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Chuva causa estragos em imóveis na Zona Norte


Por Sandra Zanella (colaborou Bárbara Riolino)

06/11/2012 às 07h00

Funcionários do Demlurb foram mobilizados para limpar o asfalto

Funcionários do Demlurb foram mobilizados para limpar o asfalto

Moradores dos bairros Francisco Bernardino e Jardim Natal, na Zona Norte, tiveram uma madrugada de medo ontem com o transbordamento do Córrego Humaitá. Apesar de os alagamentos não serem comuns na região, o nível do curso d’água subiu rapidamente por volta das 4h, invadindo casas e estabelecimentos comerciais. Conforme o 5° Distrito de Meteorologia, de Belo Horizonte, entre a noite de domingo e as primeiras horas de ontem, foram registrados 74 milímetros de chuva, o que corresponde a 38,7% do volume esperado para todo o mês, que é de 191 milímetros. O acumulado nos quatro primeiros dias de novembro já chega a 79,8 milímetros. Conforme o subsecretário de Defesa Civil, major José Mendes, o acúmulo de lixo no Humaitá e uma possível vazão anormal de água na cabeceira do córrego podem ter contribuído para a situação.

Ele conta que, na noite de domingo, foram registradas apenas três ocorrências, sendo uma de entupimento de esgoto, que afetou uma casa no Bairro Amazônia, também na Zona Norte, e duas relacionadas ao transbordamento do Humaitá. "Suspeitamos que alguma cachoeira na parte alta tenha sido arrombada com a própria chuva. Segundo moradores, às 6h, a água já estava baixa e, sem chover, o volume aumentou de novo. Por isso, a suspeita é de que aconteceu algo na cabeceira", disse o major. Na manhã de ontem, a subsecretaria recebeu mais chamados. Ao todo, foram atendidas dez ocorrências na Zona Norte. Às margens do córrego, cinco famílias que precisavam de ajuda foram cadastradas. A Defesa Civil coordenou a doação de 17 colchões, 11 jogos de cama, 11 cobertores e quatro cestas básicas.

Uma das pessoas que precisou do auxílio foi a dona de casa Maria Amélia Carnavalli, 53 anos, moradora de uma casa no prolongamento da Rua Tomaz Gonzaga, no Jardim Natal. Ela dormia no imóvel com o marido, o carpinteiro Celso Carnavalli, 53, uma filha, 30, e um sobrinho, 11, quando, por volta das 4h, todos levantaram em meio à lama. "Já acordamos dentro d’água. Levamos um susto doido", contou a mulher. O lamaçal alcançou cerca de meio metro de altura na residência, invadindo até a geladeira e o forno do fogão na cozinha, além de molhar colchões, móveis e roupas de cama. "A água cobriu até o vaso sanitário", completou Maria Amélia. A oficina de Celso, nos fundos do imóvel, também foi prejudicada. "Hoje (ontem) estou sem condições de trabalhar. Perdi cinco máquinas e, só para consertar, meu prejuízo deve ficar em uns R$ 4 mil", lamentou.

No Francisco Bernardino, problema semelhante ocorreu no final da Rua Professor Meton de Alencar, quase esquina com a Rua Abílio Gomes. Nos imóveis próximos ao córrego, a água também chegou a meio metro depois das 3h. "Vamos ver o prejuízo ainda, mas só de máquinas de clientes, como furadeiras, maquitas e ventiladores, perdi R$ 3 mil", disse o proprietário de uma oficina de reparos, Jorge Fernandes, 46. Enquanto ele limpava a loja, equipes do Demlurb removiam a lama, que cobriu o asfalto. "Há quatro anos isso não acontecia aqui, e nunca foi de forma tão rápida. Para mim, a sujeira do córrego pode ter contribuído."

A opinião do morador foi compartilhada pelo major Mendes. "Havia pedaços de sofá, de armário e restos de material de construção no leito." Na mesma via, a dona de casa Gilmara de Souza, 37, teve que esperar no terraço com o marido e a filha, 11, até a água baixar pela manhã. "Às 3h30, eu ainda estava acordada e nada tinha acontecido. De repente, a água começou a entrar rápido e cobriu a cama onde minha menina dorme, mas ela já tinha levantado. Tivemos que suspender os móveis até colocar tudo em ordem."

 

Defesa Civil registra 23 ocorrências

Vinte e três ocorrências foram registradas pela Defesa Civil entre a madrugada e a tarde de ontem em função da forte chuva que caiu em Juiz de Fora. Com dez registros, a Zona Norte foi a mais afetada. Em seguida aparecem as regiões Leste (cinco casos), Sul (três), Sudeste e Nordeste (dois cada) e Centro (um). Não há registro de desalojados e desabrigados. Quanto à natureza das chamadas, 11 foram relacionadas a orientações técnicas, três referiam-se a trincas em paredes, três a ameaças de deslizamento e duas a alagamentos.

No Bairro Santa Cecília, Zona Sul, a chuva causou transtornos no cruzamento das ruas Melo Franco e Barão de São Marcelino. A água desceu de forma tão intensa que arrancou o asfalto da via. Uma equipe da Empav esteve no local para os trabalhos de recapeamento. Os buracos foram cobertos, mas os blocos de asfalto e os galhos de árvores permaneceram na praça, atrapalhando quem transitava a pé.

Para os moradores do bairro a preocupação é frequente. "Qualquer chuva forte levanta o asfalto, é assim todo ano. Também é preciso fazer uma poda nas árvores da praça para evitar que os galhos caiam ou se apóiem na fiação," observa o carpinteiro Onofre da Silva, 39.

Rio e represas

A forte chuva registrada na cidade aumentou em um metro o nível do Rio Paraibuna, durante a madrugada, conforme a Defesa Civil. Pela manhã, o leito já estava próximo ao nível normal. Quanto às represas, a Cesama informou que São Pedro subiu 14 centímetros, o equivalente à 10% do nível total, e opera agora com 70% de sua capacidade. Já na Represa João Penido, a subida foi mínima: apenas um centímetro. A unidade está com 60% da capacidade de armazenamento.

Conforme o 5º Distrito do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a partir de hoje, a tendência é de dias mais quentes, com pancadas de chuva no fim do período. Para amanhã, estão previstas chuvas em regiões isoladas. As temperaturas devem variar entre 16 a 26 graus.