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Estudo avalia impacto de carros elétricos


Por GUILHERME ARÊAS

06/03/2016 às 07h00

Pesquisa está sendo realizada por equipe da Faculdade de Engenharia da UFJF

Pesquisa está sendo realizada por equipe da Faculdade de Engenharia da UFJF

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Pesquisadores da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) participam de um estudo que pretende monitorar e avaliar os impactos dos veículos elétricos nos sistemas de energia do país, nos próximos cinco a sete anos. Os carros movidos a eletricidade estão se popularizando em várias nações e serão uma realidade no Brasil dentro de alguns anos. Em Juiz de Fora, já circulam dois táxis híbridos, com dois motores, um a gasolina e outro elétrico. Conforme a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), são estimados de 30 mil a 40 mil carros leves movidos a energia no Brasil, até 2020. Se comparado aos 50 milhões de automóveis que circulam hoje pelo país, o número pode parecer pequeno. Mas, para alimentar essas máquinas movidas a eletricidade, os usuários irão demandar cada vez mais do sistema energético, que precisará se preparar para a nova realidade, havendo inclusive a necessidade de reestruturação da forma de distribuição de energia.

“Uma possibilidade que precisa ser investigada é qual o impacto disso no custo”, explica o coordenador da pesquisa e professor do curso de Engenharia Elétrica da UFJF, Bruno Dias. Ao lado do professor Leonardo Willer, ele comanda o estudo. “Acreditamos que os benefícios são maiores do que os custos advindos da adaptação do sistema de energia”, completa Bruno.

Para se ter uma ideia, um carro que seja totalmente elétrico – porque existem também os híbridos – consome 30kWh para abastecer completamente a bateria, que tem autonomia para o carro rodar 127 quilômetros (distância aproximada entre Juiz de Fora e Teresópolis-RJ, por exemplo). O mesmo consumo de energia é gasto, por mês, por uma geladeira de uma porta que fique ligada durante todo o tempo. Também é o mesmo que consome um aparelho de TV de 29 polegadas, ligado oito horas por dia.

Os carros elétricos podem ser recarregados em postos de recarga rápida, como se fossem os postos de gasolina. Nesses locais, o tempo de recarga é de aproximadamente 30 minutos, dependendo do modelo. Mas é possível fazer a carga também em casa, na tomada comum. Na de 220 volts, a demora é de sete horas, em média. E na de 110 volts, o tempo de recarga é de cerca de 13 horas.

“O período entre 18h e 21h é crítico para o sistema, porque o consumo industrial e comercial ainda é alto. Nesse mesmo momento liga-se a iluminação pública. E, nessa hora, as pessoas chegam em casa, acendem as luzes, tomam banho. E, se ainda ligarem os carros na tomada, pode haver um aumento significativo no consumo. Se o sistema não estiver preparado, pode haver um blecaute”, explica Bruno Dias.

Meio ambiente

Apesar de não emitirem poluentes, os carros elétricos são uma preocupação ambiental. Isso porque, para conseguir atender à demanda, pode ser preciso investir em novas fontes de energia, como as hidrelétricas e termelétricas, que são poluentes. Para o professor Bruno Dias, como ainda vai demorar para que os veículos elétricos se popularizem, o país conta com tempo hábil para se preparar, inclusive aumentando as fonte energéticas renováveis, como a eólica e a solar.

Interdisciplinar

A pesquisa na UFJF é interdisciplinar, com interface com Matemática, Estatística, Engenharia Ambiental e com outras instituições, como a Universidade Federal Fluminense (UFF) e o Instituto Federal Sudeste (IF Sudeste) de Minas Gerais. Ainda não foram lançados resultados, porque o projeto está em fase inicial. A proposta de pesquisa foi aprovada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) em dezembro de 2015.