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Jovem é baleado em porta de boate


Por Sandra Zanella

06/10/2011 às 19h49

Crime aconteceu no Bairro Aeroporto

Crime aconteceu no Bairro Aeroporto

Um jovem de 21 anos foi baleado durante uma briga em frente a uma casa noturna, na madrugada de ontem, no Bairro Aeroporto, Cidade Alta. De acordo com o delegado, Eurico Cunha, o suspeito de atirar teria se identificado como um policial militar que estaria de folga. A vítima foi atingida na região glútea por dois tiros quando já estava em um Palio para deixar o local. O rapaz foi atendido no Monte Sinai e transferido para o HPS, onde ficou internado aguardando cirurgia para retirada de um dos projéteis alojado. Essa foi a segunda ocorrência em menos de um mês de pessoa baleada em porta de casa noturna na mesma região. Os registros recentes de dois casos de espancamento neste locais também chamaram a atenção para o aumento da violência na Cidade Alta. A ação aconteceu na mesma semana em que um homem, 38, foi condenado a 23 anos de prisão por envolvimento nos homicídios de dois capitães do Exército, mortos em maio de 2010, na saída de uma festa em uma boate na mesma região.

Desta vez, o crime aconteceu pouco antes das 3h. A PM foi acionada quando a vítima já estava no hospital. Um amigo do jovem, presente no momento da tentativa de homicídio, relatou aos policiais que a vítima havia sido colocada para fora da casa noturna após um desentendimento no interior da mesma. Na parte externa, o rapaz teria discutido com um homem, que o teria empurrado contra o chão. Após a queda, o suspeito teria se identificado como militar e corrido até um carro parado nas imediações para pegar uma arma. Enquanto isso, o rapaz e o colega entraram no Palio para ir embora. O homem armado teria efetuado quatro disparos em direção ao veículo, o qual foi perfurado na parte traseira, tendo duas balas atingido a vítima. O atirador fugiu e, apesar do rastreamento, não foi encontrado.

O titular da 2ª Delegacia Distrital, Eurico Cunha, instaurou inquérito e iniciou as diligências na manhã de ontem. Enquanto realizava os levantamentos na porta da casa noturna, o delegado encontrou duas cápsulas deflagradas de munições calibre ponto 40, o que reforçou a suspeita de o atirador ser policial. "Essa munição é de pistola de uso exclusivo das polícias e Forças Armadas." Nas primeiras horas do dia, o responsável pela investigação também ouviu três pessoas que estavam com a vítima. "Todas falaram que o homem que atirou se identificou como PM e parece que o ocorrido do lado de fora foi consequência do que houve na boate." Ainda serão colhidos os depoimentos de funcionários do estabelecimento comercial.

O proprietário da casa noturna disse que não estava presente no momento da ocorrência, mas que foi informado sobre o caso. "O rapaz foi colocado para fora pelos seguranças porque estava incomodando clientes. A confusão mesmo começou lá fora. Parece que o homem que atirou foi tentar separar a briga e acabou apanhando. Depois pegou a arma e atirou."

Segundo Eurico, já foi realizada perícia no carro atingido e providenciada a ficha médica da vítima para exame de corpo de delito indireto. Ele informou que aguarda a apresentação do suspeito. O comandante da 99ª Companhia da PM, capitão Marcellus de Castro Machado, disse que o crime teria motivação fútil. "Se for comprovado ter sido mesmo um policial militar, vamos tomar todas as providências necessárias."

Espancamento

O delegado informou que vai encaminhar à Justiça hoje o inquérito que apurou o espancamento de um estudante de direito, 24, ocorrido no último dia 10 em uma casa noturna. Conforme Eurico, o crime foi praticado por quatro homens, sendo que dois foram identificados. Um deles também seria policial militar e o outro lutador de artes marciais. Ao todo, 25 pessoas foram ouvidas, incluindo a vítima, que passou por cirurgia de reconstrução da face após sofrer diversas fraturas. Segundo o delegado, nos próximos dias, também será enviado à Justiça o inquérito sobre tentativa de homicídio contra um comerciante,31, baleado na saída de uma boate no Aeroporto no dia 22. O suspeito, 29, foi indiciado pelo crime.

O capitão Marcellus enfatizou que vai continuar com a operação "Lua Nova", para coibir a violência noturna. Junto com Eurico, ele programa reunião com equipes de segurança e donos de boates da Cidade Alta no intuito de fazer um trabalho conjunto para diminuir a incidência de crimes.

colaborou Marcos Araújo