Settra anuncia retirada de 14 equipamentos

Um dos pontos é na Marechal com a Santo Antônio
A Prefeitura de Juiz de Fora começa nesta terça-feira (9) a retirada das lombadas de piso vermelho, tecnicamente conhecidas como traffic calmings, em pelo menos 14 pontos da cidade (ver quadro). A decisão foi tomada após avaliação individual de cada dispositivo realizada pela Settra desde janeiro, dentro da qual foram considerados, entre outros, itens como localização, número de acidentes no entorno, segurança e fluidez de trânsito. Hoje a cidade conta com aproximadamente 70 equipamentos.
Constantemente associados a polêmicas envolvendo sua função e real necessidade, os dispositivos começaram a ser implantados em 2007. Em janeiro deste ano, a Prefeitura anunciou que a utilização destes equipamentos estava sendo reavaliada por engenheiros da Settra e que alguns poderiam ser removidos ou readequados. "Realizamos avaliações em diversos pontos, e uma série de motivos nos levou a esta decisão. Esse tipo de equipamento deve obedecer a várias regras e, em Juiz de Fora, ele foi instalado em excesso", defende o secretário de Transporte e Trânsito, Rodrigo Tortoriello.
O primeiro ponto a ser retirado fica no cruzamento das ruas da Bahia e Espírito Santo, no Bairro Poço Rico, região Sudeste. Já na quinta-feira, a Settra realizará a retirada do equipamento da Rua Marechal, na esquina com a Rua Santo Antônio, Centro.
Para o engenheiro especialista em mobilidade urbana José Ricardo Daibert, um dos principais problemas dos traffic calmings instalados em Juiz de Fora é o fato de muitos estarem localizados embaixo de semáforos. "Este tipo de situação causa uma confusão para o pedestre e tumultua a relação com o motorista. Além disso, o sinal verde é para dar fluidez ao trânsito e uma barreira física logo em seguida atrapalha o tráfego", explica.
De acordo com informações da assessoria da Prefeitura, a retirada dos equipamentos é baseada em uma série de critérios. Serão priorizados aqueles instalados em vias arteriais, somado a presença de controle de tráfego (semáforos ou rotatórias) e o baixo volume de pedestres naquele ponto em relação às demais travessias. Também serão retirados aqueles colocados em vias arteriais ou coletoras com problemas construtivos e geométricos, como vias em aclive ou com problemas de drenagem, por exemplo. Outra avaliação feita é se o equipamento atingiu o objetivo de reduzir acidentes. "Segundo nosso levantamento, na Rio Branco, por exemplo, aumentou o número de colisões traseiras", comenta o secretário. Além disso, critério como desconforto de passageiros de ônibus e ambulâncias também foi levado em consideração. Rodrigo ressalta que o trabalho será feito da forma mais discreta possível, com constante reavaliação de cada retirada. "Pretendemos realizar o processo causando pequeno impacto no trânsito e evitando transtornos. Vamos mensurar a retirada caso a caso, trabalhando com a possibilidade do erro."
Reutilização de material
Ainda de acordo com a Settra, todo o material retirado dos traffic calmings será reutilizado em outros locais da cidade para a recomposição de pisos. Entre os já contemplados, está a calçada externa do Aeroporto da Serrinha e seis escolas da rede municipal de ensino que necessitam de reparos nas calçadas. Os locais são baseados em um levantamento do "Projeto Test", coordenado pela Supervisão de Educação para o Trânsito da Settra. "Esta é uma situação que nos preocupa porque este material teve um custo, e não queremos jogar esse dinheiro fora", explica o secretário. A Prefeitura informa, ainda, que iniciará campanhas para a educação no trânsito, com foco no tema travessias de pedestres.









