Saúde alerta para baixa cobertura vacinal contra HPV e meningite
Índices de vacinação contra as duas doenças estão abaixo do ideal
A cobertura da vacina contra o papiloma vírus humano (HPV) entre crianças e adolescentes de Juiz de Fora está preocupando a Secretaria de Saúde. Em 2017, foram aplicadas, no município, 13.136 doses em meninas (61,2% do total desejado), e 6.973 doses nos meninos (49,34% deste público total). Os índices estão bem abaixo dos 95% preconizados pelo Ministério da Saúde. Conforme a pasta, os dados de 2018 ainda não estão disponíveis para consulta, já que o Ministério está passando por um troca de programas, e a cidade ainda não teria sido contemplada com a transição total de dados.
Apesar de não possuir os dados atualizados, o setor de imunização da secretaria informou que a cobertura vacinal diminuiu em 2018, em comparação com o ano passado, e alerta para a importância da vacina. “É muito preocupante, porque o HPV é uma doença altamente transmissível, e o adolescente inicia a vida sexual cada vez mais cedo, e há uma tendência maior de haver troca de parceiros. Além disso, o adolescente tem maior resistência para o uso do preservativo, que é uma das formas de prevenção da doença”, aponta a enfermeira supervisora do setor de imunização da Secretaria de Saúde, Marcilene Costa.
Para a enfermeira, há alguns motivos para a cobertura vacinal estar abaixo do ideal. “Os pais dessas crianças, principalmente as menores, às vezes acham que a vacina vai incentivar o início da vida sexual. O responsável deixa de levar para vacinar porque quer que só aconteça isso mais tarde, mas às vezes já está até acontecendo”.
A vacina é preconizada pelo Ministério da Saúde para crianças e adolescentes porque é a forma mais eficaz de prevenção, já que o vírus pode ser transmitido por meio de relações sexuais sem preservativo ou durante a prática do sexo oral sem preservativo. “Quanto antes do início da atividade sexual o adolescente se proteger, melhor. Caso ele tenha contato com o vírus, ele já está protegido”.
Vacina protege contra câncer e quatro subtipos da doença
Apesar de existirem vários subtipos de HPV, a vacina oferecida pelo SUS é quadrivalente, ou seja, protege contra quatro variantes da doença, sendo eles os subtipos 6, 11, 16 e 18, que são os mais virulentos. Os dois primeiros são responsáveis pelas verrugas genitais, e o 16 e 18 são responsáveis pelo câncer do colo uterino. A imunização protege ainda contra vários tipos de cânceres, contribuindo com a redução da incidência da doença nas mulheres e nos homens. No mundo, dos 2,2 milhões de tumores provocados por vírus e outros agentes infecciosos, 640 mil são causados pelo HPV.
A vacina é gratuita para meninas com idade entre 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14, e está disponível em qualquer Unidade Básica de Saúde (UBS) com sala de vacina, no PAM-Marechal e no Departamento de Saúde da Criança e do Adolescente (DSCA). É preciso apresentar a carteira de identidade e a carteira de vacinação. É desejável a presença dos responsáveis no momento da vacinação, mas, caso não seja possível, é possível receber a dose da vacina com uma autorização por escrito. Fora destes requisitos, podem se vacinar também pessoas portadoras do vírus HIV ou soropositivos com até 26 anos.
São necessárias duas doses da vacina para a criança ou o adolescente estarem completamente protegidos. A segunda dose é aplicada seis meses após a primeira. A eficácia da vacina é de 90% a 95% já na segunda dose. A vacina não possui efeitos colaterais e apenas gestantes devem adiar a imunização durante o período de gravidez.
Meningite C é grave e pode matar
O setor de imunização da Secretaria de Saúde também alerta para a importância da imunização contra a meningite tipo C, uma das formas graves e bacterianas da meningite. Caracterizada por ser uma inflamação das membranas que envolvem o cérebro, a doença ataca o sistema nervoso central, e sua bactéria causadora pode ficar alojada na garganta por longos períodos, podendo a doença ser desencadeada após queda na imunidade. Por isso, a imunização é preconizada para crianças de 0 a 5 anos e adolescentes de 11 a 13 anos.
“É importante esta vacina para o adolescente, mesmo se ele já tiver tomado na infância, porque existe uma queda dos anticorpos na fase da adolescência. E como o Ministério da Saúde já vacina o público menor de 5 anos, quando se vacinam também os adolescentes, há a imunização de rebanho, que é a proteção do restante da população, já que se diminui a circulação da bactéria”, explica Marcilene Costa, enfermeira do setor.
Baixo índice
A meningite pode evoluir e se tornar um caso grave, levando até ao óbito. Ao falar, tossir ou espirrar, a pessoa portadora da bactéria pode contaminar o ambiente ou outras pessoas. Portanto, o contágio ocorre quando há contato com a saliva ou mucosa de uma pessoa contaminada. Apesar da gravidade, a cobertura vacinal da doença também é considerada baixa em Juiz de Fora. Segundo dados do município, em 2017, foram aplicadas 3.809 doses (48,68% do ideal) na faixa etária de 12 anos. Já em adolescentes de 13 anos, foram aplicadas 3.154 vacinas (39,38% do público com esta idade).
Assim como a vacina contra o HPV, as doses contra a meningite também estão disponíveis em qualquer UBS que possua sala de vacina, no PAM-Marechal e no Departamento de Saúde da Criança e do Adolescente (DSCA). Crianças e adolescentes devem comparecer ao local com a carteira de vacinação e de identidade.










