Focos de dengue trazem preocupação na cidade
Uma semana após Juiz de Fora ter registrado a primeira morte por dengue, moradores de diversas áreas se mostram preocupados com a presença de possíveis criadouros do Aedes aegypti. A Tribuna esteve ontem em alguns desses locais e flagrou irregularidades que podem contribuir para aumentar o número de casos. Ontem a Secretaria de Saúde confirmou que a morte do servente de pedreiro Leonardo José Gomes dos Anjos, 31 anos, foi mesmo em decorrência da doença. Conforme o boletim, ele teria contraído a dengue em Juiz de Fora e viajado, alguns dias depois, para o litoral capixaba. Ao retornar, na última semana, seu quadro clínico já era considerado grave. Leonardo estaria com infecção bacteriana pulmonar, que teria se agravado após contrair a moléstia.
Apesar dos trabalhos de prevenção realizados pela Prefeitura, ainda falta conscientização em muitos bairros. Na Rua Belmiro Braga, no Alto dos Passos, Zona Sul, um terreno abandonado deixa a vizinhança em alerta. O aposentado Ivan Antônio Tavares, que mora há 50 anos na região, convive com o problema diariamente. O mato está alto e toma conta da calçada, impedindo a passagem de pedestres. Quando chove, acumula água parada. Estamos assustados.
Situação semelhante é vivida na Rua José Márcio Pascoalino, no Jardim Gaúcho, Zona Sul, onde pelo menos sete pessoas ficaram doentes, nos últimos meses, com suspeita de dengue. A professora de educação física Ermelina Gomes do Nascimento foi uma delas. Ao lado da sua casa, há um terreno abandonado, com vegetação elevada. No local, grande quantidade de lixo pode ser identificada. Os próprios vizinhos têm custeado a limpeza da área.
Sobre estes dois casos, a Secretaria de Atividades Urbanas (SAU), por meio da assessoria de imprensa, explicou que há dificuldade de localizar e identificar os proprietários. Nos próximos dias, eles serão notificados pelo Diário Oficial do município.
Cuidados
Vários moradores da Rua Goiás, no São Bernardo, estariam com sintomas da doença, conforme a vizinhança. O mesmo acontece em um hospital psiquiátrico, onde pelo menos quatro funcionários e três pacientes ficaram doentes nos últimos meses. O diretor clínico da unidade, Carlos Roberto Neves, por meio da administração, confirma os casos, mas garante que não há criadouros do mosquito no hospital. Ontem, a Tribuna encontrou sujeira na rua e mato alto em terrenos próximos. Além da presença de cachorros, que espalham sacos de lixo. Sobre este problema, a fiscalização orienta que a própria população se conscientize.
Casa vazia
Quem passa pela Rua Carlos Chagas, no São Mateus, não consegue visualizar o perigo existente em uma casa que está vazia há alguns meses. Vizinhos apontam irregularidades. Da janela de um prédio ao lado, é possível observar a piscina da propriedade. Apesar de vazia, ela está descoberta e acumula água da chuva e sujeira. Segundo a assessoria da SAU, o novo dono foi notificado e tem cerca de 30 dias para melhorar as condições de higiene, além da manutenção da calçada, que estaria irregular. Se não cumprir as determinações, pode ser autuado e pagar multa, cujo valor ainda precisa ser estipulado.
Até domingo, mais de 60 pontos em vários bairros vão receber a pulverização do Ultra Baixo Volume (UBV) e fumacê. O objetivo, de acordo com o Departamento de Vigilância Epidemiológica, é garantir a redução da infestação ao vetor em sua fase adulta. O caminhão vai passar pelas ruas, entre 6h e 10h e de 15h a 22h.








