de Fora e Rio, equipes trabalham em obras de contenção e na desobstrução dos pontos críticos, mas alguns trechos continuam em meia-pista. Segundo a concessionária, isso ocorre nos kms 35, 22, 15 e 9 no sentido Juiz de Fora, na altura dos kms 1 e 20 sentido Rio de Janeiro, e no km 22 nos dois sentidos, devido a quedas de barreiras. Já os kms 9, 31 e 54 sentido Rio de Janeiro estão em meia-pista por causa de obras. Os pontos se concentram na altura de Areal (RJ), Levy Gasparian (RJ), Três Rios (RJ) e Simão Pereira.








