GPS e mapas de JF desatualizados

Taxista José Geraldo ressalta que GPS não identifica algumas ruas
Apesar de os aparelhos eletrônicos de localização terem surgido para facilitar a vida dos motoristas, guiar-se por meio deles pode causar mais prejuízo do que agilidade. Em Juiz de Fora, com frequência, usuários são confundidos pelo GPS no trânsito, seja porque ruas existentes não constam no sistema ou por haver indicações de conversões proibidas. No ano passado, pelo menos três acidentes foram causados em virtude de o condutor ter confiado na indicação do dispositivo. E para quem precisa utilizar outros tipos de mapas, como o do Google, por exemplo, as falhas também atrapalham.
Um dos principais pontos turísticos da cidade, o Parque da Lajinha, localizado na Avenida Dr. Paulo Japiassu Coelho, no Teixeiras, Zona Sul, simplesmente não aparece no Google Maps. No local onde o ponto deveria ser indicado, é possível ver apenas sua área verde, sem constar o que aquela região do mapa realmente representa. Caso o internauta procure pelo Bairro Estrela Sul, também na Zona Sul, não haverá resultado. A principal via do bairro, a Avenida Luz Interior, aparece com a denominação de rua em um trecho, enquanto, em outro, é denominada como Rua Professor Francisco Sobral, via que pertence ao Santa Luzia. Outras ruas, como a Pétala Misteriosa, também não existem no mapa. Já o Condomínio Nova Gramado, construído há alguns anos na Avenida Juiz de Fora, na Região Nordeste, também não existe na plataforma, tampouco o nome de suas vias.
O motorista de van Rogério Ferreira, que trafega pelas rodovias brasileiras diariamente, necessita do GPS na maioria das vezes. Apesar de conhecer bem Juiz de Fora, ele já precisou do aparelho para circular por bairros mais distantes e acabou sendo confundido. “Acontecem muitos erros, faltam algumas ruas, e o GPS informa manobras irregulares. Percebo que isso é comum em cidades menores e bairros mais afastados do Rio de Janeiro e São Paulo, por exemplo, onde o aparelho funciona bem no Centro. Outro problema é quando ele oferece uma rota muito mais longa que o normal, e aí perdemos tempo no trânsito.” Rogério também ressalta a necessidade da atualização constante. “É fundamental pagar para atualizar, se não a situação fica ainda pior. Às vezes, vejo ruas que já foram abertas há algum tempo não constarem no mapa.”
Acidentes
Três acidentes registrados recentemente na Avenida Rio Branco, a principal da cidade, foram causados por erros de orientação de conversão do GPS. As situações envolveram carros com placas de outras cidades, cujos condutores realizaram manobras proibidas e acabaram chocando-se contra outros veículos. Na época, os três motoristas informaram que se guiavam por meio do aparelho e que não conheciam o tráfego da cidade.
Auxílio
Segundo o assessor técnico de georreferenciamento da Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag), Fabrício de Oliveira Loures, a Prefeitura auxilia as empresas que trabalham com mapas. Ele explica que, caso a firma interessada em se atualizar entre em contato com o órgão, há um retorno imediato, mas isto não é feito de forma espontânea. “O Guiatel entrou em contato, há alguns meses, para formatar seu mapa, mas eles nem sempre mantêm esse contato. A TomTom também nos procurou há cerca de dois anos para validar informações que são repassadas por usuários. No ano passado, eles entraram em contato novamente, mas nem sempre todas as dúvidas são solucionadas”, diz. Fabrício também acrescenta que a Prefeitura trabalha com um sistema de georreferenciamento integrado, que está sendo implementado em parceria com a secretarias e é sempre atualizado. O trabalho auxilia neste apoio às empresas.
Taxistas também enfrentam problemas
Há cerca de um mês, a empresa Tele Táxi converteu sua frota para o sistema eletrônico de rastreamento remoto via satélite (GPS) na cidade. Com isso, o cliente pode ligar para a central, da mesma forma que fazia antes, ou acionar a corrida por aplicativo próprio da empresa, disponível para smartphones. Em ambos os casos, o sistema localiza o taxista mais próximo do ponto de partida via GPS e o aciona, por meio de mensagem de texto no celular.
O proprietário da Tele Táxi, Marcelo Barezzi, avalia positivamente a implantação, mas ressalta que ainda existem muitos problemas a serem superados. “Temos dificuldades em certos bairros, ruas com nome ou mão de direção errados. Como são poucas empresas que trabalham com este tipo de serviço, acabam sendo raras as reclamações com os fabricantes. Recentemente, avisei que ruas dos bairros Democrata e Fábrica estavam erradas. Acompanho a reclamação até que façam a alteração.”
Além disso, desde o ano passado, o serviço de táxi em Juiz de Fora utiliza aplicativos de celular para atender a demanda, na qual passageiros solicitam os veículos gratuitamente e acompanham a trajetória do carro até o destino. O taxista José Geraldo de Almeida, que utiliza ambos os serviços, também viu melhora no atendimento, mas ressalta alguns problemas. “Muitas vezes, o GPS não identifica alguma rua ou não sabe o caminho correto. Aí precisamos ligar para a central (telefônica) e confirmar com as atendentes onde fica. Além disso, existem pontos onde a internet não funciona, e não conseguimos usar.”
O taxista Geovan Alves utiliza o Way Táxi, aplicativo gratuito para motoristas e usuários, e garante que seu funcionamento é normal. “Não costuma dar problema. Às vezes, há falhas na indicação da mão de conversão. Mas, mesmo quando não indica o nome da rua, dá para chegar pelas indicações no mapa.”
Atualização depende de colaboradores
O especialista em sistemas multimídia e professor do Departamento de Ciências da Computação da UFJF, Eduardo Barrére, explica que o mapeamento do Google Maps não é feito obrigatoriamente a partir de mapas oficiais, até porque eles nem sempre existem, dependendo do local. De uma forma geral, o trabalho é realizado de forma colaborativa, ou seja, usuários voluntários têm a possibilidade de indicar e corrigir lugares, e essas informações vão sendo incrementadas. Além disso, a empresa possui equipes que realizam, constantemente, pesquisas de campo.
“Quando o colaborador cadastrado orienta uma mudança, isso é aprovado com base em seu grau de confiabilidade. Se outras pessoas confirmarem que o local existe, por exemplo, a modificação é feita no site. Contudo, se ela indica algo errado, perde o grau de confiabilidade.” Um exemplo citado pelo especialista é o caso do Restaurante Universitário, que mudou de local recentemente. “Percebemos que ele estava em um ponto errado, e um aluno sugeriu a mudança. Várias pessoas a aprovaram, e aí tornou-se oficial”, explica.
Para ele, uma cidade do porte de Juiz de Fora apresenta problemas por ter menos pessoas trabalhando em função destas mudanças do que São Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo, além de haver menor intervenção do Google com fotografias de satélite. “Isto ocorre devido à quantidade de usuários e do volume de dinheiro. São interesses profissionais e econômicos diferenciados. Quanto menor o lugar, menor a chance de existir um bom mapeamento. As mudanças dependem das pessoas. Se ninguém colabora, não avisa sobre a necessidade de atualização, aquele erro vai persistir. Como é um serviço gratuito, não podemos cobrar agilidade”, explica.
Já o caso dos equipamentos GPS disponíveis no mercado seria diferente porque, se o cliente paga, ele tem o direito de ter um serviço de qualidade. E esse dinheiro é gasto exatamente na manutenção. “Caso não queira pagar, continua utilizando a versão antiga.” Além disso, ele explica que, de uma forma geral, os aparelhos possuem uma baixa precisão e sensibilidade. “Alguns já vêm até com erro. É comum, sempre tem este tipo de problema. E tudo depende da colaboração.”
Uso de ferramentas fomenta atualização
A questão da atualização é fundamental para o bom funcionamento do GPS. Por melhor e mais caro que seja, nenhum aparelho resiste às mudanças de nomes de rua, de mãos de direção ou surgimento de novas vias. Inclusive, tramita, na Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei 3699/2012, que dispõe sobre a atualização periódica dos mapas dos sistemas de navegação para dispositivos de GPS.
O gerente de vendas no Brasil da empresa de GPS TomTom, Julio Quintela, explica que a atualização dos mapas ocorre de diferente formas, sendo que uma delas é através de dados fornecidos pelas prefeituras e órgãos de trânsito. A empresa também conta com a ajuda dos próprios usuários, que enviam informações diretamente para a equipe de mapas por meio de uma ferramenta. “Essa equipe verifica as informações no banco de dados e, se necessários, envia um profissional a campo para conferir as informações. Se confirmadas, elas são incluídas na próxima atualização de mapas disponível, que acontece a cada três meses.”
Ele também conta que as rotas são escolhidas de acordo com as preferências do usuário, como percurso mais curto, mais rápido, que evita pedágios, entre outros. Já com relação à atualização, Julio explica que elas são geralmente pagas. “Alguns de nossos GPS e aplicativos vêm com serviço vitalício e gratuito de atualização de mapas, enquanto que nos demais dispositivos, elas precisam ser adquiridas. O valor depende de fatores como a versão do mapa que já está no equipamento e se o usuário quer comprar um mapa ou um pacote com valores especiais, por exemplo”, diz.
Ampliação
O proprietário da Tele Táxi, Marcelo Barezzi, acredita que, caso houvesse um maior número de empresas utilizando o serviço de GPS, ele estaria melhor na cidade. “Como Juiz de Fora ainda não possui uma demanda tecnológica impulsionada pelas empresas, as atualizações aqui são feitas de forma mais demorada. Quanto mais gente participar, mais atenção traremos para a nossa cidade. Em grandes centros, há empresas concorrentes que lutam pela rapidez e vantagem para o passageiro. O contato é quase instantâneo.”
Já o especialista em sistemas multimídia Eduardo Barrére entende que o uso de GPS pelas empresas de táxi é uma excelente maneira de estimular o uso e o melhoramento dos aplicativos. “Daqui a três anos, provavelmente o GPS deles estará melhor, porque com o uso diário, as mudanças rapidamente serão corrigidas, seja pelos usuários, taxistas ou pela empresa. As chances de fornecer dados é muito maior. São meios que funcionam razoavelmente em locais como Brasília e Rio de Janeiro e em breve poderá começar aqui, só depende mesmo do uso.”










