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Legítimo carnaval ‘daki’


Por RENATA DELAGE

09/02/2013 às 07h00

Se dizem que o ano no Brasil só começa depois do carnaval, o carnaval em Juiz de Fora não começa antes do desfile da Banda Daki. O tradicional itinerário, que tem início no Largo de São Roque, na Avenida dos Andradas, e segue pela Avenida Barão do Rio Branco até a Catedral Metropolitana, será refeito neste sábado pelo 41º ano, arrastando milhares de foliões na maior festa de rua da cidade. A concentração está marcada para as 10h, com início do desfile previsto para as 13h.

Dois trios elétricos guiam a multidão. O primeiro tem capacidade para 40 pessoas, e a condição para subir no carro é estar fantasiado. Já o segundo levará a Banda Realce, incumbida de tirar os foliões do chão, faça chuva, faça sol. À frente da folia, Zé Kodak reafirma o repertório composto por canções carnavalescas tradicionais. "Não combina com a nossa festa tocar funk ou axé. E as marchinhas agradam aos jovens também, além de fazer muitos foliões recordarem os antigos carnavais", justifica.

No último ano, mais de 50 mil pessoas integraram o desfile, e a expectativa, segundo o organizador, é que o número se mantenha em 2013. "O importante é aproveitar a festa e brincar com organização e segurança", diz Zé Kodak, confirmando a presença do Rei Momo e da Rainha do carnaval de Juiz de Fora.

 

Então, o que mudou?

Apesar da reverência às tradições, segundo o "chefe" da banda, nem tudo é exatamente igual ao começo. Os cem componentes que fizeram o – hoje tradicional – itinerário em 1972, são agora dezenas de milhares de pessoas. "Antigamente, a venda de tíquetes de cerveja, ‘vaquinhas’ e rifas ajudavam a arrecadar parte da verba necessária para fazer o desfile. E hoje, o custo é zero para o folião, já que em 2005 a banda passou a ter o registro de patrimônio cultural da cidade, e os custos são arcados pelo município", lembra Zé Kodak, que comanda a festa desde 1979.

"Por motivos particulares", conforme consta nos registros de Luiz Carlos Novaes Rosa, 1978 marcaria o último desfile da banda sob seu comando. A esta altura, os amigos que fundaram a festa, ao redor da mesa do Restaurante Brasão, no Réveillon de 1972, já estavam se formando e partiam em busca de emprego para outras cidades. Entre eles, Novaes Rosa cita Walmir Pifano, Márcio Domenici Alves, o Jacaré, os gêmeos Samir e Munir Yazbeck, José Paulo Abdalla, Adair Araújo, Nicolau Helvécio e o único não morador da cidade, o jornalista Ivanir Yazbeck, irmão dos gêmeos, que, em 1964, havia partido para o Rio, com a finalidade de atuar no "Jornal do Brasil".

Restou a missão de não deixar a "peteca cair" ao comerciante, então proprietário da loja Focus Filmes, José Carlos Passos, o Zé Kodak, que já planeja a ampliação da atuação da banda nos eventos pré-carnavalescos da cidade em 2014. "A participação da banda no carnaval da UFJF, na manhã do último domingo, foi muito interessante. A aceitação do público é muito boa, e queremos ampliar esse contato", diz. "A banda é mesmo um patrimônio da cidade, e temos que cuidar dela", completa.

 

Trânsito e policiamento

As modificações no trânsito do Centro para o desfile da Banda Daki começam a vigorar a partir das 7h de hoje. As ruas do entorno terão o sentido alterado, assim como as áreas de estacionamento, serviços de táxi, horários e itinerários das linhas de ônibus, que podem ser conferidos no site da Tribuna. As mudanças valem para todas as linhas que trafegam pela pista central da avenida. Os ônibus que têm suas paradas nas avenidas Getúlio Vargas e Francisco Bernardino e demais ruas do Centro permanecem com trajetos inalterados. O trânsito será normalizado logo após o desfile da banda.

Para garantir a segurança dos foliões, os agentes de trânsito e a Polícia Militar darão apoio nos cruzamentos durante a realização do evento. Segundo a 4ª Região de Polícia Militar, de ontem até 13 de fevereiro, serão empregados 500 militares, em cerca de 50 viaturas, no policiamento da cidade. O desfile da Banda Daki receberá atenção especial pela 3ª Companhia de Missões Especiais, com militares do Choque, Rotam, Cavalaria e Trânsito Urbano. O apoio da aeronave Pégasus 9, da 4ª Companhia de Rádio Patrulhamento Aéreo, poderá ser solicitado de acordo com a demanda operacional.