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Vereadores politizam críticas à Administração


Por Táscia Souza

07/07/2012 às 17h54

A propaganda nas ruas ainda deve demorar a engrenar, mas os ânimos amanheceram exaltados no Palácio Barbosa Lima na sexta-feira (6), no primeiro dia de campanha política. As críticas dos vereadores Júlio Gasparette (PMDB) e Luiz Carlos dos Santos (PTC) às propagandas oficiais da Prefeitura e à bateria de inaugurações realizada ao longo da semana pelo prefeito Custódio Mattos (PSDB) já estavam sendo feitas diariamente, desde segunda-feira. O fato de o discurso mais inflamado do peemedebista ter coincidido, porém, com o início oficial do processo eleitoral fez com que a base governista desqualificasse as considerações e as tratasse como fruto do calor da disputa, a despeito de o partido de Luiz Carlos apoiar a reeleição.

O início da Vereadoresiscussão não foi motivado pelo pleito, mas sim por um projeto de lei apresentado pelos vereadores Isauro Calais (PMN), José Emanuel de Oliveira (PSC) e José Tarcísio Furtado (PTC) proibindo a construção de prédios no Recanto dos Lagos. A discussão em torno da ocupação do espaço urbano levou Gasparette a cobrar uma revisão da Lei de Uso e Ocupação do Solo.

"Temos uma lei de 1986 e não há movimento, não há vontade, não há perspectiva alguma do Poder Executivo de fazer essa revisão. Estão preocupados com obras de Avenida Rio Branco, mas obras dos bairros não estão com vontade alguma de fazer", declarou. "Temos que acionar o Ministério Público. Só tem uma obra que ele (prefeito Custódio Mattos, PSDB) pode mostrar, que é a Avenida Rio Branco e que ainda não acabou. Como eu disse na quarta-feira, Juiz de Fora virou Dubai." Gasparette também voltou a cobrar o cumprimento das emendas parlamentares ao orçamento do município e respostas aos pedidos de informação feitos pelos vereadores. "Cadê os líderes? Vereador Noraldino (Júnior, PSC), o senhor não renunciou à liderança ainda. Explica para nós!"

O líder do Governo, contudo, tratou o discurso como eleitoreiro. "Esta Casa, nos próximos três meses, será palco de grandes debates políticos. Cada um defendendo suas bases. Mas vamos ter, daqui a pouco, um tempo muito grande de TV, durante o qual todos poderão responder a todos os questionamentos da população de Juiz de Fora", minimizou Noraldino. "É lógico que pedidos de informação têm que ser respondidos, agora quanto a políticas A ou B, aqui vai ser palco de intervenções, mas vamos ter o espaço devido para que a população de Juiz de Fora faça juízo de valor e veja qual o melhor candidato para Juiz de Fora." José Emanuel também saiu em defesa do prefeito, reclamando que "ninguém fala que prefeito Custódio Mattos resgatou essa cidade".

Projeto unânime apesar de embate

Embora tenha sido o pivô do início do embate, o projeto de lei sobre o zoneamento do Recanto dos Lagos, em si, não provocou discórdia na Câmara. Pelo contrário. A maior parte dos vereadores fez questão de se manifestar favoravelmente à proposta e garantir aos moradores do bairro presentes uma tramitação rápida, para que a matéria possa ser votada na próxima semana ou, no máximo, em agosto.

Os moradores argumentam que construíram suas casas no local informados de que se tratava de um bairro residencial, exclusivo à construção de casas. Por isso, a construção de um prédio de cinco andares no local causou insatisfação, além de temor quanto à perda da qualidade de vida. "Essas pessoas sentadas aqui à frente estão em uma briga, porque, em Juiz de Fora, pessoas deixaram de morar no Centro e começaram a buscar condomínios ou bairros mais afastados para ter a devida tranquilidade e sossego, descansar da vida tumultuada de trabalho aqui no Centro da cidade", destacou Isauro.

Na justificativa do projeto, os três autores argumentam sobre a necessidade de "evitar o crescimento desordenado, com prejuízo para o meio ambiente". "A área não tem infraestrutura adequada para novos empreendimentos multifamiliares verticais e é cercada por reserva legal de mata. A região contém ainda várias nascentes, açudes e lençóis freáticos que abastecem residências e podem ser afetados por novos empreendimentos", alegam. José Emanuel frisou que chegou a apresentar projeto limitando as construções e exigindo estudo de impacto também em bairros da Zona Sul, como Cascatinha, Estrela Sul, São Mateus e Alto dos Passos, mas construtores e trabalhadores da construção civil protestaram contra o texto e ele não recebeu o aval do plenário.