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Polícia trabalha com hipóteses de latrocínio e execução


Por Guilherme Arêas, Sandra Zanella e Flávia Crizanto

05/11/2013 às 21h53

Encontro com prefeito reuniu taxistas e PM

Encontro com prefeito reuniu taxistas e PM

O titular da Delegacia Especializada de Homicídios, Rogério Woyame, informou que, "como o taxista morreu com um tiro na cabeça e trabalhava há pouco tempo na profissão, nenhuma hipótese de crime está afastada". Segundo ele, no caso de uma suposta execução, um encontro pode ter sido marcado no endereço já com essa intenção, motivada por alguma desavença anterior. "Como ainda não localizamos testemunhas, não descartamos que o homicídio pode ter sido praticado por algum passageiro, com intuito de roubo, ou por alguém que marcou encontro no local com objetivo de execução. Tão logo seja identificada a autoria, será pedido mandado de prisão."

De acordo com a PM, um morador da Rua Margarida Soares Dias foi quem encontrou a vítima morta. Ao escutar um tiro de dentro de sua casa, o homem foi verificar e viu o táxi na via pública com as portas do carona e do condutor abertas. Marcelo estava sentado no banco do motorista, já sem vida. Durante a busca de informações acerca da motivação e autoria do assassinato, a PM ouviu comentários de que o taxista teria estado momentos antes no Santa Cândida, com outros dois homens no interior do táxi, solicitando orientação sobre a rua onde foi encontrado morto. A informação sobre alguma corrida para o endereço, no entanto, não chegou a ser confirmada pela central da empresa de táxi.

 

Outro taxista esfaqueado

Antes do homicídio de Marcelo Alvarenga, outro taxista, 64, já havia sido alvo de ação criminosa na mesma noite, na Zona Sudeste. Segundo a PM, a vítima foi assaltada e esfaqueada na Rua Paulo Wilmar de Almeida, no Bosque dos Pinheiros. O motorista relatou à PM que dois homens embarcaram na Praça da Estação, no Centro, por volta das 20h30, solicitando corrida para o local. Próximo ao destino, o passageiro sentado no banco traseiro sacou uma faca e anunciou o assalto. Mediante ameaças de morte, ele exigiu que o condutor entregasse o dinheiro. O taxista reagiu, tentando tirar a arma do suspeito, e acabou sendo golpeado na mão esquerda. A faca caiu próximo ao comparsa, sentado no banco do carona, que ainda efetuou um golpe na perna da vítima, na altura do joelho. A dupla fugiu levando R$ 150. De acordo com o boletim de ocorrência, o ferimento na mão do motorista teria lesionado um tendão. Ele foi medicado no HPS e teve alta na manhã de terça (5).

Para o delegado Rogério Woyame, apesar de os dois crimes terem tido taxistas como alvo e terem sido cometidos em um curto intervalo de tempo, aparentemente não há relação entre os casos. "Acho difícil terem sido praticados pelo mesmo autor, mas, havendo correlação, vamos trabalhar em conjunto com a Delegacia de Roubos."

 

 

 

‘Estamos atrás de respostas e soluções’

Após o protesto realizado pelos taxistas na porta da casa do prefeito Bruno Siqueira, na madrugada de terça, o chefe de Executivo cumpriu o combinado de receber os representantes da categoria em seu gabinete para discutir os atuais problemas de segurança enfrentados pelos profissionais. Bruno afirmou que a Prefeitura continuará trabalhando para o aprimoramento e melhoria dos serviços na cidade e que as polícias Civil e Militar se empenharão em investigar o caso do taxista assassinado. "Estamos aqui muito mais para ouvir as propostas que a Prefeitura tem para nos repassar. Não queremos que essa situação tome proporções como a das manifestações que estão ocorrendo pelo país. Estamos atrás de respostas e soluções", comentou o auxiliar de taxista Albenídio Ferrari, um dos três representantes dos manifestantes no encontro.

A reunião começou às 10h30, a portas fechadas, e durou quase duas horas. Também estiveram presentes o subcomandante do 2º Batalhão de Polícia Militar, major Sebastião Justino; o chefe de Departamento da Guarda Municipal, major Almir Cassiano; o secretário de Comunicação, Michael Guedes; e o secretário de Transporte e Trânsito, Rodrigo Tortoriello. Ao final, também foram recebidos o presidente do Sindicato dos Auxiliares, Marcos Cleverson Guedes, e o presidente da Associação de Taxistas, Luiz Gonzaga Nunes. Em entrevista à imprensa, Bruno Siqueira afirmou que, desde o começo do ano, diversas reuniões estão sendo realizadas para buscar soluções para os problemas do serviço na cidade. Entretanto, quanto à segurança dos taxistas, existe o desafio de implementar algumas ações reivindicadas pela categoria, como a possibilidade de recusa de passageiros. "A proposta já tramitou na Câmara Municipal e chegou até o Executivo. Mas não pôde ser implementada pelo Poder Público, na época, por ser considerada inconstitucional", comentou.

 

Processo lento

Para o presidente do Sindicato dos Auxiliares, Marcos Cleverson Guedes, as medidas de segurança para os taxistas ainda caminham de forma lenta. Ele também acredita que os problemas jurídicos colaboram com esse processo. Cleverson aproveita para mencionar a Lei Municipal 12.447, sancionada em 2011, e que autorizava o uso de GPS, com chip de monitoramento nos veículos. "Precisamos ir além. Hoje também temos o botão de pânico, mas não tem sido suficiente, e nem sempre temos como usá-lo. Acredito que a implantação de câmeras, junto com uma central de monitoramento, poderia nos ajudar nesses casos de combate à violência."

Tendo em vista o aprofundamento das questões que envolvem mobilidade e segurança dos taxistas, outra reunião foi marcada para quinta-feira (7), às 14h, com representantes da Settra. "Saímos daqui hoje (terça) satisfeitos, principalmente pelo fato de a Polícia Militar ter se mostrado solícita em nos ajudar. Temos em mente que esse homicídio foi o estopim em relação a nossa segurança, mas também precisamos pensar no atendimento ao passageiro, por isso, a conversa não pode parar por aqui", avaliou o auxiliar de taxista Leonard Moura. De acordo com major Sebastião Justino, a PM já está levantando dados sobre essa última ocorrência e continuará atuando de forma preventiva nos diversos pontos da cidade.