Ouça agora

Paralisação pode impactar comunidade


Por Tribuna

08/08/2015 às 07h00

Segundo UFJF, a falta de estudantes em alguns setores não atrapalhará os trabalhos (Marcelo Ribeiro)

Segundo UFJF, a falta de estudantes em alguns setores não atrapalhará os trabalhos (Marcelo Ribeiro)

A decisão por adiar a publicação do resultado do novo edital de extensão da UFJF gerou indignação de professores que coordenam os projetos. Iniciativas nas áreas de saúde, educação, esporte, cultura, meio ambiente, direitos humanos, trabalho e tecnologia poderão ser comprometidas, já que algumas aguardam o novo edital, para garantir a sua continuidade. Além disso, a anulação da resolução que prorrogava as bolsas de extensão até o fim de agosto deixará alunos sem pagamento. No total, havia 477 projetos remunerados e quase 800 bolsistas em atividade. A decisão foi tomada considerando a suspensão do calendário acadêmico e as greves dos técnicos-administrativos e professores.

Professor do curso de história e coordenador do projeto “Memória Trilho”, Marcos Olender ressalta que haverá prejuízos às comunidades que hoje contam com as ações de três bolsistas. “Os projetos de extensão e pesquisa não param. Muitos são articulados com comunidades, têm uma agenda própria e não acadêmica. Como a demanda é contínua, a gente esperava a renovação das bolsas. Temos atividades programadas até o fim de agosto, e os bolsistas estarão comprometidos com um trabalho intenso”, diz. O projeto coordenado por Olender envolve a produção de documentários e matérias sobre a memória de seis cidades que são cortadas pelo sistema ferroviário.

A expectativa pela divulgação do resultado de novos projetos também foi frustrada. Caso do jornalista e professor da Faculdade de Comunicação Bruno Fuser, que propôs a iniciativa de comunicação comunitária no distrito de Sarandira, em parceria com a ONG Carabina Cultural. “Fiquei surpreso. Como foi cancelada a bolsa de agosto, os professores não sabem quando será divulgado o resultado do edital. Escrevi hoje à pró-reitoria que, com certeza, não tem responsabilidade direta, mas isso frustra a quem estava esperando o resultado”, lamenta. O professor Jeferson Macedo Vianna, da Faculdade de Educação Física, também aguarda o resultado sobre um projeto que visa a orientar a comunidade sobre a forma correta de se participar de corridas rústicas.

A decisão de adiar o edital também afetará pagamento de bolsistas de extensão que atuam em setores da própria instituição, como o Hospital Universitário, além de unidades de saúde do município. De acordo com o pró-reitor de Extensão, Leonardo de Oliveira Carneiro, a falta de estudantes nos setores do hospital, no entanto, não suspendem as ações. “O HU tem sua dinâmica e situações próprias, e isso não interrompe o funcionamento, já que temos os servidores e os terceirizados para a execução dos trabalhos”, afirma.

De acordo com o pró-reitor de Extensão, ainda não é possível garantir se o total de 777 bolsistas hoje existentes serão mantidos, sendo necessário aguardar um parecer da Administração Superior. “Minha esperança é de que seja igual ou maior, mas a gente sabe que a conjuntura nos impõe algumas limitações”, prevê. Carneiro sugere que os projetos que necessitam de continuidade sejam mantidos de forma voluntária. “Essas horas são contadas em termos de carga horária, e a Proex oficializa este voluntariado”, garante.

Carneiro explica que o adiamento da publicação do edital também não significa o término dos projetos, já que a data de finalização se encerrou em 31 de julho. Ele explica que a análise dos processos tem ocorrido de forma morosa, considerando o baixo efetivo devido à greve dos técnicos-administrativos. No entanto, a informação é de que 90% dos cerca de 600 trabalhos submetidos ao edital 2015 já foram analisados. O pró-reitor espera a conclusão dos processos até 15 de agosto, no entanto, diz que é preciso aguardar a decisão do Conselho Superior, que tem reunião prevista para a próxima semana. Segundo Carneiro, serão avaliadas as condições de funcionamento dos projetos com a greve dos professores, já que boa parte dos alunos não reside em Juiz de Fora e pode não permanecer na cidade.