Espera por exame ultrapassa 1 ano

Mãe carrega o filho de 8 anos nos braços porque ele não anda e ainda espera a cadeira de rodas
A família de L., 8 anos, morador do loteamento Santo Agostinho, no Bairro São Judas Tadeu, Zona Norte, vive um drama desde o nascimento da criança. Com paralisia cerebral e um quadro grave de disfagia, o menino não consegue deglutir, alimentando-se com uma sonda ligada ao estômago desde bebê. Acompanhado por uma fonoaudióloga, o garoto precisa se submeter a exame de nasofibrolaringoscopia funcional para que seja verificada a possibilidade de ser iniciada alimentação via oral. Sem recursos para pagar pelo exame, solicitado em agosto de 2011, Simone Trindade Belmiro, 35 anos, mãe do menino que não fala e nem anda, pediu ajuda à Ouvidoria Municipal de Saúde há mais de um ano, a fim de conseguir o atendimento. No entanto, passados 370 dias, L. ainda espera pela chance de realizar a avaliação que consiste na introdução de uma câmera nas narinas para visualização de possíveis lesões no nariz, faringe e laringe. Atualmente, além do quadro complexo, ele sente dores provocadas pelo vazamento da sonda, que já deveria ter sido trocada há um mês.
A atual ouvidora, Edna Rodrigues, localizou ontem a folha de atendimento do menino e disse que o exame foi solicitado com prioridade junto à regulação de alta complexidade da Secretaria de Saúde em setembro do ano passado, oito dias depois de o pedido ter sido protocolado na Ouvidoria, mas não houve resposta. "Assumi a Ouvidoria em novembro do ano passado, mas não fui cobrada a respeito dessa solicitação. De qualquer forma, houve falhas no sistema que precisam ser corrigidas. Se não existe prestador do SUS deste exame, vou cobrar uma solução imediata dado a gravidade do caso", disse Edna. A mãe do garoto afirma que telefonou, sim, para o órgão, algumas vezes, na tentativa de uma resposta, mas sempre ouviu que não havia novidades a respeito do pedido. "Esse exame é importante para definir o futuro do meu filho. Se já tivesse feito, ele poderia ter mais qualidade de vida. O acesso ao exame é um direito dele", lamenta Simone, que precisa carregar o menino de 25kg nos braços por mais de um quilômetro, para pegar o ônibus.
Recentemente, uma cadeira de rodas foi doada pelo Estado, mas a família ainda não recebeu o equipamento. O menino só conta com o apoio de uma Kombi para se deslocar até o Caic Núbia de Oliveira, onde cursa o segundo ano do ensino fundamental. Das 240 fraldas que ele usa por mês, o SUS fornece apenas 140.
Atualmente, a família do menino conta com o benefício de um salário-mínimo garantido pela Lei Orgânica de Assistência Social. O pai do garoto, que trabalha com manutenção de elevador, também recebe um mínimo, mas a firma que o emprega está com data para fechar. A assessoria de imprensa da Secretaria de Saúde informou, ontem, que o pedido será atendido. A informação fornecida é que a mãe deverá procurar o PAM-Marechal hoje com os documentos da criança, a fim de viabilizar a marcação do exame.







