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Pátios de veículos são ‘bombas’ do Aedes


Por KELLY DINIZ

06/03/2016 às 07h00

No Distrito Industrial, mais de mil veículos estão em depósito, que virou preocupação para vizinhança

No Distrito Industrial, mais de mil veículos estão em depósito, que virou preocupação para vizinhança

Um pátio de veículos apreendidos da Polícia Civil tem preocupado os moradores do Distrito Industrial, na Zona Norte. Com mais de mil veículos, entre carros, motos e caminhões, o depósito, que fica na Rua Fernando Lamarca 80, está sendo considerado uma “bomba” de Aedes aegypti, já que a água tem se acumulado nos automóveis, propiciando a proliferação do mosquito transmissor da dengue, da chikungunya, do zika vírus e da febre amarela.

Conforme Sônia Maria Pedrosa, gerente da Ezequiel Autossocorro, proprietária do terreno, o pátio era alugado pela Polícia Civil. No entanto, em 2012, a empresa foi descredenciada. “A gente não tinha condições de fazer a estrutura que eles queriam. A delegacia disse que iria leiloar os carros, mas até hoje nada. Desde então, eles estão sem pagar aluguel, sem pagar estadia dos veículos e sem pagar a manutenção. Temos muitos gastos com o pátio, vigia 24 horas, tudo pago por nós. A população está reclamando de foco de dengue no local, mas não podemos fazer nada. Se a delegacia me der um atestado tirando a nossa responsabilidade sobre os carros, a gente dá um jeito e tira aqueles automóveis de lá. Mas, por enquanto, a responsabilidade é nossa. Se chegar alvará de juiz para saber como está o estado de determinado veículo, ele tem que estar lá para a verificação.” A gerente disse que uma máquina está realizando, nesta semana, a limpeza do mato no local, o que não é suficiente, já que a água se acumula dentro dos próprios veículos.

Os moradores do Bairro Grama, na região Nordeste, também estão preocupados com outro depósito da Polícia Civil, localizado na MG-353, em frente ao posto da Polícia Rodoviária Estadual. Conforme um morador da região, que preferiu ter seu nome preservado, a propriedade foi alugada há cerca de dois anos. “Os automóveis mais novos foram tirados, mas as sucatas continuam lá e estão acumulando água. Tem uma bacia de decantação de água sem o menor tratamento e acumulando água da chuva. É o criadouro perfeito.”

O delegado regional de Juiz de Fora, Eurico da Cunha Neto, informou que a responsabilidade pela manutenção dos terrenos e dos automóveis é das empresas credenciadas. No caso do Ezequiel Autossocorro, ele explica que o pátio foi descredenciado e há um processo judicial em andamento para definir a situação. “Essa questão o juiz irá resolver. Mas o terreno é dele (Ezequiel Autossocorro), os carros estão no terreno dele, o responsável pela limpeza é ele. O que é responsabilidade da Polícia Civil são os nossos prédios, que já foram vistoriados pelos agentes de endemias.”