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Falta de sincronia em sinais agrava retenções


Por Eduardo Valente

06/05/2012 às 06h00

Retenções tornaram-se comuns na Avenida dos Andradas

Retenções tornaram-se comuns na Avenida dos Andradas

Circular por corredores estratégicos de Juiz de Fora tem se tornado cada vez mais difícil. As constantes retenções no tráfego, principalmente em horários de pico, exigem paciência dos condutores que, em alguns locais, levam até 11 minutos para percorrer um trecho de aproximadamente cem metros. Com uma frota de quase 200 mil veículos, qualquer entrave no tráfego pode trazer grandes prejuízos. A falta de sincronismo dos semáforos é apontada por condutores e especialistas como um dos motivos para excessivas retenções em pontos já considerados críticos, como nas avenidas Itamar Franco (próximo à Rua Monsenhor Gustavo Freire), Andradas (em frente à Igreja da Glória) e Getúlio Vargas. Em outros locais, como na Rua Tiradentes na interseção com a Rua Pasteur, Bairro Santa Helena, região central, o equipamento é considerado desnecessário, pois o fluxo de veículos é restrito, inclusive em horários de pico, como 8h, 12h e 18h.

Alvo constante de reclamações, o engarrafamento é de aproximadamente 150 metros em vários momentos do dia na Avenida Itamar Franco, entre as ruas Padre Café e Antônio Passarela. O elevado volume de carros, acompanhado da impaciência de motoristas, transforma o trecho em um caos nos horários de pico. Na quinta-feira, a Tribuna percorreu o segmento por volta das 18h e precisou de nove minutos para fazer o trajeto. Mais cedo, às 17h, os transtornos são ainda maiores. Conforme o administrador de empresas Agnaldo Fonseca, 37 anos, o problema é flagrante, inclusive, nos fins de semana. "Sou morador do Cascatinha e passo por aqui diariamente. O fim da tarde é o pior horário. Gasto cerca de 40 minutos para vencer um trecho que, em condições normais, faria em menos de cinco."

O semáforo instalado próximo ao cruzamento com a Rua Monsenhor Gustavo Freire permite a passagem de automóveis por 30 segundos, enquanto se mantém fechado por um minuto. Neste intervalo, é liberado o fluxo de veículos que descem a rua e aqueles que seguem em direção à Rua São Mateus. "São muitos os intervalos na via, e isso prejudica a fluidez. Sem contar a falta de sincronismo. Se não há concordância nestes tempos, os engarrafamentos nos cruzamentos são inevitáveis. Em locais onde há pouco espaço para carros, isso deveria acontecer", afirma o especialista em planejamento de transporte e trânsito Luiz Antônio Moreira.

De acordo com o supervisor do Controle de Tráfego em Área (CTA), setor responsável por monitorar os semáforos em Juiz de Fora, Marcelo Mattos, o problema de sincronismo existe, mas, para compreendê-lo, é necessário analisar cada caso. "Em vias de sentido único, é fácil manter a sincronização. Em sentido duplo, é um pouco mais complicado. Não é possível organizar todo um cruzamento movimentado. Isso é mais viável em corredores, onde conseguimos otimizar o sistema para ter pouca espera." O responsável pelo CTA também aponta que o problema do trânsito na cidade está relacionado à saturação viária. "Não é fácil resolver esta questão. Se não houver obras e alternativas, a tendência é piorar na medida em que cresce o número de carros circulando no município."

 

Revisão de critérios

O engenheiro especialista em mobilidade urbana José Ricardo Daibert concorda com a leitura sob a ótica do usuário, mas afirma que alguns pontos precisam ser considerados. "Juiz de Fora tem, a meu ver, semáforos em interseções que teriam melhor desempenho sem eles. Caberia uma revisão completa do sistema e de seus critérios de implantação e dimensionamento." Como solução, ele aponta a necessidade de rever o excesso de cruzamentos em vias movimentadas que necessitam de diversos pontos semafóricos. Segundo ele, quanto maior o número de fases, e menor o tempo destinado para cada uma delas, maior será a retenção. "Esta revisão e suas ações poderiam promover significativos ganhos na circulação. Tudo isso após ampla discussão." Daibert enfatiza que o modelo adotado na cidade é o mesmo há muitos anos.

 

 

Congestionamentos impedem ‘onda verde’

Na Avenida Francisco Bernardino, a conhecida "onda verde" (quando os automóveis conseguem circular com todos os sinais abertos) parece não existir mais. Conforme o especialista em planejamento de transporte e trânsito Luiz Antônio Moreira, isso ocorre devido à interferência de vias coletoras, que estão saturadas. O mesmo problema pode ser observado na Avenida Getúlio Vargas. De acordo com o presidente da Associação dos Taxistas, Luiz Gongaza Nunes, a falta de sincronismo prejudica a circulação dos veículos naquela via. "Ao invés de os sinais abrirem na direção dos automóveis (a partir da Rua São Sebastião), ocorre o contrário. Como o volume de carros é grande, os motoristas encontram todos os semáforos fechados. Isso aumenta, e muito, o tempo de viagem."

Segundo o responsável pelo CTA, Marcelo Mattos, o próprio tráfego em determinado horário impede o funcionamento da "onda verde", embora afirme que ela ainda exista. "O trânsito fica mais lento e, talvez por isso, o condutor não tenha a percepção."

Luiz Antônio Moreira não é otimista quanto a uma solução. "Os problemas são apenas transferidos. Isso vai acontecer, inclusive, após este conjunto de obras viárias. Vão resolver questões pontuais, mas haverá engarrafamentos em locais onde não existiam." Para ele, apenas o investimento em transporte público reduzirá os transtornos a longo prazo.

 

 

Paradas em ruas de pouco movimento

No Santa Helena, região central, a Tribuna acompanhou o fluxo na área em um dia útil, por cerca de 30 minutos, a partir das 17h30. Foi constatado que o sinal fica aberto por 20 segundos na Rua Pasteur e outros 45 segundos na Rua Tiradentes. Para a passagem de pedestres, ambos os sentidos de carros ficam impedidos por 15 segundos. Em todo o tempo observado, a fila de automóveis foi pequena. Na Pasteur, por exemplo, o máximo de veículos identificados aguardando a abertura de sinal foi de três. Na Tiradentes, não passou de quatro. "Curiosamente, quando chove, e os sinais ficam em estado intermitente, não existem retenções na área. Aquele caso deveria ser reavaliado pela Settra", afirma o especialista em planejamento de transporte e trânsito, Luiz Antônio Moreira.

Segundo Moreira, os semáforos deveriam ser a última opção para monitorar o trânsito. "Em cruzamentos com poucos automóveis, o controle deve ser feito com sinalização horizontal (faixas de Pare). À medida que o fluxo aumenta, uma rotatória passa a ser utilizada, porque permite o movimento constante. Apenas quando este dispositivo já está sobrecarregado, o semáforo torna-se a opção." Ainda conforme o especialista, em algumas situações, os equipamentos seriam úteis somente em horários de pico.

O supervisor do Controle de Tráfego em Área (CTA), Marcelo Mattos, explica que os semáforos são definidos como a melhor opção a partir de um estudo que leva em consideração toda uma rede. "Como no caso da Rua Tiradentes com a Pasteur, não podemos pensar no cruzamento isoladamente. Aquele equipamento é importante porque faz parte de uma série, que organiza movimentos. Os impactos são sentidos nas ruas próximas. Esta mesma organização acontece em outros pontos da cidade."

 

Central faz controle dos 108 semáforos

Os equipamentos semafóricos na cidade são controlados por meio de uma central gerenciada pela Settra. O Controle de Tráfego em Área (CTA) é responsável por monitorar e gerenciar os 108 equipamentos instalados no município, além de elaborar estudos e projetos para a implantação de novos dispositivos. Atualmente este sistema passa por modernização, que inclui a substituição da central e a renovação dos controladores. O investimento é de R$ 570 mil. Segundo o supervisor do CTA, Marcelo Mattos, as modificações de tempo de abertura e fechamento de vias são realizadas após estudos de contagem volumétrica e informações fornecidas pelo próprio sistema. "Temos situações pré-programadas que são colocadas em funcionamento dependendo do volume de tráfego naquele horário."

Mattos também explica que apenas os semáforos não são suficientes para melhorar a fluidez no trânsito. "O equipamento é eficiente até determinado ponto. Quando existe a saturação da via, fica mais difícil. O problema não é meramente de tempo (de abertura e fechamento), mas, sim, de incapacidade viária." O objetivo do CTA, conforme Mattos, é tentar aperfeiçoar o tempo de espera do condutor ao mesmo tempo em que forneça fluidez. "É um trabalho complexo. Mais até do que parece." Reclamações sobre semáforos podem ser registradas pelo telefone 3690-8218.

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