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Total de orelhões em Juiz de Fora diminui


Por Júlia Pessôa

08/12/2011 às 06h00

Pouco menos de três meses antes o número de orelhões no local era maior

Pouco menos de três meses antes o número de orelhões no local era maior

Quem circula a pé pelo Centro da cidade já deve ter notado a redução na quantidade de orelhões nas principais vias da região. Em março deste ano, a Tribuna percorreu as ruas Halfeld, São João e Marechal Deodoro, além da Praça da Estação e do Parque Halfeld, contabilizando 79 telefones públicos. Atualmente, na mesma área, são apenas 34 (ver quadro). De acordo com a Oi, empresa responsável pela telefonia pública em Minas Gerais, havia, em março, 3.569 orelhões em Juiz de Fora, 171 a mais que os 3.398 instalados no momento. Contudo, o levantamento do jornal revela que a qualidade do serviço melhorou, já que, em março, mais da metade dos dispositivos da região central não funcionava e, até o final de novembro, o índice de aparelhos inoperantes era de aproximadamente 11%.

A população já tem percebido os efeitos da reorganização do serviço."Quase não se vê mais aqueles pontos com quatro orelhões, mas tenho achado telefones funcionando com mais facilidade. Antes andava muito até encontrar um sem defeito", diz o comerciante Henrique Salvado Ferreira, após fazer uma ligação no Parque Halfeld. Embora a Oi não confirme, as mudanças podem estar relacionadas às normas do novo Plano Geral de Metas de Universalização (PGMU) proposto pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que está em processo de regulamentação. A medida estabelece que os municípios tenham 4,5 orelhões para cada mil habitantes, sendo que a média atual é de seis aparelhos para cada mil habitantes.

Celulares

Uma das justificativas da Anatel para redimensionar os terminais públicos de telefonia é o aumento do uso de aparelhos celulares, que estaria tornando muitos orelhões obsoletos. Dados da agência indicam que, em outubro do ano passado, havia 1.782.882 telefones móveis registrados com DDD 32 (área de cobertura de Juiz de Fora), e, no mesmo mês deste ano, este número chegou a 2.158.378 . Nas ruas, a população confirma o levantamento. "Nem me lembro a última vez que usei um orelhão. Desde que os celulares e os planos das operadoras ficaram mais em conta, nunca mais precisei", diz a doméstica Marli Freitas. No entanto, muitos usuários ainda utilizam os aparelhos públicos, até mesmo quando têm problemas com os celulares, como pane no sistema ou falta de crédito para ligações.

Democratização

Se aprovado, o novo PGMU passa a vigorar em julho de 2012. Segundo a Anatel, apesar da diminuição no número de aparelhos, a nova densidade (número de orelhões por mil habitantes) passará a ser exigida em relação a cada município, e não mais em referência à área de prestação do serviço. O resultado deve ser a melhor distribuição dos telefones, beneficiando diretamente mais de dois mil municípios que atualmente possuem menos de quatro orelhões por mil habitantes. Ainda conforme a Anatel, a intenção é remanejar telefones de áreas onde já há muitos terminais instalados para locais onde haja maior demanda. Em relação a isso, a opinião pública se divide. "Não sei se vai dar certo. Aqui mesmo no Centro, ainda está difícil encontrar um que funcione. Sempre que preciso, passo aperto", afirma o vigia Policarpo Henrique da Silveira. "Se muitos não são usados, concordo com a retirada de alguns, desde que os que fiquem estejam funcionando", contrapõe a estudante Tainá Lima.

 

 

Oferta em JF supera exigência legal

Pela nova proposta da Anatel, ainda em avaliação, cada cidade deve ter 4,5 telefones públicos para cada grupo de mil habitantes. Segundo o último Censo, Juiz de Fora tem uma população de 516.247 pessoas, o que significa que o município deveria ter, no mínimo, 2.323 orelhões. A oferta atual supera esta estimativa em mais de mil aparelhos, já que há 3.398 instalados em toda a cidade, conforme dados da Oi. Considerando o Plano Geral de Metas de Universalização (PGMU) em vigor, que determina o número mínimo de seis telefones para cada mil habitantes, a cidade teria que ter 3.097 orelhões, número também inferior à oferta atual.

De acordo com a Oi, o remanejamento dos orelhões é realizado periodicamente, com o intuito de otimizar o atendimento em determinadas áreas. Com isso, a quantidade de orelhões nas cidades é sempre relacionada a estudos da planta telefônica. A empresa destacou, entretanto, que qualquer alteração segue sempre as normas previstas pela Anatel, o que continuará acontecendo caso o novo PGMU seja aprovado.

A concessionária ressaltou, ainda, que a conservação dos aparelhos é uma prioridade, e, por isso, há equipes trabalhando na manutenção constante da rede de telefonia pública. Ainda conforme a assessoria, nos dez primeiros meses de 2011, a Oi atendeu 98,5% dos pedidos de reparo de orelhões em Minas Gerais, em até oito horas, como determina o Programa de Metas de Qualidade estabelecido pela Anatel. As solicitações de conserto podem ser feitas pelo telefone 103 31.