Cenário de devastação em cidades da Zona da Mata
Lama, destroços, entulhos e várzeas ainda bem alagadas. As cenas de destruição desenham a região da Zona da Mata mineira. Ontem a Tribuna sobrevoou de helicóptero Dona Euzébia, Guidoval, Muriaé e Cataguases, quatro dos municípios mais afetados na região pelas últimas chuvas. Do alto é fácil identificar as áreas mais atingidas. Por onde os rios passavam, o cenário é caótico. A força das águas solapou tudo o que encontrava pela frente, varrendo imóveis, animais e até pessoas e inundando plantações e deixando até animais ilhados. Somente em Guidoval, a 130 quilômetros de Juiz de Fora, onde o estrago foi maior, dois homens morreram.
Pontes, escolas, fábricas, igrejas e comércio, nada saiu ileso da fúria das águas. Em alguns galpões e casas, ainda era possível visualizar a água represada.
Em meio a devastação praticamente total de Guidoval, cenas de recomeço e solidariedade. Mutirões de limpeza, máquinas e caminhões tentam reorganizar a cidade. Segundo o prefeito do município, Hélio Lopes, somente na cidade são mais de dois mil desalojados e 150 desabrigados. "Perdemos muita coisa, mas estamos conseguindo reorganizar. O governador esteve na cidade e anunciou que vai liberar o quanto precisarmos para reerguer a cidade. A água e energia já estão retornando, a telefonia fixa e o atendimento nos postos de saúde devem ser normalizados amanhã (hoje). Os entulhos também estão sendo retirados. Pelas contas, vão dar mais de 300 caminhões com entulho."
Do alto também é possível ver que as duas principais pontes da cidades foram danificadas. Uma delas foi totalmente carregada com a força do rio Xopotó, deixando boa parte da comunidade isolada. Durante todo o dia, os moradores transportavam alimentos, água e materiais de limpeza amarrados em cordas em cada margem do rio, formando uma espécie de tirolesa. A outra foi deslocada com a enxurrada. Ainda segundo o prefeito, militares do Exército Brasileiro, que servem em Itajubá, chegarão hoje à cidade para ajudar na construção de uma passarela flutuante para que os moradores possam ter acesso entre as duas partes da cidade.
O Governo de Minas enviou caminhões com mantimentos, colchões, água potável e cobertores, na noite de quarta e na tarde de ontem, e em Ubá foi montado um posto de recolhimento de donativos para ajudar a população de Guidoval. O município foi visitado, na quarta-feira, pelo governador de Minas, Antônio Anastasia, que determinou aos técnicos do Departamento de Estrada de Rodagem (DER) a imediata reconstrução das pontes.
Em Dona Euzébia, Zona Rural e área central ficaram destruídos após a inundação de 70% da cidade. Do alto, só lama e destruição. Propriedades rurais inteiras às margens do rio foram danificadas. Em alguns pontos, ainda existem animais ilhados. Na tarde de ontem, algumas pessoas já começavam a contabilizar os prejuízos e limpar os imóveis. Entretanto, a maior parte dos afetados ainda não tinha como fazer a limpeza dos imóveis, devido à falta de água. A Prefeitura de Astolfo Dutra cedeu 40 funcionários, que, com ajuda de máquinas e um caminhão pipa, auxiliavam na limpeza da cidade.
Em Muriáe, as águas ainda não haviam baixado em várias partes da cidade. Em um dos pontos, é impossível ver onde termina e onde começa o leito do rio. Um campo de futebol, ainda alagado, deixa à mostra somente a parte superior das traves. Em Cataguases, a destruição foi maior nas entradas da cidade. A Vila Minalva foi um dos bairros mais atingidos. Moradores perderam tudo com a força das águas e aguardam doações para recomeçar a vida.
No total, 31 municípios da Zona da Mata mineira decretaram estado de emergência. Em Miraí, a chuva deixou também 1.500 desalojados e 60 desabrigados. Muitas estradas da região ainda estão com interdições (ver quadro).
Conforme o último boletim divulgado pela Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec), subiu para 87 o número de cidades que decretaram estado de emergência em Minas Gerais. Até quarta-feira, eram 66 municípios. Ao todo, 9.880 pessoas estão desalojadas e 512 desabrigadas. Até agora, foram registradas oito mortes. Uma mulher, de 74 anos, moradora do município de Santo Antônio do Rio Abaixo, ainda permanecia desaparecida. Ela morava às margens de um córrego e surpreendida pela súbita elevação da água.








