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São Mateus concentra casos de dengue


Por KELLY DINIZ

05/04/2016 às 07h00- Atualizada 05/04/2016 às 08h11

Entre o Santa Luzia e o Teixeiras, recipiente acumula água

Entre o Santa Luzia e o Teixeiras, recipiente acumula água

Lixo se acumula na Rua Dr. Campos Lima na divisa dos bairros São Mateus e Dom Bosco

Lixo se acumula na Rua Dr. Campos Lima na divisa dos bairros São Mateus e Dom Bosco

O Bairro São Mateus é o local com maior número de casos confirmados de dengue do município, conforme a Secretaria de Saúde. Na sequência estão Santa Luzia, Centro, Santa Cecília e Milho Branco. A Zona Sul é a mais infestada, já que os bairros com maior concentração de casos estão localizados nessa região. O levantamento é utilizado pela pasta para realizar os trabalhos de prevenção. Juiz de Fora tem hoje 7.427 casos prováveis da doença, mas o número por bairro não foi divulgado.

Conforme o subsecretário de Vigilância em Saúde, Rodrigo Almeida, existe uma programação anual de combate ao mosquito. No entanto, quando há epidemia, os trabalhos são direcionados para os locais de maior evidência para que haja redução dos criadouros, sendo utilizado o fumacê nas áreas de infestação para eliminar o mosquito adulto. O subsecretário ainda destaca que, em anos anteriores, a Zona Norte sempre foi o local de maior concentração de casos. “Desde janeiro, o Exército estava atuando na Zona Norte que sempre foi a vilã em incidência da dengue. Assim, não tivemos o percentual de casos que tínhamos em outros anos lá. Agora redirecionamos o Exército para a Zona Sul e intensificamos os trabalhos de campo.”

A situação é percebida pelos moradores que afirmam já terem tido a doença neste ano ou conhecerem pessoas com alguma moléstia transmitida pelo Aedes aegypti. Assim, a população busca prevenção e tratamento nas farmácias. Apenas em uma drogaria localizada na Rua São Mateus são vendidos 15 repelentes por dia. “Toda hora chega alguém querendo comprar paracetamol e levam junto dois, três pacotes de soro. Muitos já chegam aqui com os sintomas”, afirma a funcionária da farmácia Jussara Henriques.

Os dois sócios de um café e curso da Galeria Dr. Dirceu de Andrade sofreram com a enfermidade no mês passado. Fátima Freitas pegou dengue no início de março e conta que viu o mosquito a picando no estabelecimento. Já Marcos Freitas teve alta na semana passada e afirma que foi picado mesmo usando o repelente. “Aqui na galeria, a maioria dos lojistas e funcionários teve a dengue e foi em sequência.”

A proprietária de uma loja de frios da Rua São Mateus, Jaqueline Silva, diz que, no primeiro andar do seu prédio, localizado na Rua Luiz Detzi, todos já tiveram dengue. “A parte boa é que está todo mundo empenhado em denunciar quem não está cuidando. Ou, por exemplo, se um vizinho estiver com uma piscina sem cuidar, ver com ele o que pode fazer para que não vire criadouro do mosquito. No meu prédio, já fizemos vistoria no telhado, na caixa d’água. Onde pode ter foco, estamos eliminando.”

Santa Luzia

No Bairro Santa Luzia, a situação é semelhante. A filha de 11 anos de Luciene Furtado, proprietária de uma loja de roupas da Rua Ibitiguaia, está com suspeita de dengue. “Ela está com muita dor de cabeça, dor nos olhos e no corpo.” Na última quinta-feira, ela teve que fechar a loja para levar a menina à UPA (Unidade de Pronto Atendimento). “Há uma semana, quem teve dengue foi a minha tia. O dia inteiro, a gente ouve alguém comentar que algum conhecido está com dengue”, diz Luciene.

Em uma loja de sapatos na mesma rua, a funcionária Alessandra Barbosa e seu pai tiveram dengue neste ano. “Tive dengue no final de fevereiro. Fiquei seis dias passando mal, com dor nas pernas, de cabeça, febre, manchas vermelhas pelo corpo e cansaço. Agora é meu pai que está com dengue. Os clientes que chegam aqui na loja também comentam que tiveram dengue.” A moradora do bairro Thaiara Gomes conta que na Rua Conceição Sapatieri Zavon, onde mora, três vizinhos estão com a doença. “Tem uma casa na rua de trás que está lotada de entulho. Lá de casa dá para ver máquina de lavar exposta ao tempo, pneu, lona, muita coisa acumulando água.”

A farmacêutica Raquel de Oliveira afirma que, apenas na drogaria em que trabalha, na Rua Ibitiguaia, cerca de 40 pacotes de soro e dez caixas de paracetamol estão sendo vendidos por dia, além de dipirona e antialérgico. “Uma funcionária também teve dengue este ano.”

Fumacê

Devido à grande demanda, o Estado ficou desabastecido do inseticida utilizado no fumacê, que é importado e adquirido apenas pelo Ministério da Saúde. Assim, os trabalhos com o UBV estão interrompidos em Juiz de Fora desde 30 de março. A expectativa, segundo o subsecretário, é de que o produto chegue à cidade até amanhã.

Flagrantes de criadouros são constantes

Apesar da epidemia de dengue em Juiz de Fora, com 7.427 casos prováveis da doença e oito óbitos confirmados, flagrantes de potenciais criadouros do mosquito ainda são facilmente encontrados pela cidade. Na Rua Victor Spagnolo, no Bairro Santa Luzia, Zona Sul, entulhos, como garrafas, latas de tinta e outros objetos estão expostos na calçada há um mês, conforme uma moradora da via que preferiu ter o nome preservado. “Nesse local, acumula muito lixo, até vaso sanitário já jogaram ali, mas eles costumavam recolher. Agora, esse lixo está preocupando mais porque faz um mês que está ali. Na rua já são quatro pessoas com dengue.” Em quase toda extensão da via ainda há mato alto próximo à calçada. O Demlurb informou que realiza constantemente a retirada de materiais descartados incorretamente na via. Hoje, o departamento enviará um técnico ao local para avaliar a situação e agendar uma nova limpeza.No mesmo bairro, em um acesso para o Teixeiras, um bota-fora irregular também preocupa. No local, há vasilhas, telhas de amianto e sacolas acumulando água.

No Bairro São Mateus, entulho e lixo se acumulam na Rua Dr. Campos Lima, na divisa com o Dom Bosco. São muitas sacolas de plástico, garrafas, copos e papelão. Já no final da Rua Pedro Scapim, no mesmo bairro, o mato alto toma conta de todo um barranco que fica nos fundos de uma escola infantil e próximo ao Hospital de Pronto Socorro (HPS). O lixo se acumula entre o mato alto, propiciando a proliferação do Aedes aegypti.

No Bairro Benfica, Zona Norte, um espaço existente entre um hotel e um prédio comercial, na Avenida Juscelino Kubitschek 6.245, está acumulando lixo. Conforme o morador da região Américo Jansegers, copos e latas são jogados constantemente no local. “Também há uma loja no prédio comercial que está sem locatário e ninguém se responsabiliza pela limpeza.”

No Cruzeiro do Sul, um leitor enviou uma mensagem para o WhatsApp da Tribuna reclamando de um caminhão que está abandonado na Rua Pedro Celeste há quatro anos. O caminhão acumula água e propicia a proliferação do mosquito. Já no Vitorino Braga, outro leitor enviou uma reclamação de uma residência localizada na Rua Júlio Modesto na qual o morador está acumulando lixo e propiciando a proliferação do vetor da dengue.