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4ª Brigada de Infantaria, em JF, é citada em denúncia de uso de dinheiro das vacinas

Revista Piauí levantou que Forças Armadas usaram mais de R$ 110 milhões do valor destinado à vacinação contra a Covid-19


Por Tribuna

09/07/2021 às 17h38- Atualizada 10/07/2021 às 12h10

A 4ª Brigada de Infantaria Leve de Montanha, sediada em Juiz de Fora, foi citada em uma denúncia sobre o uso pelas Forças Armadas de mais de R$ 110 milhões do dinheiro destinado à vacinação contra a Covid-19. Segundo a reportagem da “Revista Piauí”, publicada na noite de quinta-feira (8), dados do Tesouro Nacional revelam que, até a última quarta, – quando o coronel da reserva Elcio Franco passou a ser um dos principais alvos da investigação da CPI da Pandemia – R$ 94,3 milhões já estavam comprometidos e parcialmente pagos para a manutenção de aeronaves, enquanto R$ 19 milhões estavam destinados à compra de combustível de aviação.

No caso de Juiz de Fora, a denúncia baseada nos registros do Tesouro Nacional aponta a contratação de serviços de lavanderia na 4ª Brigada de Infantaria Leve, com o dinheiro das vacinas. Todas as manobras do possível desvio de recursos extraordinários aprovados pelo Congresso Nacional para a vacinação teriam tido o aval de Elcio Franco, que era secretário-executivo do Ministério da Saúde na gestão do general Eduardo Pazuello. Ainda conforme a “Piauí”, a transferência da verba de enfrentamento à pandemia, do Ministério da Saúde para o Ministério da Defesa, teria sido feita por meio de Termo de Execução Descentralizada, assinado por Franco em janeiro.

Na manhã deste sábado (10), após a publicação da reportagem, o Exército enviou uma nota ao jornal sobre o caso. Nela, é explicada que desde o início da pandemia o Comando da 4ª Brigada desenvolve inúmeras ações de combate à pandemia, tanto para o público interno como também para a sociedade em geral. E todas elas, rigorosamente, com os recursos recebidos por meio do Termo de Execução Descentralizada. Entre as ações citadas, o Exército mencionou: “a manutenção de um estrito controle e triagem das entradas de suas organizações militares; rígido controle diário dos efetivos dos quarteis, com largo emprego de leitos para isolamento de militares infectados durante os períodos mais críticos; a realização de atividades de descontaminações de locais públicos, como hospitais, creches, asilos e mercados; apresentações de suas bandas de música em ações de alento; e campanhas de doações de alimentos e agasalhos para os mais afetados.”

Na reportagem da revista “Piauí”, o Ministério da Defesa informou que a maior parte dos custos bancados por meio do Termo de Execução Descentralizada foi usada “na manutenção de viaturas, aeronaves e equipamentos, horas de voo, combustível e alimentação das tropas, dentre outras, para as atividades de apoio à vacinação e à distribuição de vacinas”.

Segundo a “Revista Piauí”, o documento assinado por Franco em 19 de janeiro determina que o Ministério da Defesa receberia R$ 95 milhões para o apoio das Forças Armadas ao Plano Nacional de Imunização e que o dinheiro deveria contribuir para “eliminar ou erradicar a Covid-19 no território nacional”, por meio da logística de transportes para locais de difícil acesso e segurança das tropas, em apoio à vacinação. A reportagem, no entanto, pontua que a transferência de recursos da Saúde para a Defesa aconteceu quando o Governo dispunha de número insuficiente de vacinas. “O documento abriu caminho para contratos milionários de manutenção de aeronaves e veículos, gastos com alimentação, operação de inteligência e até serviços de lavanderia de militares. Esses gastos se somaram aos R$ 552 milhões autorizados pelo Congresso Nacional diretamente para o Ministério da Defesa desde o início da pandemia.”

Atualmente, Franco trabalha como assessor especial da Casa Civil da Presidência. Na última quarta, o ex-diretor de logística do Ministério da Saúde, Roberto Dias, afirmou à CPI da Pandemia que era Franco quem coordenava a negociação da vacina indiana Covaxin com o Governo federal, sobre a qual paira o suposto pedido de propina de um dólar por dose.

 

Atualização:

A reportagem foi atualizada com a nota enviada pelo Exército ao jornal na manhã deste sábado (10)