‘Olho vivo’ chega à Zona Sul

Cada monitor tem a sua frente um telão com um número específico de câmeras a serem acompanhadas. Quando uma ação suspeita é identificada, um policial militar é informado

Segundo o major Edmar Pires, fase de testes já resultou em 152 boletins de ocorrência
O projeto “Olho vivo”, da Polícia Militar em parceria com a PJF, chega às ruas da Zona Sul com previsão de as imagens das câmeras serem captadas a partir de hoje. Ao todo serão 16 novos dispositivos, que foram colocados em áreas onde há grande concentração de pessoas em razão do comércio ativo e do movimento dos bares no período noturno. Neste caso, serão contempladas ruas dos bairros Alto dos Passos, São Mateus e Santa Luzia. Com a conclusão desta etapa de implantação do projeto, a cidade contará com 40 câmeras em funcionamento. A expectativa da PM é estar operando as 54 até o fim deste mês. Para isso, o “Olho vivo” ainda precisa chegar aos bairros São Pedro, na Cidade Alta, e Benfica e Santa Cruz, na Zona Norte.
Desde agosto, uma central de monitoramento, instalada na sede do 2º Batalhão de Polícia Militar, no Bairro Santa Terezinha, região Nordeste, já acompanha atitudes suspeitas nas ruas do Centro e do Manoel Honório, Zona Leste, durante 24 horas. Balanço feito pela corporação na última sexta-feira mostra que, neste período, o uso das câmeras, embora ainda encarada como fase de testes, já resultou em 152 boletins de ocorrências. Em alguns dos casos, as imagens geradas funcionaram não somente como aliadas, mas também na identificação do flagrante delito. Isso aconteceu, por exemplo, há uma semana, quando um homem furtou uma moto que estava estacionada na Avenida Getúlio Vargas, esquina com a Rua Halfeld, e fugiu em direção à Avenida Rio Branco. O abuso do suspeito foi acompanhado em tempo real, o que permitiu o deslocamento de equipes do entorno para efetuar sua prisão, realizada na Rua Mister Moore, e também na recuperação do veículo.
“Esta fase de testes já está nos auxiliando a identificar situações como pichações, tráfico de drogas, além de atitudes suspeitas. A captação das imagens nos ajuda a efetuar as prisões e a evitar a prática do crime. Percebemos que onde as câmeras já estão instaladas existe esta sensação de Estado presente, e por isso há a intimidação. Quer dizer, o ‘Olho vivo’ contribui para a segurança subjetiva”, disse o major.
Ainda segundo o major, o projeto ainda não está concluído por causa de atrasos ao executar a instalação nos bairros. Ele explica que, em alguns locais, os postes utilizados pela rede de fibra ótica já tinham número máximo de cabos instalados, e foi necessário fazer adequações. Em outros, os dutos subterrâneos não estavam em bom estado de conservação para a passagem da rede, e manutenções foram providenciadas. “Importante frisar que não priorizamos o Manoel Honório e o Centro. As câmeras começaram a operar nestes locais porque foram onde não tivemos dificuldades técnicas”, disse o major.
De todos os bairros onde o projeto estará presente, apenas nos dois da Zona Norte ainda não há qualquer instalação de câmeras ou até mesmos os postes que as sustentarão. Conforme o major, esta instalação física é simples e feita em poucos dias, e a dificuldade mesmo está na passagem da rede de fibra ótica. “Já trabalhamos na adequação dos projetos, e as câmeras serão instaladas até o fim do ano.” No São Pedro, a estrutura física já pode ser vista nas ruas.
Como funciona
O funcionamento do projeto é considerado simples. Conforme explicou o major, cada monitor, contratado pela Prefeitura por meio de licitação pública, tem em sua frente um telão com um número específico de câmeras a serem acompanhadas. A cada instante uma imagem é ampliada na tela, embora todas as outras continuem em observação. Quando uma ação suspeita é identificada, um policial militar é informado e, imediatamente, transmite as características do suspeito para o Comando de Operações da Polícia Militar (Copom), que funciona na mesma sala. É este o setor responsável por mobilizar viaturas e policiais por meio do sistema de radio, além de transmitir novas informações. Por uma questão de segurança, o número de contratados não foi informado. Uma curiosidade é que, nas ruas, as imagens são captadas em tempo real independente de o entorno estar ou não energizado.









