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Violência contra criança: para cada notificação, há 20 casos sem atendimento


Por Daniela Arbex

09/11/2013 às 07h00

A busca de soluções contra a violência na infância e adolescência, o diagnóstico de casos e o trabalho de prevenção foram os temas centrais do seminário multidisciplinar organizado pela Sociedade Mineira de Pediatria da Zona da Mata. Com mais de 200 participantes, o evento, realizado durante todo essa sexta-feira (8) no salão nobre da Santa Casa, reuniu nomes de peso do cenário nacional. Profissionais como Luci Pfeiffer, pediatra e psicanalista de crianças e adolescentes de Curitiba (PR), e o sociólogo de Belo Horizonte, Rudá Ricci, lançaram luz sobre a realidade de meninos e meninas violados. Juntos, eles convocaram a sociedade civil, os serviços de saúde, as escolas, além das representações do Poder Público a fazerem a diferença no enfrentamento da questão.

"Quando se apresenta o problema e se discutem soluções, colocando numa mesma mesa a saúde, a educação e o Poder Judiciário é muito bom. E que bom se as pessoas pudessem se desvestir dos seus papéis burocráticos e olhassem a partir do cargo a importância que têm para uma criança e um adolescente. Que bom se eles pudessem sair dessa máscara que a função, às vezes, traz para alguns e fossem realmente em busca de parcerias. Vejo o seminário como resultado de um trabalho muito importante de uma equipe dedicada à infância", afirma Luci Pfeiffer.

Para a médica, o pediatra também tem um papel fundamental na identificação dos casos, muitas vezes subnotificados no país. "Existem estatísticas internacionais que, para cada caso notificado, se tem outros 20 sem atendimento. Os professores, os profissionais que percebem que têm uma criança em risco, devem pedir ajuda para que toda essa família possa ser tratada, pois a violência precisa ser compreendida como doença."

Para a presidente da Sociedade Mineira de Pediatria, Mirna Salomão, o seminário permitiu uma reflexão profunda. "Quando a gente mobiliza as pessoas e elas se disponibilizam a mudar, nós estamos a um passo de mudar tudo." A chefe da Pediatria no HU, Aydra Mendes Almeida Bianchi, também se emocionou. "Este evento sinaliza que nós precisamos enxergar de uma maneira mais ampla e nos unir. Este é o início de um caminho a trilhar em Juiz de Fora. É o primeiro evento que vejo que eleva o pensamento de todas as esferas no sentido de que temos que fazer algo diferente."

Também estiveram presentes o secretário de Desenvolvimento Social, Flávio Cheker, o promotor da Infância e Adolescência, Alex Fernandes Santiago, a juíza da Vara da Infância e Juventude, Maria Cecília Gollner Stephan, a juíza Ana Maria Lammoglia Jabour e o vereador Antônio Aguiar (PMDB), criador da Frente Parlamentar de Defesa da Criança e do Adolescente. A Tribuna também participou, com apresentação da cobertura sobre a situação da criança e do adolescente na cidade nas últimas duas décadas.