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Movimento reúne quase 1 milhão de assinaturas


Por Guilherme Arêas

05/07/2013 às 07h00

Ava Gambel e Sandra Cunha integram movimento que já recolheu mais de 930 mil assinaturas

Ava Gambel e Sandra Cunha integram movimento que já recolheu mais de 930 mil assinaturas

Uma mobilização que tem como principal plataforma o ambiente virtual e foi lançada em Juiz de Fora está prestes a conquistar um milhão de adesões. Criado pelo publicitário Ava Gambel, 33 anos, o movimento "Não foi acidente" busca colher cerca de 1,3 milhão de assinaturas para apresentar ao Congresso Nacional um projeto de lei de iniciativa popular que endureça a chamada Lei Seca. A proposta é acabar com a infração administrativa (multa) para quem conduz sob efeito de álcool e transformar a prática exclusivamente em ilícito penal (crime). O movimento defende ainda pena de um a três anos de prisão para quem dirige embriagado e de cinco a oito anos para quem mata no trânsito por estar alcoolizado. "O objetivo é fazer com que as pessoas tenham a consciência de que beber e dirigir dá cadeia. Não que nós queiramos simplesmente punir, mas porque queremos mudar a conduta e a consciência das pessoas", explica o presidente da comissão de direito viário da OAB-SP e redator do projeto de lei do movimento "Não foi acidente", Maurício Januzzi. Atualmente, se a pessoa que bebe, dirige e mata for ré primári, pode pegar de dois a quatro anos de prisão, sendo que a legislação brasileira prevê que penas de até quatro anos de detenção podem ser convertidas em prestação de serviços comunitários.

A campanha "Não foi acidente", começou em 2011, após o publicitário Ava Gambel perder um amigo em uma colisão de trânsito próximo a Juiz de Fora. "Para quem está envolvido com as vítimas, nunca vai ser um acidente." Dois meses depois, sensibilizado com a morte da mãe e da irmã do engenheiro Rafael Baltresca, atropeladas por um motorista embriagado em São Paulo, o Ava se uniu Baltresca para criar a campanha. Em um ano e meio, o movimento, que conta com apoio da presidente Dilma Rousseff, do programa de TV CQC e de diversas personalidades, já recolheu mais de 930 mil assinaturas. Para tornar válida a adesão, os assinantes precisam indicar o número do título de eleitor.

"Nossa grande dificuldade é que muita gente não quer criar uma lei contra suas próprias práticas", reconhece Ava. A estratégia adotada foi simples: impactar o internauta. "Na internet, principalmente nas redes sociais, as pessoas não têm muita paciência para ficar lendo. Então, nossas mensagens são pequenas, mas bem objetivas." No site da organização (www.naofoiacidente.com.br), os visitantes são instigados a pensar: "Você vai tomar consciência ou mais um drink?". Na página, as vítimas têm nome e sobrenome e as histórias de como foram mortas são contadas.

 

Família de juiz-forano luta por justiça

Uma das famílias que abraçaram a campanha "Não foi acidente" é a do estudante juiz-forano Rafael Cunha Theodoro, morto aos 16 anos, em 2010, após ser atropelado na Avenida Deusdedit Salgado, na altura do Parque da Lajinha. O rapaz atravessava a via para ajudar amigos que haviam tombado com um Fusca, quando foi atingido por um outro veículo. O motorista deixou o local sem prestar socorro e ainda simulou que seu carro havia sido furtado.

Conforme o relatório elaborado pelo delegado Rodrigo Massaud Salomão, na época das investigações, o suspeito informou ter "consumido, no máximo, uns três copos de cerveja na festa do casamento de seu irmão". Por isso, o delegado indiciou o motorista por homicídio doloso e comunicação falsa de crime. Já na sentença judicial, expedida em outubro passado, o titular da 3ª Vara Criminal de Juiz de Fora, José Humberto de Souza Carvalho, condenou o réu a três anos de detenção por homicídio. A pena foi convertida em pagamento de dois salários mínimos a uma instituição filantrópica e prestação de serviços comunitários por uma hora para cada dia de condenação. O caso aguarda julgamento de recurso por parte do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).

Desde então, a indignação da mãe de Rafael, Sandra Cunha, só aumenta, o que a fez recorrer às redes sociais para protestar e pedir apoio para a campanha "Não foi acidente". "Não há fiscalização, tanto que as pessoas continuam bebendo e dirigindo. Poucos criaram consciência. Nós, as vítimas, é quem cumprimos pena… a da perda."