Alunos temem prejuízo com greve na UFJF
Estudantes da UFJF, principalmente os que iriam se graduar no meio do ano, estão temerosos pela paralisação das atividades, decorrente da greve de professores e técnico-administrativos. Uma aluna do último período de odontologia recorreu, na última semana, à Defensoria Pública da União para tentar garantir o recebimento do diploma. O documento deverá ser apresentado à organização do concurso público ao qual a estudante foi aprovada, no município de Campos (RJ). Caso contrário, ela corre o risco de perder a vaga.
Já emiti ofício ao reitor, pedindo informações sobre a situação acadêmica da aluna e que considerasse a possibilidade de antecipar a colação de grau dela, explica o defensor público federal Felipe Rocha Leite. O prazo dado pela Justiça, de 15 dias, ainda está em curso. Caso o comando de greve não autorize a colação, a Defensoria Pública vai avaliar as medidas judiciais a serem adotadas.
Conforme o coordenador geral do sindicato dos técnico-administrativos (Sintufejuf), Lucas Simeão, a situação não precisará chegar a esse ponto. A aluna nem precisava ter acionado a Defensoria Pública. Para toda demanda relacionada a concurso público, o comando local de greve está liberando a formatura. Desde a deflagração da greve dos servidores, no dia 11 de junho, cerca de 20 pedidos de antecipação da colação de grau foram deferidos para atender a formandos que passaram em concursos públicos – e comprovaram essa situação.
Já nos casos que dependem dos professores, os alunos estariam enfrentado um pouco mais de dificuldade. É o caso de um estudante do último período da Faculdade de Engenharia de Produção, que teme perder a vaga conquistada no disputado mestrado oferecido pela Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer). Neste caso, o acadêmico ainda precisa ser aprovado em uma disciplina. O problema é que o professor responsável pela matéria não estaria concordando em aplicar a avaliação final ao estudante, uma vez que a ação poderia configurar um furo à greve dos docentes, iniciada no dia 17 de maio.
Problema parecido acontece com um aluno da Faculdade de Comunicação, aprovado no intercâmbio promovido pela própria UFJF e com viagem marcada para a Espanha, na primeira semana de setembro. Se a greve não voltar até o final deste mês, não terei tempo para concluir o período e serei reprovado, perdendo o semestre.
O presidente da Associação dos Professores de Ensino Superior de Juiz de Fora (Apes), Rubens Luiz Rodrigues, orienta que as demandas relativas a esses casos específicos sejam encaminhadas, pelos docentes, à Comissão de Ética do conselho local de greve. Qualquer ação contrária a isso, pode ser interpretada como desrespeito ao movimento de greve. Ainda conforme o professor, nenhuma solicitação do tipo teria chegado ao comando local.
O pró-reitor de graduação da UFJF prevê que, neste mês, aumentem os casos de estudantes prejudicados com a greve. Principalmente nos cursos das áreas de saúde, há uma grande apreensão entre os alunos, na medida em que, cada dia depois do prazo oficial da colação de grau, é um dia que perdem de trabalho, já que é uma área que emprega muito rapidamente, avalia Eduardo Magrone. Não é intenção da Administração Superior entrar em litígio com os sindicatos, mas, como administração, temos que prezar pelo funcionamento dos setores fundamentais da instituição. Por isso, trabalhamos junto com os sindicatos, reitera Magrone.
Na medida em que temos professores e funcionários em greve, submetemos todo e qualquer ato acadêmico ou procedimento administrativo à avaliação dos comandos locais de greve, que deliberam ou não a realização desses atos.
Campus
Na UFJF, o campus esvaziado pela greve ficou ainda mais despovoado nos últimos dias, quando os docentes que não aderiram ao movimento encerraram as aulas e entraram de férias. No Colégio de Aplicação João XXIII e no Instituto Federal de Educação e Tecnologia do Sudeste Mineiro em Juiz de Fora (IF-Sudeste), o calendário acadêmico já havia sido suspenso, devido à grande adesão de professores, servidores públicos e até dos estudantes, que apóiam o movimento grevista. No total, a greve afeta cerca de 23 mil discentes em Juiz de Fora.








