JF tem casos restritos de boca de urna em dia tranquilo
Três pessoas foram detidas por suspeita de boca de urna, um dono de bar foi preso por vender bebida alcoólica e dois mesários precisaram acionar a Polícia Militar após serem ameaçados durante o primeiro turno em Juiz de Fora. Outras dezenas de denúncias de irregularidade chegaram à Justiça Eleitoral durante a manhã e a tarde de ontem. Apesar disso, as polícias avaliaram como tranquilo o pleito municipal. "Há muitos anos, não vejo uma eleição tão tranquila. Os eleitores estão de parabéns", disse o chefe da Polícia Federal, Cláudio Dornelas, que teve 37 policiais à disposição para atender às ocorrências. Por parte da PM, foram empenhados 1.500 homens.
Pela manhã, um candidato a vereador pelo PR, 42 anos, chegou a ser detido por suspeita de boca de urna próximo a uma seção eleitoral no Bairro Santa Cândida, Zona Leste. Em depoimento à Justiça Eleitoral e à Polícia Federal, ele negou as acusações e foi liberado. O candidato atribuiu o fato às "facções políticas" adversárias. "Cheguei para votar, e houve aglomeração de pessoas no bairro, até pelo reconhecimento do trabalho que fiz pela comunidade. Membros de outro partido reclamaram dessa aglomeração e me acusaram de boca de urna", justificou.
Dois fiscais de partidos também foram detidos por suspeita do mesmo crime eleitoral. Um deles, 28, representante do PMDB, foi flagrado na Praça Arthur Bernardes, no Bandeirantes, região Nordeste. Ele estaria fazendo panfletagem para candidatos do PTN e PMDB. Após ser detido, ele foi levado para a Polícia Federal, onde assinou um termo circunstanciado de ocorrência (TCO) e foi liberado. O caso será encaminhado para a Justiça Eleitoral, que fará o julgamento no próximo dia 19. Na Polícia Federal, a candidata do PTN negou que o fiscal estivesse panfletando: "Ele estava na praça, quando uma amiga passou e pediu para ele levar para casa uns materiais de campanha que tinham sobrado. Mas a sacola estava lacrada."
Pouco depois, um fiscal do PSDB, 29, foi detido por suspeita de fazer boca de urna para um candidato pelo PSL, na Escola Normal, no Centro. "Houve um mal-entendido. Eu sabia que poderia votar com a bandeira do meu candidato, mas não sabia que eu não podia atuar como fiscal usando a bandeira", explicou o homem, que foi liberado após prestar esclarecimentos.
Já no Bairro Manoel Honório, Zona Leste, um bar foi fechado depois que o dono foi flagrado vendendo bebida alcoólica. O homem foi encaminhado à Polícia Federal, sendo liberado.
Mesários ameaçados
Em uma seção que funciona no Senac, na Avenida Rio Branco, Centro, um mesário de 57 anos foi ameaçado por um eleitor, 59. Pela manhã, o suspeito queria concluir o voto para o pai, que não conseguiu enxergar os números na urna eletrônica. No entanto, o filho foi impedido pelo mesário. À tarde, ele voltou à seção e teria ameaçado o mesário. O caso seria encaminhado ao plantão da Polícia Federal. Já no Bandeirantes, um mesário de 34 anos foi ameaçado por um grupo de jovens entre 16 e 18 anos que estava brigando com um bando rival na praça do bairro. Após saber da confusão, o mesário saiu da seção e foi tentar resolver o impasse, quando teria sofrido a ameaça. Armados com pedras, os rapazes ainda atingiram um ônibus, mas ninguém se feriu. Os suspeitos foram encaminhados para a Delegacia de Polícia Civil, onde seriam ouvidos pelo delegado de plantão até o final da noite de ontem.
Outras ocorrências
Uma mulher procurou a Justiça Eleitoral na tarde de ontem para denunciar o recebimento de uma mensagem, pedindo votos para a candidata do PT em troca de R$ 150. Ela e dois representantes do partido registraram o boletim de ocorrência e solicitaram a apuração do fato, pois alegam que a mensagem não foi enviada pela coligação, e teria sido feita com o intuito de prejudicar a concorrente. Na mensagem, a eleitora era orientada a passar no comitê para pegar o valor prometido. A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar a denúncia.
Na Escola Estadual Duarte de Abreu grupos relacionados a partidos políticos foram surpreendidos, tentando comprar votos. Conforme explicou o supervisor das 11 seções, Paulo Brilhante, as pessoas se dispersaram assim que ele as orientou sobre a prática irregular. "Solicitei que deixassem o local e fui atendido. Este incidente já foi relatado ao cartório eleitoral."
A reportagem da Tribuna ainda flagrou um candidato a vereador do PV jogando santinhos para fora do carro, adesivado com seu nome e número. A infração se deu próximo ao posto policial de São Pedro, ao lado da Escola Municipal Tancredo Neves, onde funcionaram 20 seções eleitorais.







